Porque o Tejo é o rio que passa na minha aldeia

Porque o Tejo é o rio que passa na minha aldeia e continuamos o Portugal de sempre, um país castífero e capitaleiro, onde os provincianos da capital acusam os restantes, de mais provincianos, neste jogo de castas, onde continuamos o tradicional ciclo de um estadão que nos quer revolucionar ou reformar, mas, onde, passada a euforia do gigante com pés de barro, fica a pós-revolução das Viradeiras, onde o Portugal Velho resiste de forma neocorporativa e neofeudal ao sonho do Portugal Novo. De vez em quando há um Marquês de Pombal, uns vintistas, uns republicanos do 5 de Outubro, uns revolucionários do PREC, mas, logo a seguir, seguem-se as festas de família, dos “gentleman’s agreement”, do “porreiro, pá”, onde continua a ilusão do condicionamento industrial e do proteccionismo. De um lado, a ordem da sacristia, dos sucessores com aquele ar de meninos bem comportados, de bons alunos, com meneios de antigos governantes salazarentos. Do outro, o irmão-inimigo que gosta de estragar a festa no adro da Igreja, só porque não foi convidado para o recato da sacristia.  Assim continuamos, entre a direita e a esquerda, entre o Sporting e o Benfica, com muito Fado, Futebol e alguma Fátima. E assim chegamos a Lisboa, onde Lisboa é Portugal e o resto da província é paisagem. E da reciclagem de Lisboa nos vêm os banqueiros, os magistrados, os ministros, os partidos, a revolução, as reformas e a própria proibição dos referendos, porque é preciso pôr a Europa a funcionar e o povo nos carris. Julgo que este gigante com pés de barro apenas precisa da funda de um qualquer David que venha continuar a dizer que o rei vai nu.

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