Out 31

O CICLO DA BAGA PRETA DO REGIME

O CICLO DA BAGA PRETA DO REGIME

por José Adelino Maltez

 

 

Quando nosso primeiro andava aos papéis, em pleno Páti perdido, sem ser dos Bichos nem das Damas, apenas convém saber se é permitido o uso dos telemóveis em pleno Conselho. A não ser que o rascunho venha por GPS avariado, o do Teixeira que já nem pelas estrelas nos navega. Mas, pronto! A coisa foi nascendo, com os bisturis pressionantes lá das bruxas. Só no reino que foi de Leopoldo é que o orçamento “belga”. De casa de ferreiro vem sempre espeto de pau…

 

O critério meritocrático de todas as conversatas comentadeiras, mesmo entre pessoas comuns, mas que dizem beber do fino, reduziu-se ao seguinte: “eu bem o dizia, pá, lembras-te das minhas palavras de há uns dias, eu já sabia, eu já sabia”. Pronto, entrámos definitivamente no regime dos prognósticos depois do apito final. E povo demora mais a decidir que o MP a investigar.

 

‎”Se a Itália tem Berlusconi, porque é que nós não havemos de ter acordo!”. Argumento ouvido ao pequeno-almoço, de quem não sabe que acordo vem de “ad” mais “cors, cordis” (etimologicamente, o que está junto ao coração) e que impede o desalmado do negocismo politiqueiro…

 

Chove que se farta. E fui lendo, ouvindo e vendo os pormenores do bufeiro espectáculo. Tenho pena de todos os mais papistas do que os papas que andaram por aí na berraria. Tenho a certeza que quem tirou a fotografia, à 23 horas e 19 minutos, não foi o ministro do TGV, António, Lino ou Mendonça… Foi um campino de Alcochete, ex-defensor do aeroporto da Ota!

 

O ciclo baga preta do regime (“blackberry”) fica para a história como uma bela fotografia do álbum de um financeiro bonacheirão, ex-presidente de uma firma de adubos, de capital estrangeiro, que escapava ao controlo dos herdeiros de Alfredo da Silva. Alberto João está ufano. Não quis ficar em qualquer fotografia de fim de festa.

 

O bastardo de Merkl, que apenas serviu de barriguinha de aluguer, mas com paternidade ainda por confirmar, está rosado pelas sebastiânicas saudações com que os bonzos e instalados anunciaram o terno rebento, maravilha da nossa idade, e agradecido à eficácia da cesariana bruxelense, porque o forceps, com que os credores ameaçaram, está prometido para a próxima apendicite, provocada pela baga negra…

 

Na actual metafísica da madrasta Europa, porque não há vida para além do défice, só barrosais, sarcoisas, berlesconices, sapateiros, camarões e sousas, nos passos da senhora… E me dói saber que o reino lusitano já não é cabeça da coisa toda. Nem sequer já tem a dita, mesmo sem alta velocidade