“Vai mas é cavar batatas…”

Ex-ministro da Defesa detido por corrupção nos submarinos (na Grécia). Presidente detido e primeiro-ministro atacado num golpe militar (em Bissau). O líder do PS, António José Seguro, disse que o Tratado Orçamental da União da Europeia. “é indispensável para Portugal ficar no euro”.

“Vai mas é cavar batatas…” é plebeísmo correspondente a esta declaração ministerial: Na agricultura “não falta emprego, falta é gente para trabalhar”

Carlos Gomes Júnior apenas está detido pelos militares em Bissau. Menos mau. Um povo que vota merece o nosso respeito, o nosso apoio, a nossa força.

O grande papagaio aprova o tratado.

Da profecia do regime dos bons alunos. Dos que ou comem ou calam.

Recebi comunicação sobre o “impeachment”, pouco collorida. Fui ler. Pode ser o velho soldado que estava ao serviço particular de um oficial, na tropa. Pode dizer-se de um jogador de futebol que está “offside”, ou em fora-de-jogo, e mesmo assim marcar golo, porque o fiscal de linha já não tem força para levantar a bandeirinha e até o leva em padiola. Ou pode ser mais um retrato dos traseiros desta sociedade de corte, em viagem à roda da Parvónia. Prefiro Guerra Junqueiro.

Enquanto o pau vai e vem, rapam-se os queixos e as leis.

Os filhos bananas e as bichas republicanas ou o Estado do Estado

A necessidade aguça o engenho, mas encher a urna de pedras e areia para o corvo debicar dá ilusão que ela está cheia, mas depois do esperto se servir, fica só calhau. Ou a fábula do Estado Social, segundo Esopo: “Sitibunda cornix reperit urnam aqua plenam, sed erat urna profundior quam ut exhauri a cornice possit. Conatur igitur vano molimine aquam effundere, sed non valet. Lectos igitur ex arena lapillulos iniectat. Hoc modo aqua levatur et cornix bibit. Necessitas est ingenii mater.”

A Constituição diz que “não pode haver penas nem medidas de segurança privativas ou restritivas da liberdade com carácter perpétuo ou de duração ilimitada ou indefinida” e que “nenhuma pena envolve como efeito necessário a perda de quaisquer direitos civis, profissionais ou políticos”. Na prática de certos micro-autoritarismos sub-estatatais, a teoria do ostracismo é outra. Deve ser para comemorarem o 13 de Abril de 1961.

Os portugueses podem, hoje, reclamar que estão no promontório dos séculos: são os mais europeístas da Europa inteira e toda a Europa e todos os Europeus vibraram intensamente com este feito. PS, PSD e CDS aprovaram tratados ditos europeus. Um que cria o MCE (Mecanismo Europeu de Estabilidade) e outro a ECGUEM (Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária). Que Mceecguem! Ou o indo nós, indo nós, a caminho de Bissau…

Releio Bulhão Pato, em testemunho sobre os últimos momento de Alexandre Herculano. Lá estão as últimas palavras do Mestre. Primeiro o
“– Isto dá vontade de a gente morrer.”
Momentos depois:
“– Os de casa, coitados, andam com a cabeça perdida. Dê uma vista de olhos àquilo lá por baixo, para que arranjem a ceia. Veja os melões. Este ano são magníficos.”
Mais adiante:
“– Abram a janela. Quero ver as árvores.”

Confesso que como melões todo o ano, vantagem da globalização, e nem preciso de abrir a janela para estar sempre a ver as árvores, estou sempre voltado para a árvores. Por isso é que podemos viver cada hora como se fosse a última. Desculpem o plágio dos estóicos de quem continuo a ser. Os greco-romanos.

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