Ago 03

O pior problema português é o da justiça

O pior problema português é o da justiça. Não apenas o da administração da justiça, que esse até um processualista e um ministro resolvem, de ciência certa e poder democrático, mas sobretudo de justiça como estrela do norte da política, como diria Aristóteles, essa ciência de tratar desigualmente o desigual, como sempre se definiu a igualdade dinâmica…

Porque justiça é, desde os greco-romanos, atribuir a cada um o que lhe pertence (suum cuique tribuere), não prejudicar o outro (alterum non laedere) e viver honestamente (honeste vivere). Estou convencido que esses preceitos, ou pré-captos, enquanto fundamentos, não é captado pelo pensamento único…

Para os donos do poder, igualdade é estabelecer uma grelha de generalidade e abstracção que ao não valorizar a diferença da individualidade criativa nunca é capaz de atingir o universal. Porque até um sargento verbeteiro se ousa por na gaveta da ficha um Prémio Nobel…

Pior do que isso: a educação ainda não se libertou da instrução! Ainda não assumiu que era preciso libertar o indivíduo que há em cada aluno, através do exemplo e do estímulo de quem pode “docere” e, portanto, é “doutor”, ajudando a crescer por dentro…

As vacas sagradas do colectivismo de seitas, entre comunistas e ex-comunistas, entre catolaicos e despadrados, continua com maus catecismos de imagem, sondagem e sacanagem e nem sequer atingiu que importa cultivar a rebeldia e a insolência do que deveria ser um português à solta…

Foi pena que António Sérgio não tivesse conseguido aplicar os métodos de Dewey no primeiro quartel do século XX. Foi pena que nessa altura não reparássemos que um tal de Fernando Pessoa teve a sorte de ser educado no modelo britânico de Durban, ficando muito adiantado no tempo, face ao positivismo serôdio que irmanou o positivismo naturalista de Afonso Costa e Oliveira Salazar…

Os pedagogos salazarentos nem sequer leram “A Igreja e o Pensamento Contemporâneo” de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, consideravam Leonardo Coimbra um tresloucado e António Sérgio um efectivo alienado. Foi talvez por isso que, mesmo depois de Abril, Agostinho da Silva passou nas televisões como um excêntrico a quem devíamos apenas passar a mão pela metáfora…

Educativamente falando, somos todos bastardos da síntese do educacionês vérmico que o colectivo de educacionólogos ditos de Veiga Simão lançou no concentracionismo da Cinco de Outubro, semeando o capitaleirismo pelo país. Por isso, estamos agora entalados entre o Professor Pardal do positivismo do século XIX e o Professor Manitu da falsa metafísica do pós-guerra, tudo com traduções em calão!

O caldo de cultura positivista que nos enreda, de tanto ser anticatólico, acabou por volver-se também em antimaçónico, isto é, continua a secar o essencial da nossa raiz do humanismo cristão e do humanismo laico, perdendo tempo em proibir a metafísica, Deus e os deuses, em nome da falsidade das revoluções, das utopias e do sucedâneo dos esquemas construtivistas dos pós-revolucionários frustrados…

Que bom! O PS põe o Vitalino e o Ricardo a pedir uma revisão constitucional sobre o ministério público. Se o outro quer ser a rainha de Inglaterra que reduza o MP àquilo que ele é no Reino Unido: nada! Era uma boa forma de os socialistas defenderem a tradição das respectivas doutrinas: serem racha-sindicalistas! Nomeiem Vara para ministro da justiça!

Os magistrados do MP são maus, o PGR é bom. O PGR é bom, os magistrados do MP são maus. Arquivaram e inovaram, ao enunciarem zonas do incógnito. Valia mais reconhecer que esta justiça é impotente. Mesmo que Sócrates e Silva Pereira estejam minimamente inocentes, com tanto fumo, muitos dirão que houve fogo, ou vice-versa. E entre o arquivamento e a condenação, venha o diabo e escolha.

 

Ago 03

Devaneios filosofantes de Verão à cinta, por causa da ministra alçada e da necessidade do regresso ao divino

Esta desordem bem organizada do estado a que chegámos precisa mesmo de um indisciplinador que não nos atire para uma qualquer anarquia ordenada. Quando os que deviam servir se servem, há que que começar pelo fim, isto é, pelos próprios princípios…

A melhor forma de praticarmos a clareza e a distinção da racionalidade complexa, por entre estas teias de aranha, que crescem pelos dejectos das vacas sagradas, agitados pelos coices dos respectivos vitelos, está, precisamente, na arte da alegoria, expressando ideias abstractas através de metáforas encadeadas…
O pior problema português é o da justiça. Não apenas o da administração da justiça, que esse até um processualista e um ministro resolvem, de ciência certa e poder democrático, mas sobretudo de justiça como estrela do norte da política, como diria Aristóteles, essa ciência de tratar desigualmente o desigual, como sempre se definiu a igualdade dinâmica…
Porque justiça é, desde os greco-romanos, atribuir a cada um o que lhe pertence (suum cuique tribuere), não prejudicar o outro (alterum non laedere) e viver honestamente (honeste vivere). Estou convencido que esses preceitos, ou pré-captos, enquanto fundamentos, não são captados, isto é, compreendidos, pelo pensamento único…
Para os donos do poder, igualdade é estabelecer uma grelha de generalidade e abstracção que, ao não valorizar a diferença da individualidade criativa, nunca é capaz de atingir o universal. Porque até um sargento verbeteiro feito qualquer coisa, nomeadamente ministro decretino, ousa pôr na gaveta da ficha, um Prémio Nobel…
Pior do que isso: a educação ainda não se libertou da instrução! Ainda não assumiu que era preciso libertar o indivíduo que há em cada aluno, através do exemplo e do estímulo de quem pode “docere” e, portanto, ser “doutor”, ajudando a crescer por dentro…
As vacas sagradas do colectivismo de seitas, entre comunistas e ex-comunistas, entre catolaicos e despadrados, continua com maus catecismos de imagem, sondagem e sacanagem e nem sequer atingiu que importa cultivar a rebeldia e a insolência do que deveria ser um português à solta…
Foi pena que António Sérgio não tivesse conseguido aplicar os métodos de Dewey no primeiro quartel do século XX. Foi pena que, nessa altura, não reparássemos que um tal de Fernando Pessoa teve a sorte de ser educado no modelo britânico de Durban, ficando muito adiantado no tempo, face ao positivismo serôdio que irmanou o positivismo naturalista de Afonso Costa e Oliveira Salazar…
Os pedagogos salazarentos nem sequer leram “A Igreja e o Pensamento Contemporâneo” de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, consideraram Leonardo Coimbra um tresloucado e António Sérgio, um efectivo alienado. Foi talvez por isso que, mesmo depois de Abril, Agostinho da Silva passou nas televisões como um excêntrico a quem devíamos apenas passar a mão pela metáfora…
Educativamente falando, somos todos bastardos da síntese do educacionês vérmico que o colectivo de educacionólogos ditos de Veiga Simão lançou no concentracionismo da Cinco de Outubro, semeando o capitaleirismo pelo país. Por isso, estamos agora entalados entre o Professor Pardal do positivismo do século XIX e o Professor Manitu da falsa metafísica do pós-guerra, tudo com traduções em calão!
O caldo de cultura positivista que nos enreda, de tanto ser anticatólico, acabou por volver-se também em antimaçónico, isto é, continua a secar o essencial da nossa raiz do humanismo cristão e do humanismo laico, perdendo tempo em proibir a metafísica, Deus e os deuses, em nome da falsidade das revoluções, das utopias e do sucedâneo dos esquemas construtivistas dos pós-revolucionários frustrados…
O principal aliado do positivismo é sempre o egoísmo dos que perdem a humildade do mistério e dizem que atingiram o promontório dos séculos na ideologia, na ciência ou no bem-estar…
Nem teologia, nem metafísica, apenas ciência…e ainda por cima da falsa ciência exportada para o terceiromundismo dos que pedem para ser colonizados por um sol na terra…Basta ver quem os américas ou os chinocas escolhem para as respectivas fundações neocoloniais de controlo de um povo através dos subsídios. Nunca deixariam que essas mentalidades reformassem a educação em Washington ou o socialismo de características chinesas em Pequim!
Ago 01

Esta desordem bem organizada do estado a que chegámos

Agosto. Não há mesmo notícias. Nossa eminência está de férias com o papo cheio de PT/OI da Silva, de revisão constitucional de Passos Coelho e de encerramento do processo Freeport. Voltou a ter esperança. Cavaco até pode ser reeleito à primeira volta e o líder da oposição ainda tem muito pão para o diabo amassar. Resta saber se, no Outono, apenas haverá cantos de cisnes orçamentais…

Passos, para certos analistas, seria o melhor do mundo, caso não fizesse nada, se fosse coelho à procura de cenoura, mesmo que lha dessem agarrada à rede da capoeira. Quando ele passou a andar à solta foi sarrafada verbal pela indisciplina que ele lançou no quintal e logo lhe fecharam as portas do elogio. Prefiro que ele continue à solta e que vá roendo as cercas que nos limitam, mesmo que sangre, de vez em quando…

Esta desordem bem organizada do estado a que chegámos precisa mesmo de um indisciplinador que não nos atire para qualquer anarquia ordenada. Quando os que deviam servir se servem, há que que começar pelo fim, isto é, pelos próprios princípios…