Estado social e Alfredo da Costa

Medina Carreira foi considerado profeta da desgraça. Pode orgulhar-se. O presidente do Banco Central Europeu já o ultrapassou, ao passar a certidão verbal de óbito ao chamado modelo social europeu. Entretanto, num exercício de mera propaganda, líderes políticos lusitanos prometem ou contraprometem coisas para o ano de 2015. E ainda há quem finja acreditar.

Vítor Gaspar não é apenas um tecnocrata, mas um mestre-pensador, esse caminho a que se acede pela definição de um conceito entendido como substância, donde, depois, se desce dedutivamente, do axioma para o concreto, através de um rendilhado lógico de definições e subdefinições, hierarquicamente arrumadas e terminologicamente controladas pelo dicionário ideológico. E nem o gato do Honório o apoquenta. Logo, vale a pena ver a coisa, presa no telhado e já sem rabo.

“Vérité dans un temps, erreur dans l’autre” (Montesquieu, Lettres Persannes). Dizem que o modelo social europeu está morto. “Vérité au deçà des Pyrénées, erreur au delà. » (Pascal). Os Pirinéus não existem. Dependem das campanhas eleitorais dos que querem saltar ao Eixo.

Morreu precocemente, este ilustre médico, ao 51 anos, no ano do 5 de Outubro, um pouco antes da República. Mas o respectivo sonho foi sendo semeado e, um ano antes do Estado Novo, a maternidade de Lisboa recebia a primeira parturiente. Foram milhares e milhares os naturais da freguesia de São Sebastião da Pedreira que integraram a ideia de MAC. Um dos meus rebentos aí veio ao mundo. Ficámos hoje a saber que, dois regimes depois, o sonho tem de continuar. Viva o goês Manuel Vicente Alfredo da Costa, que deu muitos novos mundos ao mundo. Obrigado!

O relatório do FMI é tão claro como o lapso: “Grande parte do ajustamento orçamental ainda tem de ser feito nos próximos anos. E, à medida que este ajustamento for ocorrendo, e se combinar, possivelmente, com um ambiente externo mais fraco, uma recessão mais profunda do que a actualmente prevista é bem possível”.

No tempo da ditadura, havia uns cigarritos, ditos fracos, a que todos chamavam mata-ratos. Eram sem filtro e já profetizavam os tempos que correm: todos os provisórios são definitivos, definitivamente provisórios, nesta supensão dos contratos, da palavra dada e dessa pesada herança dos direitos adquiridos.

O gozo que tenho de ver a campanha antiliberal do Portugal de hoje, ainda em ideologismos de trinta anos. Espreitem isto, ilustres preconceituosos:

 

 

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