Dez 11

Entre um “action man” da esquerda menos e um “jogger” da direita envergonhada, há sempre o mesmo petrolíbio

Poucas são as novas da rotina da politiqueirice que merecem, hoje, registo crítico. Vi, ouvi e li os discursos dos líderes da oposição sobre mais um assassinato da noite tripeira, nada retive. Reparei na formal pronúncia de Isaltino, não me emocionei. Porque tudo quanto nestes dois epifenómenos aconteceu, antes de o ser já o era. O resto é reconhecermos que os tempos continuam de feição para a ilusão de movimento do poder pelo poder, dos que pretendem pôr os sistemas a funcionar, mesmo que não saibam para onde vai o próprio mundo de que são consequência.

Aliás, julgo fecunda a notícia de primeira página do JN de hoje: afinal a melhor universidade portuguesa não é a de Coimbra, mas a do Porto, agora no lugar 459 entre as 500 melhores do mundo, segundo Taiwan. Usando palavras do propagandista de serviço: “Trata-se de um ranking mais sério do que Times Higher Education Supplement, uma vez que mede a produção científica efectiva e não recorre a inquéritos, como acontece no caso da seriação internacional feita pelos ingleses”. Ficámos encantados com este desabrochar da guerra de “rankings” entre o Norte e o Centro. Apenas deixo uma sugestão aos lisboetas, pela criação de um novo clube de arromba, juntando o Sporting Clube da Clássica e o Sport Lisboa e Técnica, a que poderemos agregar os clubes politécnicos e os clubes de província do Sul como sucursais, de Évora ao Algarve. O novo estádio, que deverá ter o nome de Professor Mariano Gago, pode ocupar o espaço deixado vago pelos terrenos da Ota, se o grande timoneiro do IPRI da Nova e actual ministro da defesa nos permitir ocupar o andar vago desse distrito de recrutamento militar..

Entre um “action man” da esquerda menos e um “jogger” da direita envergonhada, neste nosso querido império do vazio ou do efémero, há o mesmo Kadhafy a vender petróleo e investimentos em dinheiro fresco e branqueado. No mesmo cenário de canetas e papéis, o nada é um traço comum, um nada que já não é poder ser, mas o vazio de niilismo daquele pretenso pós-moderno que apenas nos diz que nos vai modernizar.

Os líderes que temos são os líderes que merecemos, plastificadas sínteses de homens de sucesso, onde tem razão quem vence e ninguém se preocupa em duvidar sobre se quem venceu, ou vai vencer, tem um mínimo de razão, enquanto “logos”, isto é, discurso, palavra posta em comunicação. Deixá-los ter o monopólio desta imagem sem discurso, em sentido etimológico, a que damos o nome de gestão dos silêncios.

Eles até ameaçam voltar a vencer, a recandidatar-se a reeleger-se, à boa maneira da madailização que nos enreda. Seguem os ditames daquele livro de estilo dos que escapam de todas as gotas de chuva da crise. E só não se molham porque vão fugindo, pinga a pinga, do emeranhado que a todos nós nos vai secando.

Esqueço as pequenas banalidades que nos amarguram em ninharias. Apenas reparo que esteve um ar lavado de Outono, um céu azul e um sol ainda vigoroso. A cidade ganhou novas cores e o Tejo continuou a semear Europa além da Europa, saudando abstractamente o infinito, para que seja possível singrar mar dentro, pelo prazer de procurar a racionalidade complexa de sermos o único animal que sabe que vai morrer e que por isso mesmo tenta captar a eternidade.

Dez 11

Poucas são as novas da rotina da politiqueirice

Poucas são as novas da rotina da politiqueirice que merecem, hoje, registo crítico. Porque quase tudo quanto nestes epifenómenos aconteceu, antes de o ser já o era. O resto é reconhecermos que os tempos continuam de feição para a ilusão de movimento do poder pelo poder, dos que pretendem pôr os sistemas a funcionar, mesmo que não saibam para onde vai o próprio mundo de que são consequência. Entre um “action man” da esquerda menos e um “jogger” da direita envergonhada, neste nosso querido império do vazio ou do efémero, há o mesmo Kadafi a vender petróleo e investimentos em dinheiro fresco e branqueado. No mesmo cenário de canetas e papéis, o nada é um traço comum, um nada que já não é poder ser, mas o vazio de niilismo daquele pretenso pós-moderno que apenas nos diz que nos vai modernizar. Os líderes que temos são os líderes que merecemos, plastificadas sínteses de homens de sucesso, onde tem razão quem vence e ninguém se preocupa em duvidar sobre se quem venceu, ou vai vencer, tem um mínimo de razão, enquanto “logos”, isto é, discurso, palavra posta em comunicação. Deixá-los ter o monopólio desta imagem sem discurso, em sentido etimológico, a que damos o nome de gestão dos silêncios. Eles até ameaçam voltar a vencer, a recandidatar-se a reeleger-se. Seguem os ditames daquele livro de estilo dos que escapam de todas as gotas de chuva da crise. E só não se molham porque vão fugindo, pinga a pinga, do emeranhado que a todos nós nos vai secando. Esqueço as pequenas banalidades que nos amarguram em ninharias. Apenas reparo que esteve um ar lavado de Outono, um céu azul e um sol ainda vigoroso. A cidade ganhou novas cores e o Tejo continuou a semear Europa além da Europa, saudando abstractamente o infinito, para que seja possível singrar mar dentro, pelo prazer de procurar a racionalidade complexa de sermos o único animal que sabe que vai morrer e que por isso mesmo tenta captar a eternidade.