Por Cícero e Carl Gustav!

O laboratório mais antigo de quem pensa a política continua a ser a longa guerra civil romana que opôs os cesarianos António e Octaviano aos republicanos Brutus e Cassius, com Cleópatra pelo meio. Claro que sempre torci por Cícero contra o concentracionarismo de César e a emergência do principado e do império. E julgo ter compreendido a causa da queda da república romana: quando as instituições se enredaram em aristocracias possidentes e oligarquias de privilegiados, enquanto os cesarianas passaram a aliar-se à dinâmica da revolta popular e à instrumentalização da abstracção pátria. Roma, de guerra civil em guerra civil, de triunvirato em troika, logo acabou em dominado, quando o imperador, apenas aclamado pelos chefes da soldadesca, passou a assumir-se como “dominus et deus”. E tudo se agravou quando ele se converteu ao monoteísmo e fez com que Roma caísse na teocracia do cesaropapismo. Por isso é que continuo pelo politeísmo superior da republica romana, mesmo em forma de reino, sempre contra as monarcias Quase diria o mesmo do recente filme sobre Freud e Jung. Onde o pai fundador queria cesarismo, isto é, uma revolução com dogmas e ortodoxos, nomeação de um príncipe real e o estrondo de disciplinados apologetas e propagandistas reverenciais. Prefiro o dissidente, o que quis continuar a dizer que só sabia que nada sabia, para integrar a corrente nos mistérios antigos e assim captar a incerteza do futuro, com a consequente aventura da individualidade. Sou da seita de Cícero e Carl Gustav.

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