Jan 25

Breves notas de contrição ao correr da tecla…

Reparei hoje que, na “net”, sou objecto de barrocas qualificações gostosamente críticas, onde alguns me apontam o defeito de “ficar em águas de bacalhau” e de outros, às vezes, os mesmos, me elogiarem como “um liberal à antiga”, embora parcos me qualifiquem de forma mais demonizante, onde não escapo ao tradicional “fascista”, bem como às liberdades literárias dos magnicidas que continuam a pelourinhar este “mindeleiro” como perigoso “miguelista”, para não falar dos que me acusam de ser mais antivida do que os comunistas. Agradeço o não-indiferentismo. Contudo, porque fiquei sem saber o significado da primeira expressão sobre o elemento hídrico dito do que já foi o fiel amigo, carreguei no ciberdúvidas “on line” e acabei por concluir que nem os sábios da língua se entendem, porque uns falam na água com que se demolha o bacalhau, a que não serve para nada, e outros nas águas da Terra Nova, onde os bacalhaus se pescavam e os bacalhoeiros se perdiam. Agradeço a metáfora que ela própria dá em aquíferas bacalhoas. Notei também que certos clericais militantes da velha e da nova direita declaram categoricamente que perderam todas as afinidades que julgavam ter comigo, por causa da posição que sempre assumi, agora e antes, sobre a IVG, enquanto outros, pouco dados a alegorias, me desdenham carinhosamente, como o sujeito das bocas sobre o “quinto império”. Isto é, eu, assumido pescador destas navegações que dão sempre em nada, lá descobri que era permanecente a minha vocação para o nevoeiro e os naufrágios. Mas, olhando para os breves adjectivos de paradoxal coerência, com que procuro definir-me, aqui na coluna da esquerda, e lá em cima, bem no centro excêntrico, no começo deste blogue, julgo não andar longe do caminho que vou caminhando, com o tradicional “humor merancórico” e a compensadora verrina das ferroadas e bicadas com que me indigno. Logo, tenho de prometer que continuarei a navegar, mui salgadamente, à procura do sítio donde vêm as manhãs de bruma, onde a santa liberdade continua a querer subverter as santas alianças, sempre para vir a descobrir se, nesse mais além, consigo mesmo olhar o sol de frente…