Dos traseiros do “não pagamos”

Dos traseiros do “não pagamos”

Por José Adelino Maltez

 

Talvez não mereça ser nominalmente citado o deputado que, por palavras, reproduziu aquilo que foi o símbolo gráfico da geração dita rasca e que agora se disse marimbando. Porque a expressão é equívoca, dado que tanto pode referir-se a um instrumento musical formado por lâminas de vidro ou metal, graduadas em escala, que se percutem com baquetas, como a um jogo de cartas em que a dama de espadas é o maior trunfo. Antigamente, chamava-se a isso demagogia jota, mesmo sem mostrar o “não pagamos”, antes de ter triunfado o modelo da velha conspiração de avós e netos. É evidente que há calinada, mas ninguém pode dar palmatoadas neste irascível da visita à parvónia, porque, de vidraças, de insultos rascas, está o parlamento cheio. É mais preocupante o regresso de velhos movimentos unitários de intelectuais ao “agenda setting”, bem como o surgimento, quase diário, de mais um abaixo-assinado, reveladores da crescente falta de adequadas canalizações representativas da democracia. Escândalo, do grego scandalon, é apenas a pedra em que se tropeça quando se está a marchar. Como ainda não houve protestos da comunidade internacional quanto à ameaça atómica, talvez importe acrescentar que este economista de boa escola apenas disse em voz alta, aquilo que todos gostaríamos que acontecesse, se fosse possível usarmos o nosso poder funcional nas relações europeias. Merkel, Obama e Sarkozy já nos insultaram mais, menos civilizadamente.

 

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