Mai 21

Agradeço as farpas neo-direitistas e anarco-direitistas

Agradeço as farpas neo-direitistas e anarco-direitistas

 

Agradeço aos estimados blogueiros as saudações com que acolheram este intruso. Saúdo especialmente as farpas dialécticas recebidas e as inevitáveis provocações, especialmente as recebidas da banda anarco-direitista e neo-direitista.

 

Para os devidos efeitos, queria declarar que nunca fui pseudo-comunista, comunista, éme-érre-pum-pum, féque-éme-éle, éme-éle tão só, militante, aderente ou filiado no partido popular e adjacências.

 

 

 

Contra todos os cabrais da nossa praça

 

Sempre estive no mesmo sítio valorativo desde o Maio 68 e da Coimbra 69. Isto é, na velha direita pré-salazarista, pré-prequiana, pré-cavaquista, pré-portista e pré-barrosista.

 

Logo sempre fui contra o 23 de Abril, o 24 de Abril, o 26 de Abril, o cavaquistão, a cultura do “independente” e esta coisa molusca que é o actual situacionismo.

 

Confesso que detesto o actual niilismo direitista da pseudo-não-esquerda e, para gozar com os ditos, prefiro o manifesto do padre Casimiro José Vieira, o chefe miguelista da patuleia.

 

 

 

Viva o padre Casimiro

 

Foi este que, numa carta escrita a D. Maria II, de 6 de Julho de 1846, depois de a ter lido ao “povo para saber se o que nela se dizia era a vontade de todos”, considerou o novo governo como “uma farsa e combinação das seitas para tudo ficar como até ali, com a mudança apenas de pessoas”.

 

 

 

Não à roubalheira

 

Aí fala d’ “opressões injustas que têm feito ao povo, tratando-o até agora como se fossem negros e escravos” e pede à Rainha que “nomeie para toda a parte homens da maior integridade e desinteresse … homens escolhidos à vontade do povo; que se baixem os impostos; nomeadamente a abolição das portagens”; que “as magistraturas locais possam ser exercidas gratuitamente”; que “aos deputados se lhes façam os gastos da comida e transportes à custa do povo, mas que não embolsem dinheiro nenhum, para que depois não haja nas eleições tanto suborno, e o povo atine com a boa escolha”.

 

 

 

Exército popular

 

Considera até a hipótese de um exército popular: “quer também o povo … que nas guardas nacionais entre todo o homem voluntariamente … e que os oficiais sejam escolhidos por votação de todos os militares da guarda nacional”.

 

 

 

Sufrágio universal

 

Defende o sufrágio universal: “as eleições para toda a espécie de justiça e autoridade sejam de todo populares sem excepção de pessoa, a não ser as que não lêem, nem escrevem, para evitar enganos e despertar a instrução, porque só assim se pode exprimir a vontade geral dos povos, que é a verdadeira lei”.

 

 

 

Casar a inteligência com a honra

 

Julgo que a direita tem que voltar mesmo a ser tão lunática quanto os republicanos do Pátio do Salema, de 1864, porque isto precisa de uma janeirinha à maneira da que liquidou a “fusão” no primeiro dia do ano de 1868.

 

 

 

A direita não é o mesmo que a não-esquerda

 

A direita só deixará de ser a não-esquerda quando a puderem pensar um bocadinho os que têm o defeito genético de não terem vindo da esquerda. Só assim ela poderá atingir o necessário casamento da honra com a inteligência.