A regra de ouro

Paris e Berlim prometem que finalmente vão cumprir o Tratado do Eliseu, de 22 de Janeiro de 1963. Fiquei descansado. A curto prazo, já sabemos: estamos troikados. E não podemos votar para Merkel e Sarkozy.

 

O Junot também tentou aplicar a coisa. Até lhe chamaram a “bela ordem”, quando ele parou em Sacavém. Por isso é que fizemos bem quando mudámos a capital para o Rio de Janeiro, exportando o Estado, com um comboio britânico a proteger a operação.

 

Ficámos à espera dos amigos de Peniche… E não foi por acaso que começámos pela EFTA, quando ainda se pôs a hipótese da CEE. Acho que também foi no Porto que se somaram as duas coisas…Para nós é bem melhor que o Tratado do Eliseu.

 

Acabei de assistir em directo à conferência de imprensa de Merkel e Sarkozy. Dois dos 27 que amanhã serão 30. A nova palavra chave é “goldene Regel/règle d’or”. Em português é lei-travão. É um belo princípio que já vem das reformas orçamentais lusitanas de 1881, 1907 e 1913.

Consagrado no nº 2 do artigo 167º da Constituição de 1976. Na prática, a teoria sempre foi outra. Mas o ouro brilha.

 

Lopo Vaz de Sampaio e Melo, João Franco, Afonso Costa e Oliveira Salazar usaram os meios para tal regra. Isto é, todo o nosso Estado e todas as nossas ideologias sempre disseram o mesmo, com boas intenções. O inferno continua a ser o endividamento, porque a realidade é simples: um país pobre com regras para ricos e sem possibilidade de usarmos o Zé do Telhado, sobretudo como viveu nos últimos honrados anos de sua vida: em Angola.

 

Somos paupérrimos naquilo que Ezequiel de Campos qualificou como “organização do trabalho nacional”. Isto é, somos sempre aldrabados na “batalha da educação”.

 

Portugal desleixado é aquele país da Dona Maria da Cunha e do Senhor Estado, onde as excepções se transformam em regra, para que venha nova união de facto, com muita facada, onde novas regras revogam as excepções, para que novas excepções se transformem em regra, neste modelo matrimonial de rotativismo devorista que se alimenta de palmas.

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