1959
Passo a residir na cidade de Coimbra e eu fui frequentar a segunda classe na escola primária de São Bartolomeu, ao lado da Estação Nova. O meu professor era um quintanista de direito, a quem devo um dos principais impulsos na minha educação, depois da iniciação rural do ano anterior. Na escola, cantava-se A Oeste da Europa, bem juntinho ao oceano, fica o nosso Portugal. Em continente é pequeno, no império, o terceiro. Muitas palavras grandiosas, cujo conteúdo nenhum dos miúdos assimilava, até chegar o ano de 1960, quando apareceram as comemorações henriquinas, com a bandeira da Cruz de Cristo, hasteada ao lado da bandeira nacional, e todos nos passámos a sentir descendentes vivos dos marinheiros do Infante D. Henrique e de Vasco da Gama.
2ª classe: 1959-1960.
Primeira classe na escola primária mista de Casconha, freguesia de Cernache, tendo como professora uma senhora D. Clotilde, que nos ensinou a ler, escrever e contar e nos dava algumas reguadas. Na parede da sala de aula, lá estavam os retratos de Salazar e de Craveiro Lopes, antes de chegar o de Américo Tomás, e sob esta vigilância paternal, lá começámos o a,e,i,o,u e a tabuada, depois de vermos os cartazes com as caras dos candidatos nas paredes da terra e de ouvirmos o senhor Prior, na missa, a anunciar muito objectivamente os resultados eleitorais. Os miúdos iam dizendo em quem os pais votaram, surgindo uma espécie de facções à maneira do clubismo desportivo, sem qualquer espécie de tensão ou medo. O meu pai nunca me disse em quem votou. Só em 1974 me revelou que tinha votado em Delgado. Lembro-me perfeitamente de ter ouvido que o papa havia morrido, quando eu não sabia ainda bem quem era o papa.
1ª classe: 1958-1959
Volto a Cernache. Nasce a minha irmã Maria Fernanda. Vivemos no Casal, da Barroca. Entro na escola primária.
Porto: Rua das Taipas.
Mudo-me para o Porto. Entre a Rua Duque de Loulé e a Rua das Taipas.
Cernache.
Cernache
Vivo em Cernache, na Casa do Forno.
Nasci em 18 de Dezembro de 1951.