Chegou ao fim o ciclo dos governos minoritários e já não parece ser
possível até uma mera coligação de aritmética parlamentar absoluta.
Daí que a encenação de campanha da entrevista de Socrates tenha
continuado a exagerar, numa visão da essência da política como guerra
entre amigos e inimigos, exagerando na manha da propaganda, no engodo
da ideologia e na invocação autoritária da razão de Estado. Porque
depois do anúncio da nao recandidatura de Zapatero, do abandono da
presidencia do FDP por parte do ministro alemão dos estrangeiros, todo
o equilibrismo da Interessenpolitik em que assentou o negócio do PEC
em Berlim tornou se um vazio. O ciclo socrático do teatro de gestão de
crises perdeu-se na presente anarquia ordenada. Só um mínimo de
patriotismo científico e de humilde sentido de serviço público nos
poderia ajudar o regime. Mesmo que não perca, este foi o testamento de
um homem que passou.