Abr 13

O mal de Portugal não são os Portugueses

Um português é presidente da Comissão Europeia. Já foi primeiro-ministro. Outro, é vice-presidente do BCE, já foi governador do Banco de Portugal. O primeiro é do PPE/PSD. O Outro do PS. Ambos ex-grandes líderes. E o actual dono do FMI na Europa, de quem parte dos negociadores são subordinados, já foi vice-presidente do PSD. Os três foram nossos partidocratas. Menos bons aqui, bem melhores lá fora.

Cavaco, Sócrates e Passos Coelho têm tido, inevitavelmente, contactos com Barroso, Constâncio e o homem do FMI para a Europa, Borges. Estas coisas estão bem mais oleadas do que aquilo que parece. Todos eles já podem antever aquilo que vai ocorrer. Todos são farinha do mesmo saco.

O mal de Portugal não são os Portugueses, mas o que não nos deixam ser portugueses à solta… Inventaram regras, plenas de vírgulas, que começam por não serem cumpridas por aqueles que as fazem. Inventaram aparelhos de vigilância para regras que não são réguas, em nome da empregomania. Inventaram litigâncias para que os litigantes gastem a palavra pelo mau uso e a prostituam pelo abuso.

Quando D. João VI regressou a Lisboa, por pressão das Cortes, foi recebido com uma grande manifestação que dava sucessivos vivas ao povo soberano. O bom rei, esfomeado, mesmo em manif, dava gosto ao vício, de papar coxas de galináceo jovem. E lá terá dito: “eles são soberanos, mas eu é que trinco o frango”. Foi o que me ocorreu, quando ouvi o apelo de Barroso ao sentido de responsabilidade.

Uma sugestão às oposições: podem fazer uma coligação negativa como em 1895, não ir às urnas e fazer do palácio de São Bento novo “solar dos barrigas”. Há sempre esta bomba atómica, mais eficaz que a dissolução belenense. O FMI, o BCE e a CE logo nos internariam num comício matosinhense, com sucessivos apoios acima dos 90%. E as finanças poderiam continuar com contas sem ser à moda do Porto, com Renato Sampaio.

 

Abr 13

O mal de Portugal não são os Portugueses

Um português é presidente da Comissão Europeia. Já foi primeiro-ministro. Outro, é vice-presidente do BCE, já foi governador do Banco de Portugal. O primeiro é do PPE/PSD. O Outro do PS. Ambos ex-grandes líderes. E o actual dono do FMI na Europa, de quem parte dos negociadores são subordinados, já foi vice-presidente do PSD. Os três foram nossos partidocratas. Menos bons aqui, bem melhores lá fora.

Cavaco, Sócrates e Passos Coelho têm tido, inevitavelmente, contactos com Barroso, Constâncio e o homem do FMI para a Europa, Borges. Estas coisas estão bem mais oleadas do que aquilo que parece. Todos eles já podem antever aquilo que vai ocorrer. Todos são farinha do mesmo saco.

O mal de Portugal não são os Portugueses, mas o que não nos deixam ser portugueses à solta… Inventaram regras, plenas de vírgulas, que começam por não serem cumpridas por aqueles que as fazem. Inventaram aparelhos de vigilância para regras que não são réguas, em nome da empregomania. Inventaram litigâncias para que os litigantes gastem a palavra pelo mau uso e a prostituam pelo abuso.
Quando D. João VI regressou a Lisboa, por pressão das Cortes, foi recebido com uma grande manifestação que dava sucessivos vivas ao povo soberano. O bom rei, esfomeado, mesmo em manif, dava gosto ao vício, de papar coxas de galináceo jovem. E lá terá dito: “eles são soberanos, mas eu é que trinco o frango”. Foi o que me ocorreu, quando ouvi o apelo de Barroso ao sentido de responsabilidade.

Uma sugestão às oposições: podem fazer uma coligação negativa como em 1895, não ir às urnas e fazer do palácio de São Bento novo “solar dos barrigas”. Há sempre esta bomba atómica, mais eficaz que a dissolução belenense. O FMI, o BCE e a CE logo nos internariam num comício matosinhense, com sucessivos apoios acima dos 90%. E as finanças poderiam continuar com contas sem ser à moda do Porto, com Renato Sampaio.

Abr 13

Passos contra Portas

Portas contra Passos foi mais animado que Jerónimo contra Louçã. Apesar do domínio de bola da retórica de Paulo, na primeira parte, o excesso de demagogia acabou nos últimos minutos por voltar o feitiço contra o feiticeiro, propondo reformas que só com o acordo do PS podem ser levadas a cabo.

 

Portas usou de tricas e de truques, não fez o jogo da convergência, repetindo subliminarmente os argumentos da centra de propaganda do PS contra Passos que é tipo de muita paciência… mesmo vendo no adversário à direita, jogadas de extrema-esquerda e do centro. De direita, só mesmo o aumento do número de polícias!

 

Nenhum falou em pobreza, corrupção, cidadania ou democracia. São coisas de somenos para os candidatos à ministerialidade.

 

Portas conseguiu colocar Passos numa situação onde até pareceu que foi este a governar o país nos últimos seis anos! Até o reduziu a muleta de Sócrates…

 

Portas também foi ultraliberal quando apresentou um programa pluri-anual de rescisões por mútuo acordo na função pública, mas “com indemnizações atractivas”. Acabou de inventar o neoliberalismo da atracção!

 

Portas é a imaginação sem memória… Ainda me lembro da última proposta que ele fez no debate da reforma eleitoral promovido pelo ministro António Costa: aplicação do sistema eleitoral francês a duas voltas…por acaso foi à minha frente e numa universidade onde ele era director do respectivo centro de sondagens

 

Passos continua empaturrado em TSU. Felizmente, na política, não existe apenas aquilo que pode medir-se

 

Há uma única ideia de Portas que subscrevo. Não extingam municípios nem freguesias, extingam apenas juntas e órgãos municipais…

 

Por outras palavras, Portas quase se colocou numa posição de não poder ser parceiro de governo do PSD, a não ser que este tenha muita prudência e paciência, para não dizer coisa de que se arrependa…

 

Catroga diz que foi de férias, que pena! Os meus colegas do comentário, na sua maioria, e os jornalistas políticos, quase todos, são consensuais quanto à genialidade de Portas. Prefiro continuar a estar em minoria, nesta ronda elogiosa para a direita que convém à esquerda e que continua a ser um dos pilares essenciais do situacionismo.

 

Ambos são dois parceiros da mesma multinacional partidária da Europa e dois dos três subscritores do sistema de resgate do protectorado dos credores, mas ambos tentaram fingir um “mix” feito de metáforas onde entram coxos e muletas.

 

Ou de como, mesmo com Catroga já em férias, se fingiu um “mix” em dois tempos, com sobremesa de Portas adiantada em claras de demagogia, mas com Passos a levar a melhor na digestão da verdade

Abr 12

À laia de testamento colectivo

Não passo de uma pequena minoria constituída apenas por mim mesmo e pelos que me honram ao ouvir-me ou ler-me, incluindo os que discordam do que penso ou digo. Mas sinto que, por estes dias, se jogam destinos comunitários de séculos, isto é, das sucessivas refundações do Portugal político, coisas bem superiores a orgulhos individuais ou opções ideológicas de grupos. Infelizmente, sendo do contra face aos bonzos dominantes , não alinho nos endireitas e nos canhotos que os têm perpetuado. E como tal tenho pensado e tenho dito. Especialmente quando os resultados da nossa economia e das nossas finanças conduziram ao presente desastre e os resultados políticos previsíveis ameaçam a cereja do impasse nas próximas eleições. Os actores políticos portugueses, entre presidentes e ex-presidentes, e partidos, têm tanta culpa quanto os chamados fazedores de opinião e comentadores chamados ao microfone, à escrita e ao écran, entre os quais me incluo. Todos tememos ultrapassar o conservadorismo do que está, porque todos temos medo. Por outras palavras, ainda estamos no dia 24 de Abril de 1974. Estupidamente sós.

Abr 12

À laia de testamento colectivo

Não passo de uma pequena minoria constituída apenas por mim mesmo e pelos que me honram ae ouvir-me ou ler-me, incluindo os que discordam do que penso ou digo. Mas sinto que, por estes dias, se jogam destinos comunitários de séculos, isto é, das sucessivas refundações do Portugal político, coisas bem superiores a orgulhos individuais ou opções ideológicas de grupos.
Sou dos que sempre discordou politicamente de Cavaco Silva. Apenas me lembra de ter votado PPD com primeiro Sá Carneiro. Nunca fui de esquerda. Não odeio o Partido Socialista, onde tenho dos melhores amigos. Já votei PCP, algumas vezes. E não tenho condições de saúde para poder voltar a ser actor político, mesmo secundário, como sempre fui. Mas não desisto do civismo. Daí persistir como homem revoltado.
Diferentemente de Passos Coelho e de Fernando Nobre, sou um liberal assumido e, se houvesse um partido que como tal pensasse e actuasse, estava condenado a nele me inscrever como soldado. E nem sequer tenho de inventar nada: alinho perfeitamente naquele que é o terceiro maior grupo político europeu, o que não está tão está tão à direita como o PPE, nem tão à esquerda como os socialistas europeus.
Infelizmente, sendo do contra face aos bonzos dominantes do PSD e do PS, não alinho nos endireitas e nos canhotos que os têm perpetuado. E como tal tenho pensado e tenho dito. Especialmente quando os resultados da nossa economia e das nossas finanças conduziram ao presente desastre e os resultados políticos previsíveis ameaçam a cereja do impasse nas próximas eleições.
Os actores políticos portugueses, entre presidentes e ex-presidentes, e partidos, têm tanta culpa quanto os chamados fazedores de opinião e comentadores chamados ao microfone, à escrita e ao écran, entre os quais me incluo. Todos tememos ultrapassar o conservadorismo do que está, porque todos temos medo. Por outras palavras, ainda estamos no dia 24 de Abril de 1974. Estupidamente sós.

Abr 12

À laia de testamento colectivo

FMI: previsões sobre a recessão. Estamos ao lado da Grécia e da Costa do Marfim, mas em breve largaremos este pelotão, para mais recessão. Fico envergonhado. Espero que a PGR nos salve dando seguimento ao esforço de salvação do mundo expresso pelos economistas J. M. Pureza, José Reis e Manuela Silva. Processemos a terra inteira! Amen!

Não passo de uma pequena minoria constituída apenas por mim mesmo e pelos que me honra de ouvir-me ou ler-me, incluindo os que discordam do que penso ou digo. Mas sinto que, por estes dias, se jogam destinos comunitários de séculos, isto é, das sucessivas refundações do Portugal político, coisas bem superiores a orgulhos individuais ou opções ideológicas de grupos.

Sou dos que sempre discordou politicamente de Cavaco Silva. Apenas me lembra de ter votado PPD com primeiro Sá Carneiro. Nunca fui de esquerda. Não odeio o Partido Socialista, onde tenho dos melhores amigos. Já votei PCP, algumas vezes. E não tenho condições de saúde para poder voltar a ser actor político, mesmo secundário, como sempre fui. Mas não desisto do civismo. Daí persistir como homem revoltado.

Diferentemente de Passos Coelho e de Fernando Nobre, sou um liberal assumido e se houvesse um partido que como tal pensasse e actuasse, estava condenado a nele me inscrever como soldado. E nem sequer tenho de inventar nada: alinho perfeitamente naquele que é o terceiro maior grupo político europeu, o que não está tão está tão à direita como o PPE, nem tão à esquerda como os socialistas europeus.

Os actores políticos portugueses, entre presidentes e ex-presidentes, e partidos, têm tanta culpa quanto os chamados fazedores de opinião e comentadores chamados ao microfone, à escrita e ao écran, entre os quais me incluo. Todos tememos ultrapassar o conservadorismo do que está, porquem todos temos medo. Por outras palavras, ainda estamos no dia 24 de Abril de 1974. Estupidamente sós.

Acto I – Há uma coisa que consegue ligar Sócrates, Portas, Passos, Louçã, Jerónimo e Cavaco: nenhum deles é liberal.

Acto II: Há uma coisa que une todos os primeiros países mais humanamente desenvolvidos do mundo: são produto da civilização liberal.

Acto III: Há uma coisa que, de há muito, devia ser tentada em Portugal: deixarmos de considerar o liberal como pecado.

Acto IV: Quem constituiu o Estado contemporâneo em Portugal foram os que também conquistaram a liberdade: os liberais. Viva Mouzinho da Silveira.

Acto V: Quem trouxe o “Welfare State”, sustentado e realizado, à Europa foi precisamente um liberal, Beveridge. Não foram os leninistas, os trotskistas, os estalinistas e os maoístas.

Acto VI: Ainda bem que, depois, os socialistas se liberalizaram e o assumiram, sobretudo quando passaram a anticomunistas.

Acto VII: Ainda bem que os cristãos se democratizaram, sobretudo depois da Rerum Novarum de 1891.

Acto IX: Ainda bem que democratas-cristãos, sociais-democratas e liberais se aliaram contra o nazi-fascismo, os autoritarismos e os comunismos, e que os “tories” se aliaram aos “whigs”.

Acto X: Infelizmente, em Portugal, continuamos atrasados. Os resultados confirmam-no. Assinado por um liberal que, para poder ser velho-liberal, tem de ser neoliberal. Como Hayek, como Ropke, como Mises, como Popper. Tenho orgulho. Dá bem melhores resultados.

Deu entrada no Tribunal Constitucional germânico uma queixa que visa impedir a Alemanha de participar no resgate a Portugal. Felizmente, a justiça constitucional alemã é lenta. Ainda não decidiu sobre idêntica queixa apresentada por causa do resgate à Grécia. Na altura ainda participámos como resgatadores, sem que algum professor de economia apresentasse o problema à nossa PGR.

Ontem o malhador de serviço foi João Tiago da Silveira. Hoje é Francisco Assis. O PSD ainda não destacou ninguém para repetir as palavras que Luís Amado proferiu sobre a humilhação e vergonha que continuamos a sofrer. Ou para repetir as denúncias de Mário Soares sobre o comício de Matosinhos. O PS continua a lançar os foguetes e a apanhar as canas. Os outros caem na casca de banana e sarmentam sobre Nobre.

Ouço Mário Soares, homem experimentado. Na sua história, um pequeno detalhe. Nunca tinha sido deputado no Parlamento Europeu, mas um dia candidatou-se, na condição de ser logo Presidente do Parlamento Europeu. Foi substituído por quem ele qualificou como mera dona de casa. Agora, dá sentenças como Frei Tomás. É costume, do outro, do que diz e não faz.

Luís Amado, e muito bem, acha que as negociações para a ajuda vão correr bem, porque há boa fé, no plano das relações externas, de Estado a Estados. Quem me dera que, nas relações internas, partido a partido, cidadão a Estado, pudessem ser praticados os mesmos princípios. Se queremos selva cá dentro, mesmo sem árbitro que apite, é inevitável que nos tratem como selvagens. E nos sujeitem à lei da selva.

Hoje não vou escrever mais nada. Li e ainda estou a digerir o último artigo de Henrique Medina Carreira. Pena não poder ouvir a anunciada entrevista dele, logo às nove da noite na SICN. Até eu levei um murro. Vou meditar.

Abr 11

Amanhã chega a Lisboa a “troika”

Amanhã chega a Lisboa a “troika” da Comissão Europeia, BCE, FMI. Antes de tratarem do nosso futuro no silêncio dos gabinetes, passarão pela estátua de Camões, ao Chiado. Desta feita, ela não está coberta de crepes negros. E não renasceu a revolta que levou a fundarmos “A Portuguesa”. Discutimos as árvores, não compreendemos a floresta.

Não sou pela táctica do quanto pior, melhor. As minhas condições de saúde não me permitem ir à luta em todo o terreno. Mas louvo todos aqueles que podem, querem e acreditam, disponibilizando-se para a militância. Incluindo os que, de dentro, ou de fora, pretendem regenerar a partidocracia. Mas não consigo ter a serena análise dos partidocratas sobre a respectiva partidocracia. Estou além.

Sou capaz de arriscar uma previsão: das próximas eleições vai sair um governo de pacto entre os três partidos que integram as duas principais multinacionais partidárias da Europa (CDS, PS e PSD). Mesmo que o partido do actual governo não vença as eleições. Mesmo que, somando os outros dois, não seja alcançada uma maioria absoluta de aritmética parlamentar.

As próximas eleições estão totalmente condicionadas pelo programa de governo que nos vai ser imposto pelos credores. A nossa independência vai voltar a ser gestão de dependências. Mas temos de voltar a ter vontade de sermos independentes. Temos de submeter-nos para sobreviver. Devemos lutar para continuarmos a viver em autonomia política.

“Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las”…. (Alexandre Herculano).

 

Abr 10

Acabou a festa, pá!

Na procissão do senhor, em Matosinhos, foi tudo música celestial. Agora é ” PS mais o FMI”, há menos de uma semana, o “eu não estou disponível para governar com o FMI”.
Ninguém quis ver, ouvir ou ler que, em menos de meio século, fomos, mais uma vez, arrastados, como na guerra e na descolonização, de metrópole e “bom aluno”, a um Portugal-Colónia a pedir que nos ordenem de fora.
Enquanto isto, 47 notáveis dos sucessivos situacionismos manifestavam-se numa espécie de golpe do abaixo-assinado, com Cavaco a tentar exportar a imaginação dos tapetes de Arraiolos para Budapeste.
Mas o comissário do vazio de Europa, Olli Rehn, utilizou, com toda a previsibilidade, a brutal linguagem do ultimatum. Afinal, os catastrofistas e profetas da desgraça eram bem mais suaves do que os cortes a que fomos condenados, piores que os da ditadura das Finanças de 1928.
Por outras palavras, acabou o federalismo sem dor e os palermas da vacina serão apenas súbditos de uma unilateral governação económica da Europa. Acabou a festa, pá! A agit-prop já inventou outra história, alterando o vilão e o enredo.

Abr 10

Do Congresso do PS à candidatura de Fernando Nobre

É por isso que gostei do discurso da Ana Gomes no Congresso de Matosinhos. Posso discordar da respectiva concepção do mundo e da vida e das conclusões que encerra, mas sempre com o coração, mesmo o meu que está preso pela recauchutagem (dis+cordis, onde cordis é coração). São precisos radicais ao centro.

Centro excêntrico é admitir que para haver uma emergência, temos de partir das actuais divergências e convergências para um novo estádio de complexidade crescente e de manutenção da liberdade, com evoluções dentro das posteriores convergências e divergências. O que é preciso é mudar de vida e arriscar, rejeitando os bonzos, os endireitas e os canhotos do vira o disco e toca o mesmo.

O grande erro de todo este sublime espectáculo de propaganda com que durante dois dias fomos bombardeados, entre entradas triunfais, videos delicodoces e hinos de telenovela, está na primeira regra da propaganda: a boa propaganda não pode parecer propaganda. Gasta-se pelo uso e prostitui-se pelo abuso.

Quando há uma enorme distância entre aquilo que se proclama e aquilo que se pratica, a falta de autenticidade pode agravar-se a atingir o clímax da própria burla, quando se finge tão completamente que o próprio fingidor já finge que é a verdade a própria mentira que o mobiliza. Torna-se num clássico da velha ciência policial…

Todo este fundo sabe a enlatado de música de grandes filmes, entre o épico e o romântico. Fica bastante próximo dos anúncios com que a banca portuguesa de negócios nos enredava, na véspera de todos conhecermos a vigarice. Basta o velho gesto do Zé Povinho, o ídolo exposto de qualquer merceeiro: “se queres fiado, toma!”.

“A nossa agenda não é uma caixinha de surpresas”. Pois, não! Está na bagagem de quem vai desembarcar na terça-feira…

“Portugal foi arrastado para uma crise política e sabemos quem provocou essa crise, foram todos os partidos da oposição”. Toma!

“Provocaram essa crise por ambição do poder a qualquer custo”. Malandros! Querem o que eu tenho!

“O país foi arrastado para a ajuda externa”. Vocês, malandros, não podem fugir às responsabilidades! A crise era evitável se me passassem um cheque em branco!

O país do chico esperto e do analfabeto educado, exulta!

“Elevação política e sentido de estado”. Basta estar no palanque!

Garantir o essencial, só comigo! Eu sou o seguro, eu sou o Estado! Tenham medo das oposições!

Eu sou a fonte do conhecimento e da inovação! Conto com o vosso ânimo e a vossa determinação. Até com os jovens! O domínio do inglês e o controlo dos computadores!

E as mulheres, as mulheres portuguesas, a causa da igualdade e o aborto e o casamento de homossexuais e o combate à violência doméstica! Os objectivo central do nosso próximo governo! E o complemento solidário para idosos! Sim os velhinhos, os aposentados e os mortos que ainda votam!

E saúdo também os emigrantes. Os que residem e os que não residem em Portugal!

O país só vai vencer se eu vencer! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo!

A oposição pode ter feito cair o governo , mas fez levantar o PS e vai fazer levantar o país. Contem comigo que eu conto contigo! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Depois, os foguetes enlatados da musiqueta. Com direitos pagos à Sociedade de Autores….

É a fome, devem querer ir almoçar. Nem sequer ficaram para o hino nacional (comentário dos comentadores aos velhinhos que corriam para o autocarro, abandonando a sala).

A primeira e devida resposta ao situacionismo. Fernando Nobre é o cabeça de lista de Passos Coelho em Lisboa. E o candidato do PSD a segunda figura de Estado. Confirmado. Até por mim. Desde segunda-feira passada. Sem fuga de informação. O que é bom sinal.

Caras amigas e amigos,

Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do Dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a Presidente da Assembleia da República….

Uma hora de resposta de Pedro Passos Coelho. Ou o inesperado do tempo de antena. Bem-educado pode ser duro. Os dados estão lançados. Para nos recentrarmos não parece haver meio-termo. A primeira resposta já foi dada. Aguarda-se a de Portas, do PCP e do Bloco. Afinal, a campanha vai ser diferente.

Lá se foi um dia de vertigem, onde os factos políticos que escaparam ao controlo dos criadores de factos e aos autores dos guiões do “agenda setting”. Basta até notar como o golpe de abaixo-assinado dos 47 acabou por não poder ser devidamente usado por quem o pretendia manipular instrumentalmente, o PS, onde não é simples acaso a coincidência com a maioria dos notáveis coordenadores.

Abr 09

Congresso do PS em Matosinhos

Sócrates, com tangas, lá vai dançando o tango, mesmo sem tanga. Há seis anos que na prática a teoria é outra. Está gasto pelo mau uso.

Portugal já não tem que se preocupar: uma assembleia de notáveis dos sucessivos situacionismos do regime, agregando o “prós e contras” e a “quadratura do círculo”, patrocinada pelos ex-treinadores do Conselho de Reitores e do Palácio de Belém, bem como pelos restos das respectivas comissões de honra já pensou tudo por nós, já decidiu tudo por nós. É o golpe do abaixo-assinado.

Estamos no abismo, a situação é trágica, passamos uma vergonha. Palavras de Luís Amado, há bocado. Também subscrevo a frase que ele deixou escapar: “posso não gostar do engenheiro Sócrates…”. Mas…

“Se o PS vencer, é Portugal que vai ganhar as próximas eleições” (Expressão cesarista, ouvida mesmo agora).

Lá vou continuando a ouvir o congresso de Matosinhos. Pelo menos dá-nos música. E revela uma faceta desconhecida de Sócrates: um apresentador de discursos de comício. Excelente desempenho, na apresentação de Assis e de Ferro.

«Ó Zé, estão a revelar um mal disfarçado receio de se defrontar contigo nas eleições» (uma expressão no comício de Matosinhos de um dos 47 notáveis)

O homem não é adepto da agenda liberal. É mesmo liberal. Doutorou-se em Oxford com “Corporatism and Industrial Competitiveness in Small European States” (1996)

O chefe da oposição com Manuel Maria Carrilho ao lado, denunciando o que se passou no Congresso de Matosinhos.