Mas hoje pouco me estimulam as voltinhas campanheiras, não porque tenha saído a primeira sondagem a dar a vitória ao PSD e muito menos por causa da pouco dialogante disponibilidade do professor Vital face a uma entrevista ao segundo canal da televisão pública, onde quase ameaçou abandonar o directo vindo de Paredes de Coura, só porque a jornalista Patrícia em suave insistência o interrompia, como ele costuma fazer diante de outros debatentes. Além disso, não me apetece voltar a tentar descobrir quem eu colocaria como líder dos emplastros de campanha, dado que uma ex-ministra do PSD tem sido pujante nas aparições de segunda fila, como as imagens aqui dispersas recordam e os arquivos confirmam. Infelizmente, não posso ainda dar detalhado testemunho dos pequenos sinais de micro-autoritarismo subestatal que ontem me chegaram, embora sejam surpreendentes os sinais de “out of control”, onde se misturam oficiais das forças armadas ao serviços de ministerialidades clandestinas, em inequívocas operações de pressão sobre carreiras de simples funcionários, para que eles não abram a boca, com mais graves jogadas ao contrário, isto é, com bandos de burocratas em autogestão, tentando ocupar o vazio de política, através de manobras de bastidores, totalmente desrespeitadoras do princípio do controlo político, em nome do poder dos funcionários e da tecnocracia dos pequeninos. Por outras palavras, o descontrolo que marca o ritmo dos operadores judiciários também atingiu outras zonas cimeiras da administração directa e indirecta do Estado. Os habituais catadores de mensagens que emito neste blogue, especialmente a bufaria que é paga pela persiganga, de que algumas vezes tenho sido vítima, que descansem o “tonner”! Não estou a falar de casos em que esteja envolvido, de forma próxima ou remota, pelo que não precisam de levar a habitual fotocópia ao chefe, ou a um dos seus aliados ou ex-aliados do campo fascista cobarde ou estalinista persistente. Disso, falarei a seu tempo, quando me apetecer inventariar as manobras do mandarinato, onde algumas coincidências das imagens deste blogue não são apenas fortuitas, até para poder utilizar uma expressão de Vital Moreira, que tanto tenho atacado, mas que continuo a respeitar, porque, mesmo com erros, tem a honra de levar o combate a todas as trincheiras, pensando pela sua própria cabeça. O sistema degradou-se mais por causa dos feitores e capatazes desta conspiração de avós e netos e é, nestes momentos de crepúsculo, que os habituais pescadores dos tempos de vésperas costumam lançar torpedos salazarentos e emitir as vérmicas golpadas de salão e corredores. O processo de desinstitucionalização em curso, com cenas de tragicomédia, apenas anuncia que todas as vidraças do sistema já estão estilhaçadas, depois da “Intifada” da presente campanha. Pedimos desculpa por estas interrupções.
Monthly Archives: Junho 2009
Comendas e caricas de abertura fácil, para uso no festival super-rock das europeias
Com a campanha para as europeias a entrar na segunda metade das suas voltinhas a um Portugal que os candidatos e campanheiros fingem ainda querer conquistar, o pelotão continua quase compacto e o antigo camisola amarela,o PS, anuncia que existirá uma vitória se conseguir mais deputados eleitos do que o principal adversário. Daí que se compreenda o belo pé de dança que ontem envolveu Correia de Campos, Ana Gomes e Hasse Ferreira, confirmando-se novo desaparecimento de Elisa Ferreira. A tecla da roubalheira do BPN, mas sem referências aos falhanços do Banco de Portugal e com total silêncio sobre o esquecido BCP, na véspera de Dias Loureiro ir prestar declarações à PGR, transformou-se numa bandeira de Vital Moreira que ainda não nos explicou a razão que levou o ex-conselheiro de Estado a ser um dos principais apresentadores do livro de propaganda de José Sócrates, dito o “menino de ouro do PS”.
Já Paulo Rangel tentou ontem encenar uma pacificação com Luís Filipe Menezes e Pedro Passos Coelho, a qual aliás saiu pífia, enquanto Paulo Portas não conseguiu mobilizar a presença de Narana Coissoró e de Adriano Moreira, dado que Freitas do Amaral está, muito avençadamente, a recolher legislação para a revisão do regime jurídico das fundações e Manuel Monteiro anda em cruzada no Minho contra Mesquita Machado. Só o PCP e o BE parecem alentados com aquilo que Mário Soares escreve no DN: a União Europeia, dividida, sem lideranças que se imponham e sem rumo certo, está a ficar à margem, o que se repercute, negativamente, em todos os países europeus.
Mais certeiro parece ter sido Baptista-Bastos: Nada do que dizem Ilda Figueiredo, Miguel Portas, Paulo Rangel, Vital Moreira ou Nuno Melo suscita a mais escassa emoção ou o mais módico entusiasmo. O pessoal a quem se dirigem não os conhece, ou mediocremente dá por eles. A nitidez crescente desta ignorância popular faz dos “políticos” algo de criminosos, porque a eles cumpre não só esclarecer como evitar o declínio acentuado da democracia e a degenerescência de um regime que têm de ocupar o espaço mais amplo de definição.
O desfile de nulidades e de apparatchiks de que as televisões são palco constitui a afirmação de um tribalismo generalizado, que não comporta a esperança mas a resignação. Esta democracia é uma desgraça porque espicaça o desprezo, alimenta o ressentimento, incrementa o rancor e não conseguiu, em 35 anos, extirpar os odiosos fantasmas do racismo e da xenofobia.
Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão. A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes. Esta democracia é uma miséria. Mas é minha. Também eu a construí. Lá estarei a votar.
Também António Barreto foi à SIC-Notícias bisturizar a decadência, confirmando como os povos da Europa não são parvos quando se desinteressam por um parlamento europeu, entidade que não é quem efectivamente manda e explicando o nível de mercado do Bolhão que atingimos, tanto quanto ao degradante espectáculo dos chamados operadores da justiça, como com os principais responsáveis pela escola pública. E a cena parlamentar de ontem com batuque de carteiras, entre Maria de Lurdes Rodrigues e Ana Drago, apenas confirmou a esquizofrenia.
Como ainda há dias confirmava o Jorge Braga de Macedo, no contexto desta balança da Europa, a democracia do parlamento está definitivamente superada pela tecnocracia da comissão, enquanto nos interstícios regressámos claramente ao directório das potências, neste projecto europeu de muitas velocidades e outras tantas hipocrisias. Logo, não é um abstracto mais Europa que nos pode salvar deste ameaçador “out of control”, onde se vai tornar maioria absoluta portuguesa um tripé de esquerda propagandística, marcada pelo complexo arrogante da co-incineração, a de Sócrates, onde os outros dois pés de galo serão os cunhalistas não reciclados do “nacionalizado, nosso” e os ideólogos do “radical chic”. Por outras palavras, o país mais à esquerda da Europa soferá as agruras de desertificar os restos de meritocracia que o poderiam regenerar e entrará na loucura de um distributivismo que o fará entrar no contraciclo.
Daí que discorde radicalmente das propostas apresnetadas pelo senhor seleccionador nacional das comendas e mais condecorações. Logo, emito esta lista alternativa para as seguintes:
Antigas Ordens Militares:
Ordem das Cagarras
Jaime Matos Gama (Grã-Cruz )
Ordem do Dragão
Professor Jesualdo Ferreira (Grã-Cruz )
Senhor Pinto da Costa (Grã-Cruz )
Reinaldo Teles (Grã-Cruz)
Ordem de Sant’Iago Mata Mouros
Fátima Felgueiras (Grande Oficial )
Valentim Loureiro (Grande Oficial )
Isaltino de Morais (Grande Oficial)
Ordens Nacionais:
Ordem do Rei das Berlengas
Diogo Freitas do Amaral ( Grã-Cruz )
Roberto da Luz Carneiro ( Grã-Cruz )
Charles Smith ( Grande Oficial )
António Morais ( Grande Oficial )
Manuel Pedro ( Grande Oficial )
Roberto Carneiro ( Comendador )
Tio do Sobrinho ( Grande Oficial )
Filho do Tio do Sobrinho ( Grande Oficial )
Joe Berardo ( Grande Oficial )
Ricardo Salgado ( Comendador )
Paulo Teixeira Pinto ( Oficial )
Filipe Pinhal ( Oficial )
Ordens de Mérito Civil:
Maria José Morgado ( Grã-Cruz )
Pinto Monteiro ( Grande Oficial )
Marinho Pinto ( Grande Oficial )
Paulo Rangel ( Grande Oficial)
Vital Moreira ( Grande Oficial )
Nuno Melo ( Grande Oficial )
Miguel Portas ( Comendador )
Ilda Figueiredo ( Comendador )
Roberto Carneiro ( Comendador )
Jorge Miranda (Comendador)
Maria da Glória Garcia (Comendador)
Alberto Costa (Comnendador)
Procuradoria Geral da República ( Membro Honorário )
Porta voz do PS para o Trabalho Temporário (Membro Honorário)
Ordem da Instrução Pública
Maria de Lurdes Rodrigues ( Grã-Cruz )
Walter Lemos ( Grande Oficial )
Mário Nogueira ( Grande Oficial )
Roberto Carneiro ( Comendador )
Veiga Simão (Comendador)
Mariano Gago (Comendador)
Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (Membro Honorário)
Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial Classe do Mérito Agrícola
Jaime Silva ( Comendador )
Manuel Pinho ( Comendador )
Roberto Carneiro ( Comendador )
Oliveira e Costa (Comendador)
Dias Loureiro (Comendador)
posted by JAM | 6/03/2009 04:39:00 AM
Eleições europeias.
Com a campanha para as europeias a entrar na segunda metade das suas voltinhas a um Portugal que os candidatos e campanheiros fingem ainda querer conquistar, o pelotão continua quase compacto e o antigo camisola amarela,o PS, anuncia que existirá uma vitória se conseguir mais deputados eleitos do que o principal adversário. O pessoal a quem se dirigem não os conhece, ou mediocremente dá por eles. A nitidez crescente desta ignorância popular faz dos “políticos” algo de criminosos, porque a eles cumpre não só esclarecer como evitar o declínio acentuado da democracia e a degenerescência de um regime que têm de ocupar o espaço mais amplo de definição. O desfile de nulidades e de apparatchiks de que as televisões são palco constitui a afirmação de um tribalismo generalizado, que não comporta a esperança mas a resignação. Esta democracia é uma desgraça porque espicaça o desprezo, alimenta o ressentimento, incrementa o rancor e não conseguiu, em 35 anos, extirpar os odiosos fantasmas do racismo e da xenofobia. Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão. A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes. Esta democracia é uma miséria. Mas é minha. Também eu a construí. Lá estarei a votar. No contexto desta balança da Europa, a democracia do parlamento está definitivamente superada pela tecnocracia da comissão, enquanto nos interstícios regressámos claramente ao directório das potências, neste projecto europeu de muitas velocidades e outras tantas hipocrisias. Logo, não é um abstracto mais Europa que nos pode salvar deste ameaçador “out of control”, onde se vai tornar maioria absoluta portuguesa um tripé de esquerda propagandística. Por outras palavras, o país mais à esquerda da Europa soferá as agruras de desertificar os restos de meritocracia que o poderiam regenerar e entrará na loucura de um distributivismo que o fará entrar no contraciclo.
Pedofilia
De qualquer maneira, os melhores momentos foram vividos por um popular espontâneo numa serração, quando equiparou os campanheiros visitadores de certos locais de trabalho a padrecas e sacristães, abusando do latim vulgar, na caça ao voto, quando bem poderia citar Robert Brasillach e acusá-los de turibuleiros que perderam o sentido dos gestos, diante dos altares, em regime de papa-missas. Com efeito, a liturgia das campanhas, com as visitas a feiras e a lares de cuidados paliativos, aqui e além, com viagens rápidas numa caldeirada de traineiras, para, depois, se desperdiçarem em comícios encenados, com mais bandeiras do que militantes e muita música de fundo, tal liturgia ainda marcada pelo ritmo gregoriano, anterior ao Vaticano II, já não está de acordo com as novas circunstâncias do tempo, a não ser para a selecção das velhas glórias do PREC, que se ficaram quase todas pela Intersindical e pelo PCP, em ritmo de festas do Avante. Só que o PCP não é um partido como os outros, dado ter uma dimensão metapolítica, com memórias de ordem religioso-militar, como nos ensinava o Professor Agostinho da Silva. A única coisa comparável em autentiticidade e mobilização de massas às missas de Jerónimo de Sousa são as peregrinações a Fátima, com sermões de D. José Saraiva Martins, ou as visitas da imagem peregrina aos santuários da outra banda, quando a presente campanha, apesar de tratar de uma coisa nebulosa, como é esse objecto político não identificado (OPNI), chamado União Europeia, não consegue integrar os candidatos a missionários do rito no hábito desleixado que os não faz monges daquilo que precisávamos. Quem se fia na virgem e não corre pode ainda pensar no salvamento das qimondas pelos elogios ao magalhães e pela distribuição de rosários de chipes pela maria de lurdes, apesar dos protestos dos jacobinos professores segundo o batuque de mário nogueira. Só que a mesa do orçamento nacional e europeu já foi chão que deu cerdeiras e uvas, quando apenas se vislumbra que as novas videiras produzam amarelecidas parras para a futura tanga deste saudoso oásis à beira mar plantado. Quando voltarmos ao ano de 1917 e as revoltas dos abastecimentos levarem a novos assaltos às padarias da fome, mesmo que não chegue a pneumónica nem sidónio, todos poderão concluir que o nosso vazio de metafísica não será propício a novas aparições do além e novos segredos para a conversão da General Motors. O “software” do magalhães já perdeu o prazo de validade, mesmo que se vista de Vital Moreira ou de Paulo Rangel. Qualquer “hacker” pode piratear coisa melhor para um desses telemóveis de última geração, onde vamos brincando ao “nintendo”.
Conspiração de avós e netos
Os engenheiros de campanha, desde os fabricantes das miudezas do “agenda setting” aos angariadores de figurantes para as excursões dos comícios, passando pelos falsos catedráticos em recrutamento cívico e pelos eméritos salazarentos em golpadas de salão, todos estes especialistas em casca de árvore, ao ritmo da cansativa música celestial do vira-o-disco-e-toca-o-mesmo, por mais que promovam conspirações de avós e netos entre a gerontocracia dos coloquiantes, em seminarismo de verão e sermões de fim de semana da televisão pública, e a verdura teórica dos jotas da tradução em calão, não conseguem disfarçar que o vazio de causas ocupou os interstícios daquilo a que chamamos campanha eleitoral. Quando agora peroram sobre a roubalheira bancária que atingiu o irmão-inimigo do partido feito à sua imagem e semelhança, atirando pedradas às vidraças do vizinho, é natural que, ao chegarem a casa, encontrem as suas quebradas. Isto é, com tantas bombas de fragmentação, todos têm o corpo de campanha cheio de estilhaços, ao mesmo tempo que lançaram alguns dejectos sobre o Banco de Portugal e a Presidência da República, enquanto se continua a lançar lixo sobre ambas as magistraturas. A campanha que agora atinge o seu auge apenas confirmou que o aparelho de poder do principado continua a asfixiar a comunidade, ou república, confirmando-se a falta de autonomia da sociedade civil e continuando-se este processo de desinstitucionalização em curso. Mas o que aconteceu aos professores, quase se repetiu com magistrados, polícias, médicos, farmacêuticos e todos os outros grupos que escapavam às garras do hierarquismo da administração directa do Estado e que não liam pela cartilha do pensamento único. Os resultados estão à vista, com o crescimento dos apoios sociológicos ao Bloco de Esquerda e à continuidade do cunha lismo, transformando a república dos portugueses num caso “sui generis” de contraciclo na União Europeia, onde a jangada de pedra está a rumar cada vez mais para o estrondo islandês, dado que os nossos glaciares assentam cada vez na subsidiodependência de um voto marcado por uma visita a uma unidade de cuidados continuados de um “Welfare State” transformado em conspiração de avós e netos, entre a economia salazarenta e engenharia subsidiocrática do socratismo, à procura do primeiro “Magalhães” que nos iluda e obtenha a concessão perpétua pela autarquia de mais um terreno gratuito para o alargamento da fabriqueta…