Mai 20

Ferroadas

Rato, rito, retro, riba

 

Chegam novas sobre a visita do senhor embaixador Ritto ao TIC, onde, certamente, não terá ido fazer um TAC. E logo o TOQUE TOQUE de nossos TANTANS comunicativos vai fazendo longas análises sobre a vida e obra deste diplomata. Que se presume inocente até ao trânsito em julgado da eventual sentença, depois da eventual acusação e depois do eventual julgamento, onde as necessárias garantias não conseguem evitar o inevitável julgamento feito por essa volúvel dama chamada opinião pública.

 

 

 

O país continua cercado por incógnitas

 

O país continua cercado por incógnitas, onde todos temos que opinar olhando apenas a parte visível do “iceberg”. Da rede pedófila ao julgamento da Moderna, de Felgueiras a Isaltino, o entrelaçado mais comunicado talvez oculte coisas mais profundamente criminosas, mas que as lentes disponíveis dos olhos e ouvidos do Estado não conseguem captar. Por causa da elefantíase legislativa. Por causa da adiposidade burocrática, onde há banhas em vez de músculos e descalcificadas ossaturas, num Portugal obesamente invertebrado.

 

 

 

Pelo primado do Estado-Comunidade

 

Se se reduzissem as leis ao essencial, se se comprimisse o aparelho burocrático ao mínimo, talvez pudessem cumprir-se todas as leis. Talvez o Estado voltasse ao serviço das pessoas. Temos que continuar contra o intervencionismo absurdo do Estado-aparelho de poder, para reclamarmos o primado do Estado-Comunidade. Só assim as pessoas livres podem dar vida às instituições que civilizem, cidadanizem e polidizem a sociedade.

 

 

 

Se o comunismo burocrático continuar a asfixiar-nos e os políticos não souberem reformar, a corrupção e o indiferentismo continuarão a alastrar.

Mai 20

Como perdura o Leviatã

O mal absoluto, em termos políticos, está na circunstância do Estado se assumir como o detentor do bem e da verdade. Quando ele assume essa perspectiva logo se convence que tem obrigação de missionar o bem e de perseguir o mal. Logo, quando trata de extirpar o mal, tem de proibir todas as vozes consideradas como de perdição.

 

 

 

O opinion maker dominante é inteligente, esperto, enciclopédico. Ao contrário dos especialistas em assuntos gerais, assume-se como um especialista em todas as especialidades. Dos taxistas à engenharia genética, das violações à política orçamental. Filósofo de nascença, nem por isso deixa de ser um estalinista de crença. O pior é que continua inteligente, pleno de recursos retóricos e sabendo cultivar o bom senso. Militante dos assuntos intermediários, denota, contudo, falta de crença quanto aos valores fundamentais. Falta-lhe, sobretudo, a agilidade sincera do discurso poético.

 

 

 

Só durante o espectáculo eleiçoeiro é que procura fingir-se que o governado tem um qualquer infinitesimal de governante. Mas o Leviatã perdura. O pacto de sujeição continua a preponderar sobre o pacto de associação. O principado é sempre mais forte que a “respublica”. O aparelho de poder penetra heterónimo no civismo da participação comunitária.

 

 

 

 

 

Para ser livre tenho de aprofundar o meu “indivisus”, mas assim vai doendo a solidão. Logo, porco-espinho me vou eriçando e solidariedade esquecendo. Resta a utopia do que sonho ter sido, feito amanhã que não mais vou ter.