Entre a aritmética das sondagens e a geometria política (Diário Económico)

Entre a aritmética das sondagens e a geometria política

por José Adelino Maltez

 

Segundo as sondagens de ontem, os partidos da troika têm 84,1%. Em segundo lugar, vem a multinacional partidária europeia do PPE, com 48,7%. O PS está em terceiro, com 36,1%. Isto é, caso se reeditasse a primeira coligação com o FMI, de 1978, PS e CDS teriam 48%. Mas se fosse possível uma coligação PS/PCP, já haveria 42,9%. Só a união das esquerdas (PS, PCP, BE) teria o auge dos 49, 1%. Por outras palavras, em termos de aritmética imaginativa, até podemos ter um governo exclusivamente CDS, com apoio do PS e do PSD, mesmo que Sócrates, Passos e Portas não ministerializem. Aliás, encontraríamos entre prováveis deputados socialistas um democrata-cristão que vem de governos com o PS e o PSD. O problema não é da aritmética politiqueira da sondajocracia, é da geometria social de apoio da democracia. Um urneirismo sem cidadania pode não dar obediência pelo consentimento. Isto é, pode ser legal e formal, mas tornar-se rapidamente ilegítimo. A legitimidade do título pode não confundir-se com a legitimidade do exercício.

 

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