Por mim, enquanto for funcionário, cumprirei com lealdade e mérito, as funções que me foram confiadas, de acordo com os princípios constitucionais, mas também com toda a constitucionalíssima falta de respeito, a do direito de resistência, do direito originário, natural e racional, registado num artigo da nossa constituição, diante das distorções do politicamente correcto, com que certos altos serviçais do Estadão me querem condicionar, nomeadamente alguns desses militantes do partido dos becas que parece ter saudades da fórmula de aceitação das funções públicas que ornava tomada de posse dos tempos do salazarismo. Onde também éramos obrigados a ser servos voluntários dos valores da Constituição de 1933 e a comprometer-nos a não participarmos em associações secretas que a quisessem derrubar. Coisa que o meu mestre Agostinho gostava de contar, sobre o quando se recusou a assumir o juramento, por não conseguir poder limitar o respectivo futuro, dado não saber se poderia optar por essa “capitis deminutio”. Se o socratismo cair na esparrela de atingir o nível da lei salazarenta de 1935, a de Alberto dos Reis, mesmo que um Fernando Pessoa não seja capaz de escrever um desses eternos manifestos contra a intolerância, o fanatismo e a ignorância, o Portugal do século XXI cumprirá a sua função adequadamente torquemada, e poderá até pedir à Sá Couto que inclua, no “Magalhães”, uma espécie de tecla de controlo parental para a detecção das viroses de associativismo que marquem um qualquer funcionário, nomeadamente as preferências pelo clubismo futebolístico, as crendices religiosas ou as opções sexuais. Como cidadão e homem livre, habitual vítima deste tipo de controlo policiesco e de persiganga, visualizo a onda de redes e redes de informadores e denunciantes, bem como as resmas de apreensões de discos duros com que esta utópica republiqueta de becas se transformaria em retroactivo “tsunami”, porque os candidatos a caceteiros já os vejo prevenidos e acicatados por muitos e venerandos sermões, nomeadamente aqui na blogosfera. Apenas me tenho que recordar dos gloriosos tempos dos tribunais plenários e daqueles ilustres servidores magistrais do marquês e das alçadas antipedristas, para quase lhes sugerir que retomem antiquíssima legislação que transformou o conceito legal de aparência de limpeza de sangue numa estrela amarela, distintiva, com que deveriam ser ornados, nas suas aparições públicas, todos os politicamente incorrectos que vivem noutra dimensão de metapolítica. Já agora, seria interessante que exportassem essa luminosa ideia de repressão interior para tudo o que é república ainda livre, dos Estados Unidos ao Brasil, da França à Bélgica, etc. , e que por todo o mundo livre se abatesse a habitual escuridão que levou à tortura de Jacques Mollay e à própria entrada nos processo inquisitorial de Francisco Velasco Gouveia e do Padre António Vieira. Odeia essa república de becas. E não tenho medo de requerer o uso imediato do símbolo público da não limpeza de sangue. Obrigado, Manuel Alegre, por ainda resistires, isto é, por considerares que a metapolítica é bem superior à pulhítica da imagem, sondagem e sacanagem!