Do mal, o menos. Vida nova, precisa-se!

Os fraccionários da cidade, os que nem sequer têm dimensão de dissidentes, voltaram a ser os velhos censores da república romana. Não dos que fixam a lista dos cidadãos, mas dos que estabelecem a lista parlamentar da classe política, distrito a distrito, onde metem meia dúzia de independentes, as cerejas que encimam o bolo do costume. Ontem não foi domingo de ramos, foi domingo de listas! O problema é que não podemos chegar ao todo directamente, em encontros imediatos de um só ou da parcela que o apoia com a divindade da república. Cada um e cada parte só vê o todo do seu lugar, da sua perspectiva. Daí que o essencial sejam os lugares comuns, através dos quais podemos dialogar. A multiplicidade pode levar ao uno e é da concórdia dos cânones discordantes que pode nascer a harmonia. Importa, pois, eliminar a atracção absolutista e centralista nas actuais fracções. O que está em baixo é o que vai, depois, reproduzir-se em cima. Logo, o pior não está no dogma, mas antes no temperamento dogmático. Por outras palavras, o poder não está no parlamento nem nos deputados. Está nos directórios partidários que o definem e os escolhem. Lenine chamava à coisa centralismo partidário. Coisa equivalente ao modelo weberiano da era pré-racionalismo normativo. Os fiéis continuam a ter o primado sobre os competentes. É a chamada legitimidade feudal, face aos fragmentários chefes de bandos.

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