Reflexões sem conjuntura, para quem quiser enfiar a carapuça

Quase todos os dias, tento resistir aos velhos fantasmas que tive e talvez ainda tenha sob a forma de preconceitos, sobretudo contra as categorias políticas que considerei inimigas. Quase todos os dias, tento educar-me, procurando distinguir certos “ismos” das pessoas concretas que os enquadram e servem. Pelo menos tento reconhecer que, entre os meus, há tão maus exemplos pessoais quanto nos meus antigos, ou presentes, adversários. Os homens não se medem pelos redutores “ismos” com que os classificam. Todos somos imperfeitos, sobretudo na falta de autenticidade. Mas isso não me impede a revolta contra certas bestas que nos querem oligarquizar. Nem o agressivo combate espiritual por minhas crenças, valores e princípios, os da minha perspectiva, da minha concepção do mundo e da vida, ou da minha própria irmandade. Lamento sempre não ter partido. Não tenho sequer o partido dos sem partido, com que se costumam vangloriar os chamados independentes, os que estão sempre à espera que os contratem, para um qualquer estágio de adesão à partidocracia, período em que demonstram o máximo de facciosismo, nomeadamente quando cantarolam o seguidismo face a um qualquer novo príncipe do populismo das elites, mesmo que não chegue a césar de multidões.

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