Do educacionês e outras farpas, em torno de um debate parlamentar

Ainda tenho tempo para chamar atenção para o que ouvi na SICN de João Duque e que nenhum oficial público até agora referiu sobre a explosão do nosso endividamento. Por outras palavras, nem multiplicando por dez o imposto extraordinário anunciado cobriríamos o buraco. Logo, a única conclusão a que quero chegar: com a lógica do número financeiro, Portugal vai fechar. Para acrescentar: logo, o problema é político.”

Voltei e voltou a net. Reparei que este mural teve um debate vivo. Até com a coragem de um fascista se assumir como fascista com adequada resposta antifascista. Ai de mim se lamentasse a circunstância. O meu conceito de liberdade gosta dessa dialéctica. Ainda por cima invocando a qualidade de António José de Brito. Mas convém respeitar a qualidade de António José de Brito. Gosto da auto-regulação da boa educação.”

A Zon avariou aqui na minha zona. Pelo menos até à meia noite, sem televisão, sem telefone fixo e sem net. Vale-me a Pen, apenas para dizer isto e para voltar aos tempos da info-exclusão, preparando eventuais refluxos de uma sociedade da informação subitamente adormecida sem ser por acaso….”

A melhor designação deste governo é a oficial: XIX governo constitucional, depois de seis provisórios. Por, outras palavras, um governo capicua, entre dois X. O I do novo ciclo. Mas que ainda é “teenager”.”
Haverá algum ministro, secretário ou deputado que me liberte dos discursos, recomendações, cartas, reflexões, notas oficiosas e regulamentos que os actuais educionólogos, avaliólogos e outros ornitólogos que, agora, batem palmas ao discurso do senhor ministro, ainda há pouco me emitiam, sem eu poder fazer “spam”? SOS! SOS! SOS!”
Para que o sistema educativo continue aberto para baixo e para cima, para a realidade e para os valores… basta que, com o conhecimento modesto de coisas supremas, se abram as janelas da descentralização e da devolução de poderes, mesmo que haja correntes de ar e algumas constipações” (há muito que disse, ninguém ouviu e não fui eu apenas que o disse).”
18:29
José actualizou o seu status.
“E muito positivisticamente, cumprindo o plano da revolution d’en haut, vão nomeando, de cima para baixo, os seus hierarcas, cobrindo gnosticamente, com o manto diáfano da ciência e da tecnoburrocracia (sic), meras decisões políticas e até de vindictas carreirísticas, mas sem que assumam a responsabilidade política dos que são eleitos.”
Todos estão irmanados pela legitimidade da simples nomeação política centralista, assumindo a mera dimensão decretina.”

Liberalmente, direi que, com estes especialistas em sucessivas derrotas, o sistema não merece os custos que actualmente são suportados pelos contribuintes. Aliás, os educacionólogos criaram não sei quantos ministérios dentro do mesmo ministério, com uma série de círculos concêntricos de lobbies…r”

Com efeito, o sistema educativo…menospreza as virtudes da verdadeira sabedoria científica, esse espaço de conhecimento situado entre a metafísica e o bem senso, e, por isso, usa e abusa da hiper-departamentalização educativa, gerando inúmeros especialistas em casca de árvores que não conseguem compreender a floresta, com o consequente vazio de cultura geral e de senso comum.”"

Não sabendo que só é novo aquilo que se esqueceu e que o antigo é o moderno, de que o moderno há-de ser antigo, para vieirizarmos um pouco, nestes tempos em que os modernistas já são todos pós-modernos e os reaccionários pensam que são reformadores.”

Metaforizando, direi que a culpa está no educacionês que nos impede de dizer que o rei vai nu, e que, fábula por fábula, continua a a esgrimir os argumentos do velho, do rapaz e do burro, de tal maneira que o dito burro acaba por ser menos burro que todos os que lhe chamam burro, enquanto os velhos continuam a pensar que são rapazes e o rapazes, apesar da idade, são, talvez, mais velhos que os velhos,…”

‎…confundindo o público com o privado, para destruírem o privado que com ele não privatiza, ou que a ele não vai recorrer depois de, também por ele, ser entrameado, de acordo com a regra do pirómano bombeiro”.”

“A culpa, apesar de não ter que morrer solteira, também não está, por inteiro, no Professor Veiga Simão, no Engenheiro Roberto Carneiro, no Doutor Marçal Grilo e em toda essa honrosa nomenclatura de reformadores… que, como lobby reitoral, se fundacionaram misticamente…”"

‎”as adiposidades do comunismo burocrático da 5 de Outubro, esse inferno dos aparelhos inventados para o cumprimento das boas intenções dos nossos educacionólogos, avaliólogos e outros ornitólogos, continua a pautar-se por um dicionário autista, incapaz de se relacionar com o concreto das circunstâncias da vida e de servir os valores a que diz obedecer” (JAM, anos noventa do século passado).”

“Foi em pleno guterrismo que, bem antes de o tempo ser arrastado por nova moda, que li isto: “sinto-me no dever de proclamar, quase à maneira de Guerra Junqueiro, que o nosso sistema educativo, caso se mantenha a actual entropia e o consequente lixo não incinerado, corre o risco de só poder dar alguma luz quando arder”.”

 

E lá vem Portas. Pedra esculpida na palavra que trata como deve ser. Não quer falar de facturas nem de fracturas e empalma a câmara com boa retórica, até nos levantados do chão. Qualidade nota-se, até num adversário, como é, para mim, o senhor ministro.”

Agora, o apelo às palmas do elogiador de serviço. E invoca o sangue, suor e lágrimas, de forma pífia, dado que na nossa casa da democracia é proibido fumar charuto por causa dos “dogmas políticos estatizantes”. É que o imposto é o exacto sinal contrário de uma revolução política tranquila.”

Maria de Belém desanca agora no assistencialismo. Ainda não invocou a qualificação aryana de “caridadezinha”. Mas fica-lhe bem o dizer que a solidariedade não deve servir apenas para cuidar, mas também para libertar. Isto é, não nos dêem peixe descongelado, não nos imponham licenças para pescar. E essa do kantiano é boa esteva!”

Depois do Crato utilizar o humanístico como adjectivo, Maria de Belém já utiliza o humanismo como substantivo, adjectivando o discurso com a doutrina social da Igreja. A influência de Basílio Horta começa a ser notável nas fileiras do partido herdeiro de José Fontana e Antero de Quental!”

Maria de Belém depois da dita branda de ontem, recomeça hoje com outra dita bem mais dura”

Com esta das “senhoras e dos senhores deputados”, discrimina-se o “tertium genus”. Preferia o colectivo do “ilustre câmara” ou a utilização do neutro latino. Serve mais o plural… medidas de excepção para situações de excepção, isto é, a definição dada por Carl Schmitt ao soberano!”

Depois de Francisco Lopes e face à ausência de Manuel Alegre e do madeirense, outro candidato a Belém com assento parlamentar deve subir à tribuna…”

Fazenda disserta sobre assuntos de fazenda. Apenas tenho a televisão ligada para ver se fala o Álvaro que não pode declarar-se em feiras de artesanato e dar entrevistas ao IP…”

O estilo é o homem, não diz uma defensora do materialismo científico bem apolónio. Para a senhora deputada, mais do que a matéria, interessa a essência. Viva o materialismo essencialista!”

Afinal, Dominique Strauss-Kahn ainda vai vencer as eleições francesas…Quem o fez de besta, pode ter que o elevar a anjo. Anjinhos somos nós. Embora eu goste mesmo do professor Dominique.”

 

Homenagem ao merceeiro cá da rua. Todos lhe chamam paquistanês, mas ele afinal é de Katmandu e tem uma caixinha de esmolas para as crianças nepalesas, onde todos os iniciados metem as fracções de euro mais escurinhas que sobrevivem aos trocos. Ou Portugal no seu melhor de universal.”

Ouço ministro educativo. Já tinha lido tudo no PDF do programa de governo. Mestre de comunicação e propaganda não se esquece da primeira regra do estado da arte. Repetir, repetir, repetir. Com disciplina e método.”

Como diria Almada Negreiros, neste desgraçado país, onde ninguém a ninguém admira e todos a determinados idolatram, há momentos onde se geram pulsões onde Portugal é substituído por modas que passam de moda. Enquanto os cortesãos brincam à batalha naval, procurando detectar periscópios em pleno deserto, há felizmente navios que já têm asas e esvoaçam no horizonte de onde vem o sol. O azul é a síntese do universo.”

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