Protestos de um homem religioso em dia de festa da árvore

Acordei a ver programas religiosos na RTP2. Primeiro, os evangélicos, bons. Depois, o CUPAV dos meus amigos jesuítas, óptimos. Um pouco de espírito faz-nos mais homens. Sobretudo, no dia seguinte a uma tarde de hospital, por causa de um susto que não passou disso mesmo, mas graças a análises e aparelhos, determinou-se que a causa não era do meu já velho susto. E lá volto ao espírito e à luta, mas de ideias.

Gostei de rever um rapaz da minha idade, o Padre Vaz Pinto. Conheci-o, de Cernache, Coimbra, quando eu já não era católico, em conversas com o Padre Felgueiras, o de Timor. Era correspondente do Expresso em Coimbra e “motard”, contando-me das experiências que tivera na Polónia e na Cuba dos comunistas. Foi boa a vacina da verdade. Julgo que estamos na mesma. À procura. Infelizmente, ainda não achei, mas continuo a navegar.

E em todos os censos, sou discriminado. Obrigam-me a pôr “sem” nenhuma dessas religiões elencadas pelas porcarias estatísticas que não admitem a pluralidade de pertenças. Não há espaço para heréticos nem para panteístas, mas apenas para os filhos dilectos de vários rebanhos do Senhor e para os que reduzem substantivos a adjectivações. E ainda por cima, as minhas crenças são tipificadamente comungadas por milhões e tão identificadas que algumas vezes até foram punidas por ideologias que começaram a assaltar os Estados em 1917 e 1922, já que o Código de Direito Canónico não se me aplica. Muito menos, as várias bulas proibitivas emitidas por certos teólogos oficiais de outra religião do livro, a começada em 622.

Partem é do preconceito de considerarem os “sem Deus revelado” como “contra Deus”, isto é, agnósticos, na versão benigna, ou ateus, na versão maniqueísta, mesmo sem fogueira. É a chamada falsificação estatística, sobretudo para quem é tão a favor de Deus que defende o pluralismo dos divinos, mesmo admitindo, como bom pagão, a superioridade de um deus desconhecido e para quem é tão coincidente com os cristãos que vai por aí acima, raiz a raiz, e chega aos estóicos.

É por isso que me apeteceu responder como “Protestante”… embora a pergunta seja legalmente facultativa. Mas é teologicamente parva.

Isto é, obrigaram-me a mentir para me aproximar da verdade, ao ter de colocar o “sem religião”, quando, regiamente, sou “um homem religioso”…

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