Esta ilusão da reforma pela reforma, produzida por uma serôdia ideia de tecnocracia e pela teimosia leviatânica do Estado em movimento

De Bruxelas, confirma-se que, no parlamento europeu, a desvergonha conseguiu institucionalizar-se, nas curvas e contracurvas das assessorias aos senhores super-deputados. Por cá, a pátria lá tem que aturar a nova lei da disfunção pública e que assistir aos devaneios do ministério da avaliação, com a consequente literatura de justificação dos discursos do primeiro-ministro que, sim, senhor, diz que é preciso reformar e que é preciso avaliar, mesmo sem dizer quem é, donde vem e para onde vai, ou o deixam ir… O ministro não tem que ser um pensador. E aqui e agora, sem filósofos ditadores, basta-lhe assumir o estilo da presente Viradeira,  com o vigor e a compaixão de um qualquer intendente, para que o chefe finja que é Sebastião José, às segundas, Rodrigo da Fonseca, às terças, António Maria, às quartas, Afonso Augusto, às quintas, e Aníbal Cavaco, às sextas, descansando ao sábado, logo que chega a hora do “jogging” à Sarkozy, e ao domingo, quando vai aos filmes dos óscares, à Obama. Daí que eu assuma, por dentro, a revolta dos professores. Não contra a eventual má imagem da senhora ministra da avaliação, mas contra o erro de que ela é mera agente. Essa ilusão da reforma pela reforma, produzida por uma serôdia ideia de tecnocracia e pela teimosia leviatânica do Estado em movimento, onde o argumentário manda que os governantes pareçam determinados na determinação, só porque procuram o confronto com uma qualquer ordem profissional, contra a qual se insinuam eventuais privilégios corporativistas, interesses imobilistas e outras tretas. Foi assim com um ministro já remodelado, até que o povo saiu à rua, não para se aliar ao vértice do estadão, mas para dizer que estava farto de providências cautelares.

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