É mentira dizerem que Roma não paga a traidores

“Os homens de acção, quando destituídos de fé, jamais acreditaram noutra coisa que não fosse o dinamismo da acção”

“Enquanto houver inimigos, reinará o terror, e haverá sempre inimigos, enquanto o dinamismo existir e para que ele exista. Os inimigos são heréticos; devem ser convertidos pela prédica ou pela propaganda; exterminados pela Inquisição ou pela Gestapo”

Amen. Estava apenas a citar Camus. Mas eles andam por aí. E sem vergonha.

“Os escravos são tão culpados quanto os tiranos. É difícil de dizer se a liberdade poderá reprovar mais justamente aqueles que a atacam do que aqueles que a não defendem” (Beaumarchais).

É mentira dizerem que Roma não paga a traidores. Paga. E com prémios. Com comendas e encomendas.

Já ninguém quer ser marquês, ministro ou secretário de Estado. Pouco interessam as posses na Ajuda ou em Belém. Qualquer notável não quer nome de estádio, mas simples cunha junto de um desses “boys”, a quem deram “jobs”, ou um desses candidatos, de quem eles foram da de “honra”, para que interceda junto dos accionistas de referência, visando um lugar vitalício, para o pós-governo e o pós-regime. E o mais seguro é juntar, à fome interna, a vontade de comer, de estranhos e estrangeiros, dizendo que sim, que têm boa testa, de ferro e tudo. Quando quase todos minguam, há sempre alguns que crescem. É pena mostrarem as vergonhas naturais, sem tanga.

Para alguns que em nós fingem mandar, mas por vontade estranha, apenas estranho que eles se continuem a convencer que uma velha, patriótica e vigente lei, visando impedir agentes ditos públicos de estar ao serviço de potências estrangeiras, pode ser interesseiramente revogada, sempre que eles recebem cheque, invocando a globalização, as pedras, os serviços e as palancas. O que insulta mais é eles continuarem a discursar patriotorrecamente e algum povo aplaudir. Foi sempre a razão de Estado que nos traiu.

A situação vista de fora é insustentável, mas nós a vamos sustentando, enquanto outros, se sustentam uns aos outros. Começo a compreender a nervoseira de suas ministerialidades. Eles sabem mais do que nós, os impostados.

Quando o poder instalado se estreita absolutamente na rede dos micropoderes que já sustentaram o anterior sistema de feitores e capatazes, quem manda apenas mostra que é mandado pelos tradicionais donos do poder. E não há mobilização nacional que passe por este buraco da agulha. Estamos sob o fio da navalha. Já não somos camelos bíblicos nem estamos sobre o mesmo fio. Está frio. O do cadáver adiado que, um quarto de hora antes, emite notas oficiosas, o que apenas manda que os deslumbrados emitam sentenças de hierarquismos pretensamente insubstituíveis, como os da paz dos cemitérios.

Isto precisava de uma imaginação politicamente científica e não dos habituais cadáveres adiados que não assumem a loucura de quem quer grandeza.

Recebi mensagem de além Pirinéus. De alguém que acreditou no ferreiro. “Quem, com ferro matou, com o mesmo ferro pode morrer. O ferreiro só pensa na forja. E normalmente funde quem com ele se quis fundir. Porque passa a ser mero fungível para a infusão. Sobretudo, quando ardem os fusíveis e o GPS avaria”.

“O nosso principal défice democrático está na falta de uma adequada democracia fiscal.” (disse-o a Jornal de Negócios – 27/01/2010). Não me lembrava, nem desta fotografia, apareceu-me por acaso, durante uma pesquisa de outra coisa.

A blogosfera já consegue estar à frente das televisões. Ou de como um mediático magistrado fala ao mundo a partir do chão, de uma cerimónia religiosa e insinuando coisas através das cláusulas gerais equívocas como capela, congregação e obediência, como se o ser ou não se de uma crença, maioritária ou minoritária, pudesse ser mais ou menos valia. Parabéns ao Ânimo Dias Mais Leves, aqui do Facebook. Se um juiz, das Testemunhas de Jeová aparecer nas televisões, dizendo que isso é mais-valia, também acredito ser verdade. Um problema de força das convicções…

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