Olho ao longe, nas sombras húmidas da miragem, sinais de um novo mundo por achar, de ilhas por descobrir, de portos seguros que procuro. Olho ao longe a verdade de uma miragem que é espelho dos próprios sonhos que trago dentro de mim. E no sangue da paisagem continuo a procurar o que não acho. É além que posso redescobrir o poder-ser que guardo em mim. Sempre esta metafísica quotidiana de ser manhã e acordar-me sem angústia, vencendo as dores que se diluem por este corpo a que me prendo e de que dependo. Apenas falta um qualquer som interior que me dê a melodia obsidiante donde possa surgir a poesia. Para que um breve verso, palavra a palavra, me dê poema. Porque apesar de me sentir grão de areia no universo, também sinto que tenho de resistir como o centro do próprio mundo, quando a escrita consegue voltar a ser ritmo, fluindo por mim dentro em harmonia, fazendo com que a própria paisagem que me rodeia se dilua nas sombras do pensamento. Sobretudo quando me sinto mais do que eu e me perco, feito pedaço de todos os outros, ousando varar o firmamento. É por isso que não farei discurso sobre a guerra que nos devasta. Prefiro saudar o sol que nos chega de nascente. Sempre.