Abr 18

Do mal, o menos. Vida nova, precisa-se!

Os fraccionários da cidade, os que nem sequer têm dimensão de dissidentes, voltaram a ser os velhos censores da república romana. Não dos que fixam a lista dos cidadãos, mas dos que estabelecem a lista parlamentar da classe política, distrito a distrito, onde metem meia dúzia de independentes, as cerejas que encimam o bolo do costume. Ontem não foi domingo de ramos, foi domingo de listas! O problema é que não podemos chegar ao todo directamente, em encontros imediatos de um só ou da parcela que o apoia com a divindade da república. Cada um e cada parte só vê o todo do seu lugar, da sua perspectiva. Daí que o essencial sejam os lugares comuns, através dos quais podemos dialogar. A multiplicidade pode levar ao uno e é da concórdia dos cânones discordantes que pode nascer a harmonia. Importa, pois, eliminar a atracção absolutista e centralista nas actuais fracções. O que está em baixo é o que vai, depois, reproduzir-se em cima. Logo, o pior não está no dogma, mas antes no temperamento dogmático. Por outras palavras, o poder não está no parlamento nem nos deputados. Está nos directórios partidários que o definem e os escolhem. Lenine chamava à coisa centralismo partidário. Coisa equivalente ao modelo weberiano da era pré-racionalismo normativo. Os fiéis continuam a ter o primado sobre os competentes. É a chamada legitimidade feudal, face aos fragmentários chefes de bandos.

Abr 17

Protestos de um homem religioso em dia de festa da árvore

Acordei a ver programas religiosos na RTP2. Primeiro, os evangélicos, bons. Depois, o CUPAV dos meus amigos jesuítas, óptimos. Um pouco de espírito faz-nos mais homens. Sobretudo, no dia seguinte a uma tarde de hospital, por causa de um susto que não passou disso mesmo, mas graças a análises e aparelhos, determinou-se que a causa não era do meu já velho susto. E lá volto ao espírito e à luta, mas de ideias.

Gostei de rever um rapaz da minha idade, o Padre Vaz Pinto. Conheci-o, de Cernache, Coimbra, quando eu já não era católico, em conversas com o Padre Felgueiras, o de Timor. Era correspondente do Expresso em Coimbra e “motard”, contando-me das experiências que tivera na Polónia e na Cuba dos comunistas. Foi boa a vacina da verdade. Julgo que estamos na mesma. À procura. Infelizmente, ainda não achei, mas continuo a navegar.

E em todos os censos, sou discriminado. Obrigam-me a pôr “sem” nenhuma dessas religiões elencadas pelas porcarias estatísticas que não admitem a pluralidade de pertenças. Não há espaço para heréticos nem para panteístas, mas apenas para os filhos dilectos de vários rebanhos do Senhor e para os que reduzem substantivos a adjectivações. E ainda por cima, as minhas crenças são tipificadamente comungadas por milhões e tão identificadas que algumas vezes até foram punidas por ideologias que começaram a assaltar os Estados em 1917 e 1922, já que o Código de Direito Canónico não se me aplica. Muito menos, as várias bulas proibitivas emitidas por certos teólogos oficiais de outra religião do livro, a começada em 622.

Partem é do preconceito de considerarem os “sem Deus revelado” como “contra Deus”, isto é, agnósticos, na versão benigna, ou ateus, na versão maniqueísta, mesmo sem fogueira. É a chamada falsificação estatística, sobretudo para quem é tão a favor de Deus que defende o pluralismo dos divinos, mesmo admitindo, como bom pagão, a superioridade de um deus desconhecido e para quem é tão coincidente com os cristãos que vai por aí acima, raiz a raiz, e chega aos estóicos.

É por isso que me apeteceu responder como “Protestante”… embora a pergunta seja legalmente facultativa. Mas é teologicamente parva.

Isto é, obrigaram-me a mentir para me aproximar da verdade, ao ter de colocar o “sem religião”, quando, regiamente, sou “um homem religioso”…

Abr 17

A partidocracia continua a ter medo de cometer erros

Acordei a ver programas religiosos na RTP2. Primeiro, os evangélicos, bons. Depois, o CUPAV dos meus amigos jesuítas, óptimos. Um pouco de espírito faz-nos homens. Sobretudo, no dia seguinte a uma tarde de hospital, por causa de um susto que não passou disso mesmo, mas graças a análises e aparelhos, determinou-se que a causa não era do meu já velho susto. E lá volto ao espírito e à luta, mas de ideias.

Gostei de rever um rapaz da minha idade, o Padre Vaz Pinto. Conheci-o, de Cernache, Coimbra, quando eu já não era católico, em conversas com o Padre Felgueiras, o de Timor. Era correspondente do Expresso em Coimbra e “motard”, contando-me das experiências que tivera na Polónia e na Cuba dos comunistas. Foi boa a vacina da verdade. Julgo que estamos na mesma. À procura.

 

Depois dos programas religiosos, passamos agora, nas televisões, à religiosidade secular ocupada pelas seitas que vão destruindo as crenças cívicas. Um dos pastores, que estando no púlpito, apenas zurze sobre os pastores adversários, para mobilizar suas ovelhas, vai palrando em teleponta. Desligo.

Hoje, os fraccionários da cidade, os que nem sequer têm dimensão de dissidentes, vão voltar a ser os velhos censores, não dos que fixam a lista dos cidadãos, mas dos que estabelecem a lista parlamentar da classe política, distrito a distrito, onde metem meia dúzia de independentes, as cerejas que aparecem no bolo do costume. Hoje não é domingo de ramos, é domingo de listas!

Por outras palavras, o poder não está no parlamento nem nos deputados. Está nos directórios partidários que o definem e os escolhem. Lenine chamava à coisa centralismo partidário. Coisa equivalente ao modelo weberiano da era pré-racionalismo normativo. Os fiéis continuam a ter o primado sobre os competentes. É a chamada legitimidade feudal, face aos fragmentários chefes de bandos.

PS na defensiva. Seguro fica. O resto dos cabeças de listas coincide, em novidades, com o ministerialismo, os respectivos ajudantes e um importante director-geral. A marca de água do situacionismo vigente equivale ao carisma. Com um pequeno toque de Comte, a “révolution d’en haut”. A clarificação pode não ser lá muito luminosa. Quanto mais baço, mais propaganda.

Vamos ser francos: a soma das listas PS, PSD, CDS, PCP e BE, em termos de meritocracia, são inferiores ao simples abaixo assinado dos notáveis, os chamados 47, da democracia antiga. Por outras palavras, mesmo as elites do situacionismo não foram convidadas, ou recusaram. Vou mais pela primeira alternativa.

A partidocracia continua a ter medo de cometer erros. E não foi apenas o reflexo condicionado Nobre. Os partidos já reconheceram a autoclausura reprodutiva. E temem as negas. Por isso se refugiam no conservadorismo do que está. E sabem, experimentalmente falando, que os investimentos se farão mais na aposta dos novos governantes. Parlamento aproxima-se do solar dos barrigas de 1895. Falta uma Segunda Câmara.

Basílio Horta como cabeça de lista do PS, confirma-se. Uma justa homenagem a uma certa alta da primavera marcelista, uma anterior aposta do PS, tanto através da candidatura autárquica do ministro das corporações Silva Pinto, como pelo recurso a Veiga Simão. E a colaboração dada pelo antigo secretário-geral do CDS desde Sousa Franco e a antiga e justa amizade com Ferro Rodrigues apenas reforçam a aposta de ambos.

A engenharia das listas dos candidatos ao arco da governação mostra menos renovação do que continuidade. Nobre reconheceu ter causado celeuma e assumiu erros. Para poder comunicar a mensagem alegórica do carro atolado, com muitos treinadores de bancada dando palpites. Permitiu que os críticos laranjas considerassem ultrapassado o equívoco. E reafirmou a identidade de esquerda. Continua no jogo, não foi eliminado.

Sócrates não fez purgas internas. Alegristas, soaristas, guterristas, ferristas e seguros perceberam que Sócrates pode passar, mas o PS tem de continuar. Até no eventual governo gestor das condições que os credores nos impuserem. Apesar de tudo, é boa notícia para a democracia.

Entre o erro plenamente assumido por Fernando Nobre e o erro que podemos cometer na negociação política com os credores, a partir da próxima semana, prefiro que não se cometa o segundo. E bem gostaria que o PCP mudasse o discurso silogístico, impondo as suas condições para adesão a um acordo de regime. Nem que seja um acordo quanto aos limites do desacordo.

Abr 17

Protestos de um homem religioso em dia de festa da árvore

E em todos os censos, sou discriminado. Obrigam-me a pôr “sem” nenhuma dessas religiões elencadas pelas porcarias estatísticas que não admitem a pluralidade de pertenças. Não há espaço para heréticos nem para panteístas, mas apenas para os filhos dilectos de vários rebanhos do Senhor e para os que reduzem substantivos a adjectivações. E ainda por cima, as minhas crenças são tipificadamente comungadas por milhões e tão identificadas que algumas vezes até foram punidas por ideologias que começaram a assaltar os Estados em 1917 e 1922, já que o Código de Direito Canónico não se me aplica. Muito menos, as várias bulas proibitivas emitidas por certos teólogos oficiais de outra religião do livro, a começada em 622. Partem é do preconceito de considerarem os “sem Deus revelado” como “contra Deus”, isto é, agnósticos, na versão benigna, ou ateus, na versão maniqueísta, mesmo sem fogueira. É a chamada falsificação estatística, sobretudo para quem é tão a favor de Deus que defende o pluralismo dos divinos, mesmo admitindo, como bom pagão, a superioridade de um deus desconhecido e para quem é tão coincidente com os cristãos que vai por aí acima, raiz a raiz, e chega aos estóicos. É por isso que me apeteceu responder como “Protestante”… embora a pergunta seja legalmente facultativa. Mas é teologicamente parva. Isto é, obrigaram-me a mentir para me aproximar da verdade, ao ter de colocar o “sem religião”, quando, regiamente, sou “um homem religioso”… Marxistas, libertinos, liberais, colectivistas, individualistas, ateus, místicos, agnósticos e panteístas que se cuidem. Nenhum da vossa laia chegará a papa, segundo o conterrâneo de Lutero. Vão mas é plantar macieiras!

Abr 16

Basílio Horta+Fernando Nobre=0

Reacções a Basílio Horta+Reacções a Fernando Nobre=O. Não critico nenhum. Compreendo-os. Quem conhece e trabalhou com o Basílio, como eu, sabe que ele nunca foi liberal, pelo que há uma certa coerência pessoal e sistémica neste percurso. Contudo, mesmo que fosse votante no círculo onde ele se apresenta nunca votaria em tal aliança. Sou do contra e sou liberal. Mas desejo-lhe boa sorte.

Segundo consta, Marinho e Pinto não foi convidado a encabeçar as listas de deputados do PS e do BE. É pena. Eu votava nele se estivesse inscrito na minha terra natal e os círculos fossem uninominais. Nunca votaria nele para bastonário da Ordem dos Advogados, se continuasse inscrito na mesma pessoa colectiva com funções delegadas do Estado.

O CDS tem toda a razão: o PCP, o BE, o PSD e o PS é que têm culpa. O PS tem toda a razão: o PCP, o BE, o PSD e o CDS é que têm culpa. O PSD tem toda a razão: o PCP, o BE, o PS e o CDS é que têm culpa. O PCP tem toda a razão: o PS, o BE, o PSD e o CDS é que têm culpa. O BE tem toda a razão: o PCP, o PS, o PSD e o CDS é que têm culpa.

 

Abr 15

Havia uma grande corrupção, na verdade, mas muito menos devorismo do que cepticismo

Fixem este nome: António Maria Pereira Carrilho (1835-1903). Foi o inventor da Caixa Geral de Depósitos, enquanto director-geral da contabilidade pública. Um desses burocratas que deixou nome nas ruas de Lisboa e que, depois da bancarrota de 1892, conseguiu o convénio com os credores estrangeiros em 1902. E que durou 99 anos.

O chefe do governo francês, Ribot, em 1892, em discurso no parlamento de Paris, chegou a falar na necessidade de uma “intervenção colectiva de todas as potências interessadas”. O último pedaço de empréstimo foi pago em 2001 (sic). Regicídio, republiquicídio e ditadura são a consequência directa dessa agiotagem e dessa incompetência. Só que agora a batalha de Marracuene é o ópio Liga Europa em futebol.

“O maior perigo social, mais do que nas deflagrações do petróleo e nas bombas de dinamite, está na tavolagem dos partidos e na política de arranjos; está no emprego dos expedientes e no abandono dos princípios” (Padre Alves Mendes em 1892, na Igreja dos Congregados, no Porto).

“Pior ainda do que as outras votações simuladas, é a vitória obtida à custa da venalidade das consciências, da corrupção dos eleitores e da falsificação do sufrágio livre, por meio de toda a sorte de indignidades” (Jornal O Século, em 1892, depois da bancarrota).

“É de suicidas o povo de Portugal, talvez ele seja um povo suicida” (Miguel de Unamuno, na imagem, ano de 1893, ano um depois da bancarrota).

“O português é constitucionalmente pessimista” (Miguel de Unamuno, 1894, dois anos depois da bancarrota)

“Não há Portugal sem África” (António Ennes, 1895, três anos depois da bancarrota). “O país já não pode com tantas possessões” (José Bento Ferreira de Almeida, ministro que andou à bofetada no parlamento).

“Não é de hoje: é desde há anos que está travado um duelo entre o País e a oligarquia política” (J. Dias Ferreira, quatro anos depois da bancarrota).

“A minha superioridade consiste em ter apenas uma cara…Vossa Excelência, sendo um político, não tem apenas uma” (Joaquim Mouzinho de Albuquerque sobre José Luciano, em 1897, cinco anos depois da bancarrota).

“No poder têm estado verdadeiras quadrilhas de ladrões” (J. Dias Ferreira em 1897, seis anos depois da bancarrota).

“Em volta do governo está-se planeando uma caterva de negócios” (António Ennes, em 1900, oito anos depois da bancarrota, oito anos antes do regicídio)

“Havia uma grande corrupção, na verdade, mas muito menos devorismo do que cepticismo” (José Agostinho, 1902). ‎

“Os governados não respeitam nem estimam quase nunca os governantes, e ao despotismo de cima, respondem com a má vontade e a rebelião de baixo” (Bernardino Machado, 1903). Por outras palavras, uma década perdida depois da bancarrota, mesmo no ano um do acordo com os credores. O regime só vai cair, sete anos depois, e a tiro.

Abr 15

Sócrates na Finlândia

No primeiro ponto do programa da sua visita oficial de 24 horas à Finlândia, José Sócrates visitou uma escola de Helsínquia considerada uma referência no ensino básico.A Escola Básica de Ressu tem 400 alunos, com idades compreendidas entre os sete e os 16 anos, e 37 professores no quadro.

Diz o boletim mentirológico que, na próxima semana, vai haver um arrefecimento acentuado da temperatura, com hipótese de chuva. Ainda bem que não começam já os incêndios de Verão, sem verbas para a gasosa dos contrafogos…

 

 

Abr 14

estamos dependentes de terceiros

Fomos condenados a ir para a guerra colonial, da mesma maneira que o fomos para a descolonização, e a integração europeia da democracia apenas confirmou a integração da EFTA, o plano B do salazarismo de Correia de Oliveira. De qualquer maneira, tanto nos atrasámos na industrialização como na dignidade no trabalho e na solidariedade social.

Brutalmente falando: estamos dependentes de terceiros, isto é, de uma votação finlandesa ou de uma decisão do tribunal constitucional alemão. E os donos dos mercados vão espetando o dente. Ou de como a tese das teorias da conspiração pecuárias, expressas no comício de matosinhos, são mais umas das joão-francadas que nos podem levar ao republiquicídio encavacado…

Os restos dos últimos sovietes, as centenas de milhares de funcionários públicos despedidos pelo irmão Castro em Havana, já se ofereceram para um gigantesco comício que, partindo de Petrogrado, desembarque na antiga província russa em protesto. Fernando Rosas já se ofereceu para desenhar os cartazes…

Olhando o umbigo das nossas misérias, não reparamos que estão reunidos os cinco que mais nos encravaram na concorrência global, alterando o quadro em que se baseou a nossa ilusão de bons alunos: China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul querem ainda ser mais actores. Cá brincamos, eles BRICam. Aliás foi esse o tema da última dissertação de doutoramento que orientei. Não é, Marco?

Depois da irresponsabilidade do PSD, chegou agora a vez da Finlândia. Para sermos a última fronteira, o ex-adjunto de Macário propõe que todos os socialistas da Europa sigam o exemplo da procissão do senhor de Matosinhos: “já espatifei o meu Nokia, mandei vir um Blackberry dos BRICs”

Troika afinal não são 3, mas 3…3. É o chamado problema do gago. E a passagem da Santíssima Trindade à idade de Cristo, quando foi crucificado. Prefiro Isaac Newton, que colocou o 33 como ponto máximo de temperatura, quando a água ferve. Pode ser que a tampa salte. Para quem tem coluna e não torce, a imagem da 33ª vértebra é mais esperançosa. Tem a ver com o osso dito sacro…

 

Abr 14

Depoimento a Visão

“Domina o hipócrita, o manhoso, o chico esperto. Dominam os inquisitorialismos. A rivalidade ganha mais dureza nos cavaquistões e nos círculos de jobs for the boys” (JAM, in Visão de hoje, p. 36)

Abr 14

O meu programa eleitoral

Imediata restauração do sistema de igualdade de oportunidades no sistema de ensino público, concordatário, comunitário e privado, pelo regresso à dignidade do professor e do aluno, com plena autonomia das escolas.

Mobilização para o povoamento do território e pela luta contra a desertificação, eliminando os espiritos capitaleiros tanto a nível central como na província.