Farpas 13 de Janeiro 2012

Ainda conheci velhas tascas abrileiras, com saudades do convívio da ética republicana com o fado carbonário, por onde velhos pides ainda estacionavam, na recolha da bufaria e da espuma do vinho verde. Agora, a malandrice é bem mais fina, a dos salamaleques salazarentos onde os convidados são trotskistas e maoístas arrependidos, saudosos das orgias ideológicas, mas cada vez mais longe dos povos e do espírito que os pode regenerar.

Para os devidos efeitos, declaro, de pública e espontânea vontade, que, para ser aquilo que sou, nunca nenhuma entidade estranha à minha convicção me convidou. Sou, não estou. Quando alguém tem uma concepção do mundo e da vida, vive-a, isto é, vive como pensa, sem pensar, depois, como vai viver. Pobre país, o nosso, quando desfilam os exemplos dos que dizem ser independentes só porque confidenciam que receberam convites de fantasmas polarizados por preconceitos.

“Se cuidas que a popularidade é coisa diferente da justiça e da moral austera te enganas” (Mouzinho da Silveira em 13 de Dezembro, depois de se demitir de ministro da fazenda, não aceitando ceder à ilegalidade de uma extorsão fiscal, em conselho ao sucessor)

Um ilustre deputado, sentado no hemicilo, levantou os olhos e confirmou como a casa onde está tem este retrato lá no cimo. Logo elaborou coisa de lei para o escavacar…sempre podia mandar colocar um pano negro, bem diáfano…

Um dos mais mediáticos magistrados lusitanos acaba de lançar a suspeita sobre colegas magistrados, proclamando expressamente: se eu tivesse de julgar” alguém do mesmo grupo “não sei se seria isento, imparcial e independente”. Tem responsabilidades públicas tais que não pode apenas insinuar. Muito menos ser discriminatório, isto é, fazer campanha por uma flagrante violação da constituição. Porque, se houver alguém que ele tenha de julgar e seja do grupo que ele discrimina, ele pode ser objecto do legalíssimo instrumento da suspeição, por discriminação confessada.

Mais outro, querendo banir tudo o que é rito, quer limpar mais este quadro que lá meteram secretamente. É que quase não escapa ninguém.

Outro ilustre deputado vai tentar que façam imediato agendamento, visando alterar a terminologia maçónica que dá nome a este pátio interior. Quer chamar-lhe apenas corredor, mas em inglês: “Lobby”.

Os parvos entram onde os anjos temem entrar. Mas nem todos somos anjinhos. Porque os anjos sempre tiveram esse problema com o sexo. Por isso caiu Bizâncio. Primeiro, com os Cruzados. Depois, com os turcos.

Para ascendermos um pedacinho mais e sairmos do rasteiro. Ou de como se faz parte da pátria.

Repito: faço parte de uma sociedade secreta iniciática que levantou colunas em 1140.

rgumento fatal: Portugal é o isso foi no passado. Quase novecentos anos de vida. Logo, nada como o eliminar. Nada mais eficaz para evitarmos os lixos das agências de ratação. Ainda não compreenderam o processo de niilismo em curso?

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