Notas quotidianas sobre as angústias lusitanas, quando não há notícias (STQP)

26 de Dezembro: E a notícia do dia é o facto de um piloto português que vai a Dakar andar a treinar-se com uma BTT nas areias da Fonte da Telha, para fortalecer as pernas.

27 de Dezembro: Benfica compra Manduka e paga não sei quanto, temendo a saída de Simão Sabrosa.

 

Continuam a monte doi homens que fugiram, ontem, da cadeia de alta segurança de Alcoentre.

13-5+2= 0. São as ideias produzidas pela presente luta presidencial, em pré-campanha.

 

O comunista Jerónimo, citando São Tomás, que ele não deve conhecer, diz que não se pode tratar igual o que é diferente, depois de receber os praças da Armada.

As sondagens continuam a dar esperança a todos, com Cavaco a não descer dos 50%, mas a descer desde os 62%. Aceitam-se apostas.

 

A União Europeia vai dar não sei quantos milhões para o desenvolvimento rural. Já deu muito mais para nos desertificarmos.

28 de Dezembro: Cavaco disse que não disse, para que os outros o contradissessem, neste jogo dos faz-conta onde não contamos muito.

 

Ninguém faz de D. Dinis, prometendo novo pinhal.

Antigamente saíamos de Belém em naus que procuravam uma Índia que nunca esteve nos mapas. Agora vamos de camião, mota e jipe, com GPS, para alguns chegarem a Dakar. Já somos todos grisalhos do Restelo.

 

Agora a pátria é um lugar de eventos, onde construímos estádios de futebol para servirem de centros comerciais.

Soares disse que Cavaco meteu a pata na poça porque apenas tem a cabeça programada para chefe do governo.

 

Na Rotunda do Marquês cai neve artificial, para patego olhar, graças à acção promocional da banca sem balão. Outra parcela da dita encheu o Terreiro do Paço de luminárias. E nesses extremos do eixo central de Lisboa, embancados, vamos comprando castanhas assadas. Quentes e boas para o frio que está.

29 de Dezembro: Desde que o euro chegou a função pública perdeu sempre o chamado poder de compra.

 

A casa onde morreu Garrett, em Campo de Ourique, vai mesmo ser demolida. A câmara terá alterado anterior decisão de Santana Lopes. Porque a casa é pertença de um qualquer ministro do presente governo.

De madrugada, a terra tremeu no Alentejo e a coisa sentiu-se em Coimbra. Há dias de frio que nos constipam e entopem o nariz, com cócegas na garganta.

 

A CNE diz que nada pode fazer contra os “sites” que transformaram as nossas presidenciais em apostas de fortuna e de azar.

Ministro das finanças diz que a nossa margem de manobra é curta, muito curta. E tem pena.

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