O regresso de um artista português em tempo de queda dos anjos

Toda a  classe política e toda a classe dos homens de negócios ou da futebolítica suspenderam as respectivas actividades, como se tivessem que assitir em directo ao final de um mundial de futebol em que participasse a selecção de Madaíl. Nem uma conversa em família de um qualquer presidente da república teria este “share” qualitativo onde um novo herói ou velho artista português documentou de forma tão expressiva uma sucessão de queda dos anjos.

 

Lá estou ouvindo Oliveira e Costa, como ouvi Miguel Cadilhe, como ouvi Dias Loureiro, nessas viagens à roda do meu quarto que não foram a descida de Cristo à terra, mas de publicidade de alguns escritórios de advogados especializados em líbios, entre o negocismo dos negócios e as politiquices da política, onde ex-ministros fingem que são banqueiros e bancários assumem o governo. O triângulo simbólico desta imagem a preto e branco é um excelente revelador das presentes circunstâncias, onde o bem tem pedações de mal, tal como o mal, amplas manchas de bem. Mas quem ousar atirar pedradas   às vidraças do vizinho do bloco central, pode chegar a casa e achar as suas quebradas.

 

Os pés de barro do cavaquistão tornaram-se patentes, mas sem nunca termos visto em directo a terra do leitinho com mel do soarismo, porque não funcionavam da mesma maneira as comissões paralamentares de inquérito aos passaportes, aeroportos e malas com dinheiro de Macau, porque as memórias de rui mateus são infames e de má vingança, embora também por lá o mal tenha tido pedações de bem e o bem se misturasse com financiamento de campanhas eleitorais e belos investimentos em empregomania.

 

 

Reduzir os contonos do BPN a mero assimétrico do Freeport e nivelar os irmãos-inimigos do bloco central de interesses com muitas viagens à terra dos alibábás é não repararmos que a economia real tem muitos contornos de capitalistas à antiga, com pouca ética protestante e muitos bolsos cheios de dinheiro fresco, onde circulam outros tantos políticos e jornalistas desempregados à espera de uma avença. E feitores de ricos, feitos capatazes, ou sonhadores activos de projectos típicos de um Portugal dos Pequeninos com a mania das grandezas, tudo dava um excelente romance de costumes, onde, na primeira parte, poderíamos colocar a ascensão e queda da Universidade Moderna.

 

Os capítulos seguintes poderiam passar pela autobiografia de muitas campanhas eleitorais ou pelo sistema de avença de ex-ministros, reconhecendo que já antigamente eram as faculdades de direito que institucionalmente faziam as leis e que, agora, os ministros têm que recorrer a catedráticos em “outsourcing”, depois de eles terem sido ministros dos governos que os nomearam, para que o intelectual passe a intelectuário, especialmente se ele for francamente dotado no pagamento de dívidas de campanhas presidenciais. Mas sem deixarmos de incluir sobreiros abatidos e submarinos em águas profundas, muitos sobreiros, algumas companhias de águas, cervejas e refrigerantes colando cartazes de camapanha eleitoral ou magníficas instalações de pias instituições que nasceram de contrapartidas pela deslocação de campos de futebol legados para a regeneração da juventude pelo desporto e a beatice.

 

Vale-nos que Jaime Gama, mostrando superioridade, preferiu ir ao mais a sul da república contemplando a reserva ornitológica  que  tornámos sentinela de resistência contra as pretensões do Estado Espanhol quanto a parcelas do nosso mar territorial. Consta que levou textos do mais original dos grupos políticos da presente campanha europeia, os piratas suecos que já contam com oito por cento das sondagens. Infelizmente, não me deixam votar neles…

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