Pensar é resistir

Pensar é resistir, é ter a coragem de ser minoria, assumindo a atitude daquele que, para estar de acordo consigo mesmo, tem, por vezes, que estar em desacordo com todos os outros, não para épater le bourgeois, mas para servir a comunidade, mesmo que a comunidade o não reconheça no seu próprio tempo de vida. Sabe bem podermos subir ao nível das discussões filosóficas assentes na mera observação quotidiana, sem qualquer pretensiosismo de academia ou de salão, nesse falar assente na reflectida experiência do bom senso. Talvez o fundamento da moral seja a coerência. Talvez o fundamento da sociabilidade seja a igualdade. E a melhor plataforma de identidade também talvez assente em gestos de ternura. Quando a corrente que bilateralmente nos enlaça procura apetecer que tudo seja para sempre. Entre o que vou sentindo e o intelectualismo disfarçado em emoção, que se expressa na obsidiante viagem pessoana, acaba por existir um profundo contraste. Estou bem longe da sensibilidade de Orpheu ou do automatismo da Ode Marítima. Sinto-me do partido da Presença e da Távola Redonda, desse lirismo lusitano, onde o humor merancórico vira saudade e pode ser temperado pela força da esperança e pela vivência do amor, por essa maré viva que nos deixa longa a praia mar e por onde podemos peregrinar em longos passeios, todos os dias.

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