Está mais do que demonstrado o irrealismo dos chamados realistas que reduziam a política internacional a simples bolhas de bilhar no tabuleiro geopolítico dos Estados em movimento. Esses que conceberam o progresso como mero teleponto de conclusões discursivas de uma cimeira intergovernamental. Durante mais de duas décadas confundiram o fim da história com essas promessas de uma ilusão de bem estar a que deram o nome de globalização e desenvolvimento, pensando que a coisa era tão fatal como o nascer do sol, todos os dias. Protegeram tiranos com subsídios, conselheiros militares e escudos de espionagem, sem quererem saber de povos, pensamentos e suas identidades. Até pensaram que podiam substituir cartilhas de marxismos por outros quaisquer comprimidos empacotados, não querendo saber dos mitos que movem as civilizações. Alguns chamaram a tal patranha ciência da estratégia e quiseram transformá-la em recinto esotérico para deleite de falsas elites que nem os bois à frente do palácio conseguem topar… E até deixaram que parcelas fundamentais da cidadela universitária fossem assim assaltadas, clamando contra os hereges. E muitos nisso continuam entretidos, julgando que assim podem conter os feitiços que engendraram, essas criaturas que, libertando-se dos pretensos criadores, estão a pôr em causa a bela ordem que a todos os pariu. Já chega dessas servas de uma nova teologia, onde legiões de novos clérigos, mancomunados com o diabo do pretenso irmão inimigo, vão brincando a revoluções, contra-revoluções, armamentos outros tráficos, dando uma falsa imagem do ocidente, só porque nos proíbem de o pensar e de o vivermos como pensamos. Acorda, Europa! Pobres de nós, simples coitados, se nos deixarmos ser mero mercado de notícias enlatadas, cotações de juros e blindados, tudo reduzindo a manuais de instruções e procedimentos de quem, sendo agente, não nos deve comandar.