Um novo Pacto Sociedade Civil/ Partidos

A democracia é cara, desde a subvenção pública aos partidos aos próprios custos dos actos eleitorais, mas só será um desperdício se não for um investimento estrutural na cidadania. Logo, as despesas na procura da vontade geral, quando cada um decide conforme fosse o todo, abdicandos dos interesses próprios que costuma manifestar em actos de sondajocracia, que apenas medem a vontade de todos e não pode ser fonte de soberania, serão insuportáveis se o sufrágio for condicionado e não atingir as raias do “fair and free”. Onde o primeiro termo é menos do que o justo, equivalendo apenas a uma exigência de não concorrência desleal, mesmo que a liberdade continue condicionada pela partidocracia vigente. Apesar de tudo, podemos chegar, como já nos aconteceu, à plenitude libertadora de um golpe de Estado sem efusão de sangue, como Karl Popper definia as mudanças democráticas. Basta que as próximas nos tragam “new deal”, um diálogo entre adversários, assente em lugares comuns que nos restaurem a coisa pública, onde o aparelho de poder se abra à sociedade civil, ultrapassando a mentalidade de sociedade de corte, onde certos escolhidos escolhem os que os escolheram, segundo o ritmo das castas, onde a farsa das eleições macrocéfalas seria algo a decepar, neste despesismo sem dor e muita música celestial em que nos vamos gastando.

Comments are closed.