Das sociedades informais que para aqui exportaram testas de ferro

Quando o sindicato das citações mútuas, de cima para baixo e em ritmo decretino, transforma o pretenso conceito no concreto coice do preceito, apetece dizer que muitas vacas sagradas já exalam fedor… Afinal, a dívida é “uma coisinha de nada”. É mesmo coisa do comunismo burocrático, entre a social-democracia, o socialismo democrático e a democracia cristã. Vem desse objecto voador não identificado, desse satélite desgovernado que nos aterrou na pátria, depois da adesão à CEE. Lá para os primeiros anos da democracia pós-revolucionária, quando começámos as pré-negociações com a CEE, os chamados exercícios de direito de derivado, era eu jovem perito cá do reino e tratávamos dos diplomas comunitários sobre arranque das vinhas. Bem me lembro do técnico comunitário, no intervalo, sugerir a alguns portugueses da especialidade que era boa altura para uma empresa multinacional que se lançasse no lançamento de novas vinhas, precisamente daquelas que, quando o direito comunitário entrasse em vigor, fossem, de certeza, arrancadas e indemnizadas…. Logo, importa a criação de um grupo de trabalho entre a República Portuguesa e a União Europeia, determinando as duplas reservas mentais que geraram sucessivas terras de ninguém que suscitaram a criação de zonas de clandestinidade nacionais e supranacionais que nos continuam a explorar, comprando o poder. É tecnicamente possível desvendar o segredo desses grupos de pressão e de interesse que actuam para além do teatro da política como sociedades secretas não religiosas e não iniciáticas.   Só assim haveria bases de patriotismo científico para a limpeza dos tumores internos que nos continuam a sugar através da compra de poder. Para que se devolvam à República Portuguesa os fundos que foram expropriados por essas sociedades informais que para aqui exportaram testas de ferro, mas que beneficiaram os tradicionais navegantes nessas zonas cinzentas da chamada globalização…

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