Às vezes, vale mais descobrir o silêncio do que vir a saber que não há paraíso

Às vezes, vale mais descobrir o silêncio do que vir a saber que não há paraíso, como ouvi um dia, já não sei a quem, mas que posso aplicar tanto a assuntos pessoais, como ao próprio colectivo onde me insiro.  Aliás, por estes tempos, pouco tenho a dizer, porque não me cabe fazer esgrima de palavras com fantasmas e preconceitos. Não tenho a espada permitida pelo báculo do Leviathan intelectual e pelas pretensas pias de água benta, pelo que não me é permitido dissertar sobre conservadores liberais, porque, não tendo sido um fidelíssimo marxista-leninista-estalinista-maoísta, nos começos da matura idade, não sei, agora, o que é sempre ter sido tradicionalista e anti-reaccionário, com muito azul-e-branco no coração e na razão.  Logo, sugiro aos nossos direitinhas, direitões e direitistas que se dirijam a um desses bruxedos de endireitas escorreitos, vindos da esquerda, para que eles os tragam de volta ao passado sem futuro. Eu vou continuar a reverenciar o exemplo de vida de Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, a pensar como o João Telo de Magalhães Colaço e a pedir a renovação da minha licença de exílio interno, gerindo a solidão de pertencer à minoria constituída apenas por quem quer estar de acordo com o complexo de regras da ciência dos actos do homem enquanto indivíduo. Às vezes a comunidade tem que assentar na resistência individual, até que passe o vento da ingratidão que nos fustiga o rosto.

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