Farpas de 15 de Janeiro de 2012

A dita questão das secretas a que alguns ligaram coisas maçónicas, ao produzir listas de ilustres deputados que proclamaram não pertencer a grupos que representam 0,0004% da população portuguesa contribuíram para que, os nomes de 90% dos honrosos declarantes da não pertença aparecessem pela primeira vez num jornal. Agora ameaçam listas idênticas para jornalistas, enquanto outros já defendem a divulgação pública dos clientes dos deputados que são advogados, patos bravos e consultores. Estamos na época da caça aos gambozinos.

A garbosa barcoleta virou mesmo, assim à vista de costa. Há muitos baixios que dão naufrágio. Não apenas com “icebergs”. Maus pilotos e excesso de prosápia é no que dão. Mesmo em bonança.

Ontem, um ilustre gambozino enviou-me carta dizendo, de fora, que tinha tantas maneiras de saber o que se passava numa instituição de que faço parte que até hesitava na que me poderia ser mais útil. Logo lhe respondi, reconhecendo a superioridade, e dizendo ter ficado esclarecido quanto ao sistema informativo. Porque se os gambozinos voassem, eles formariam nuvens que nos tapariam o sol. E a luz do astro, nos dias que correm, é, de facto um bem escasso. Até de noite, instrumentalizam o luar.

Desde quando é que eu tenho de agradecer a um qualquer membro de um órgão de soberania a mercê que ele pensa dar-me ao dizer que me deixa exercer os meus direitos fundamentais? Os direitos naturais e originários são coisa do indivíduo e não da concessão estadualizante de qualquer funil de direitos civis. Pelo menos, para mim, que sou mais por Locke do que Robespierre ou pela Constituição de 1933 que, desde que entrou formalmente em vigor, logo suspendeu de forma provisoriamente definitiva os direitos que hipocritamente discriminou.

Antes de haver Estado, constituição, parlamentos e governos, o indivíduo já tinha coisas tão básicas, como o direito à liberdade de andar, o primeiro dos direitos, ao livre pensamento e até à propriedade. Mas cuidado, sou um perigoso liberal, favorável à libertação do terrorismo, incluindo o velho terrorismo de Estado.

Qual é bandeira do sítio onde puseram a seguinte estátua?

Eis uma bandeira que ainda tremula em África. Desde 1415.

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fatuo encerra.
Ninguem sabe que coisa quere.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a Hora!
10-12-1928

As três últimas linhas d “Os Lusíadas”:

Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja.

 

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