Afinal a polícia também reprime a ilegalidade da extrema-esquerda…

Uma semana depois de Sócrates começar a respirar de alívio, os engenheiros sociais que comandam o “agenda setting” conseguiram driblar os incautos e ficaram a saber que há mais de setenta milhões de blogues indexados, que se criam diariamente mais de 120 000, que se publicam 1 500 000 entradas por dia e que 37% da blogosfera é em japonês, contra 36% em inglês e 3% em castelhano. Do português, não obtive informações. Temos menos votos na blogosfera do que a soma dos sufrágios da extrema esquerda e da extrema direita, expressos nas últimas eleições.

Voltando à nossa agenda mediática, reparo que Paulo Portas está também cada vez menos notório, face ao crescimento dos autarcas arguidos, tal como o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, que foi notificado para ser ouvido, na próxima semana, pelo Ministério Público na qualidade de arguido.

Inesperadamente, reparámos, pelo DN, que um dia antes dos confrontos do 25 de Abril entre a polícia e anarco-libertários no Chiado, em Lisboa, já as autoridades sabiam que os manifestantes pretendiam atacar a sede do Partido Nacional Renovador (PNR) e destruir o cartaz contra a imigração colocado no Marquês de Pombal. Por outras palavras, estes da extrema-esquerda parecem ser directamente proporcionais aos da extrema-direita, para os quais o PGR disse estar atento, e muito bem.

É naturalmente saudável que se detectem estes praticantes do velho desporto do assalto às sedes dos outros e cultivar a memória do 25 de Abril é não repetirmos erros do passado recente e remoto, até porque tanto a esquerda de sempre como a direita de sempre foram vítimas da falta de adequada polícia e de adequado ministério público, quando confundíamos casos de polícia com liberdade de expressão. Já estamos mais crescidos e desde a primeira revisão constitucional que consagrámos a ideia e a prática de Estado de Direito. O ataque a Igrejas, a templos da maçonaria ou a sedes de formigas brancas por formigas pretas, ou vice-versa, inevitáveis degenerescências da sociedade aberta, são espectáculo pouco dignificante e nada de acordo com uma democracia pluralista e competitiva.

Só os autoritarismos gostam da paz dos cemitérios, tal como os totalitarismos preferem os comícios da Cuba de Fidel, ou da actual Coreia do Norte. Os primeiros dizem que quem não está expressamente contra o Chefe é a favor do Chefe. Os segundos dizem que quem não se manifesta expressamente a favor do Chefe é contra o Chefe. Julgo que é saudável a atitude do município de Santa Comba Dão, autorizando a procissão dos saudosos de Salazar, se, a seguir, também autorizar os anti-salazaristas a fazerem a sua. Qualquer proibicionismo abstracto favorece o crescimento clandestino da loucura. Apenas exijo que a polícia e o ministério público cumpram o seu dever. A vida continua e a paz exige institucionalização dos conflitos.

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