Farpas de 11 de Janeiro de 2012

Registo de autenticidade: há muitos anos que cumpro sempre uma regra moral mínima quando qualquer jornalista me pede uma opinião sobre uma instituição de que seja membro – ele fica sempre a saber previamente se dela sou ou não sou. Mas alguns ditos jornalistas, que até me podiam encontrar no mesmo corredor do sítio comum onde trabalhávamos, nem sequer me contactaram quando me listaram como inimigo público. Uns estão pela verdade, outros por aquilo que todos podem qualificar como servicinho.

O tudólogo é o exacto contrário do especialista em assuntos gerais, que é uma das mais difíceis especialidades. Nomeadamente a do conhecimento modesto sobre coisas supremas. Especialmente naquele Portugal onde há muitos homens eruditos e poucos homens cultos. Daí que ninguém a ninguém admire e todos a determinados idolatrem.

Antigamente, havia os tudólogos, agora há os nadólogos, esse misto de niilismo com prosápia. Isto é, os que comentam publicamente assuntos, confessando, expressamente, e sobre os ditos, que “há assuntos sobre os quais eu não sei absolutamente nada”. Entre o tudo e o seu nada, há um “tertium genus”, o tudo que é absolutamente nada.

 

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