O unidimensionalizador da percentagem

O corte cego pode não nos livrar do nó Górdio, dado que o pecador se ri do justo e o incompetente, do competente. A laminagem rebarbadora tanto leva o trigo como o joio, dado que não sabe distinguir a erva daninha da que foi carinhosamente semeada. Não se fez adequada selecção dos seleccionadores, porque os olheiros já não são o que foram, estão vesgos e embarrigados pelo tacho nomeativo! Está tudo encravado entre o martelo e a bigorna, em pancadaria automática dos prensadores de lixeiras.

O unidimensionalizador da percentagem e da ficha planeamentista é a velha herança do marxianismo que a social-democracia abriga, nomeadamente com os convictos do militantismo pelo militantismo, onde se irmanam ex-estalinistas e outros tantos vitalismos de sinal contrário que costumam colorir o cadáver adiado do Estado em movimento, mesmo que lhe chamem Europa, FMI ou o raio que os parta.

 

Se eu corto os mesmos xis por cento no tecido cancerígeno e no que cria riqueza e imaginação criativa, estou a dizer que vamos ser todos rapidamente contaminados, a começar pelos talhantes e curandeiros que vão executar o programa. O problema não está na tesoura. Está em saber o que se quer e o que se crê.

Entre canhotos e endireitas, riem os bonzos, porque pensaram que têm no papo os liberais a retalho, feitores dos ricos, e os demagogos da sensibilidade social que foram benzidos pelo senhor abade. E ai do remoinho da incompetência que apenas se fia no luzidio de um evento, gerido por caixeiros viajantes que passam bem nos holofotes da mediacracia. A “aurea mediocritas” tem um “ó” e só com adequado espírito ecologista…

 

Dantes, em vez de caixeiros viajantes, o estilo era mais Zara, isto é, delegado de propaganda médica, especialista em conto do vigário.

 

Agora, com os anéis todos no prego, era mostrar com o dedo indicador, que ainda há dedos mindinhos que podem esgaravatar a cera das orelhas e até estão contra os eurobondes…

O académico Vítor Gaspar é tão irrepreensível quanto o seu homónimo tecnocrata e, para sermos justos, ambos têm alto nível. Só que um ministro, para ser político, como é o seu dever, não pode apenas fingir que não é politiqueiro. Sob pena de continuarem a brilhar deputados bolcheviques como Honório Novo. Até Vasco Graça Moura e Marques Mendes já começam a aperceber-se da fúria dos laranjinhas.

 

Todos começam a dizer o tudo e o seu nada, para que jardim seja mais um pilar da ponte do tédio, entre o desvio e o colossal…

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