Fev 04

A necessidade de um trinta e um qualquer, para que se instaure a Real República do Rapó-Tacho

Acordamos. Bolsas em queda. CDS em ascensão (os seguros da dívida e não os porteiros do sistema político). Almunia, amigo de Peniche. É negra, a quinta-feira. Mas pode ser menos branca a sexta. E pior ainda o próprio sábado. Antes do dia do Senhor. O madeiro não pode ser o bode expiatório… Por enquanto, todos devemos seguir o “espírito de diálogo paciente e frutuoso” que nos ajude a responder aos “desafios estruturais”… Quando era menino coimbrinha, todos os dias passava diante da melhor definição do presente regime político que, aliás, deveria ter adequado acolhimento constitucional: “Portugal é uma Real República do Rapó-Tacho…”. Aqui deixo a fotografia da casa inspiradora… Neste tempo de homens lúcidos, há que ter a lucidez de ser ingénuo…

Fev 03

Conselho de Estado, constituído por muitos venerandos pares vitalícios

O Senhor Presidente, órgão unipessoal resultante do sufrágio universal, convocou, e muito bem, o Conselho de Estado, constituído por muitos venerandos pares vitalícios, mas que, para este efeito, são uma entidade constitucionalmente discreta, sem hipóteses do escrutínio público de um parlamento.  Muitos confundem a entidade com a Câmara dos Pares, o Senado ou a Câmara Corporativa, quando nem sequer corresponde à antiga comissão permanente das Cortes renascentistas, onde tinham assento os procuradores do povo das principais cidades do país (os do primeiro banco, como então se dizia).  Outros vêem a reunião como uma espécie de junta médica, com direito à verdade da ecografia, dos TAC e das análises, desconfiando daqueles médicos que, ainda há meses, não reconheciam a doença.  E tudo acontece no preciso dia em que é conhecida a receita aplicada à Grécia pela geofinança, através da União Europeia, nesse contrato à força, típico de uma balança da Europa, comandada pelo directório das potências.  Por cá, confundimos a árvore com a floresta e pensamos que o Conselho vai tratar de pôr a conversar o chefe do governo com líder da região autónoma, esquecendo-nos que o parlamento até criou uma comissão negocial para o efeito, só porque sabemos que tudo depende de uma conversa de um deputado da região com um ministro das relações com o parlamento.  Talvez fosse mais interessante recordar os elogios de Jaime Gama e Almeida Santos ao jardinismo e não darmos, ao grupo consultivo de Cavaco Silva, o ritmo do “agenda setting”, como se o mesmo fosse mais um dos reverendos conselhos de honra, onde muitos põem o governo paralelo de alguns serviços públicos.  Valia mais rejeitarmos esta tendência suicida das governanças sem governo, em regime de quase pilotagem automática, reconhecendo que a nossa verdadeira independência tem que voltar a ser gestão de dependências e interdependências, sem esta mania das grandezas do comemorativismos…dos tais cem dias que mudaram o mundo… Democracia, segundo a ética republicano, não é governo dos notáveis!

Fev 02

Memória de outras calhandras, mas sem palavras…

Os ministros da presente república (o primeiro, o vice, o vice-vice e o ex-vice) vão tivolizando encrespadamente, retomando calhandras, que não são as primas das cotovias, mas as centrais de recolha dos “vases de nuit”. Prefiro a caricatura de Napoleão que aqui anexo…

“Je ne suis pas d’accord avec ce que vous dites, mais je me battrai jusqu’au bout pour que vous puissiez le dire”…. José Sócrates Pinto de Sousa nunca o disse. É republicano, socialista e fracturante e não recebe lições de democracia de ninguém, nem de Voltaire. Quem se mete com malhadores, leva!

Para que quem não perdeu as eleições as pudesse vencer, crise, qual crise! Dois terços da sociedade ficou com mais poder de compra e só uma minoria é que ficou socialmente excluída (dos desempregados e novos pobres, aos jovens sem futuro e procura de exílio). Tudo é uma questão de “choque assimétrico” (expressão de um perito do FMI)! Isto é, estamos coxos… e vamos perder a ilusão do “português suave” e remediadinho…

Portugal está como em 22 de Abril de 1834: um arrabalde da Europa que tem a independência permitida pelo directório que comanda a balança. Não somos Grécia, isolada nos Balcãs. Temos o destino que tiver a Espanha, não a podemos incomodar. A nova fórmula desse tratado torna inútil qualquer Patuleia, porque, mesmo que o povo se revoltasse, haveria sempre uma Convenção do Gramido (da geofinança) a ocupar-nos…