Set 06

Farpas

Em oito meses deste ano foram batidos todos os recordes. Em Vila Franca de Xira já deram pela falta de 166 tampas de esgoto e de 52 grelhas de sumidouros. E um munícipe detectou tampas de esgotos e grelhas de sumidouro com a inscrição dos SMAS de Vila Franca de Xira numa urbanização de São João do Estoril…Pudera! O que passa por baixo é o mais do mesmo…

 

A única solução para a nossa solvência está na criação de um mercado público de feiras da ladra. Fica mais barato pedir ao desviador que devolva à procedência a chapa transviada. É tudo mera questão de consultadoria estratégica.

Só alguém do Olhanense que sempre foi apoiado pelo Boavista teria a coragem de proclamar: «Esta seleção demonstrou que algo está errado no futebol português, quando mais de 50 por cento dos jogadores que actuam em Portugal são estrangeiros». Descontando essa do comunitário, também é verdade que três quartos da nossa selecção de seniores actua no estrangeiro. Que saudades eu tenho do Eusébio, quando ele era nacional!

 

Gostava mais do Benfica quando só juntava lusitanos, angolanos e moçambicanos. Por isso é que sou do Benfica, quando ele era campeão europeu com tanta mobilização africana.

 

Agora é Sporte Lisbona y Bienfica, que Jesus é universal e Vieira importador qualificado…

 

Bella Gutmann e Otto Glória sabiam fazer o belo Sport Lisboa e Saudade. Um era exilado húngaro anticomunista e outro, da CPLP…

 

Set 05

Farpas

Se ainda houvesse especialistas em direito das gentes, poderíamos dizer que o “Pacta sunt servanda” obriga a que o contrato com a troika seja para cumprir. Mas como tudo depende da força das circunstâncias e da alteração anormal das ditas, vigora o “rebus sic stantibus” e as excepções confirmam a regra. Logo, soberano é aquele que decide em circunstâncias excepcionais. Por outras palavras, já vivemos sitiados e ninguém declarou o estado de sítio

Consta que Passos Coelho tem um plano B: chamar ao governo, em regime de salvação pública, Vasco Graça Moura, Marques Mendes, Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Lobo Xavier e Pires de Lima, assim substituindo os indepedentes, até agora usados como “éclaireurs” do processo estratégico..

 

Set 05

Se o velho nos voltou a comandar…nada como regenerar

Acabei de receber do Instituto de Linguística Teórica e Computacional, com a data de maio de 2011, e numa edição conjunta de dois defuntos, o Ministério da Educação e do Ministério da Cultura, mais um esqueleto que estava no armário. Foi oficialmente distribuído, com data de 1 de Setembro, aos docentes públicos da minha área, com um “encarrega-me” uma sua Excelência. Vou transgredir, naturalmente, a regra da normalização ortográfica determinada para o presente ano leitívago.

 

Até o meu próprio nome é um erro ortográfico e todo meu eu um processo de anormalização em curso.

 

Não é por acaso que o acordo está em vigor desde 13 de Maio de 2009 e que a coisa vai entrar a doer a partir do ano dito do princípio do fim de dois mais uma dúzia, logo em Janeiro, nos aparelhos de Estado, da folha da república à legislação. A minha prima já me disse que a vizinha da tia montou vários cursos de formação de verba incerta para missionar os funcionários que queiram ser bons alunos…não é caricatura…já mexem.

 

Dei mais umas voltas investigativas e depressa me foi dado concluir como os aparelhos do Estado paralelo se cogumelizam. Para bom entendedor, adepto da extinção do que torna obscuro o que devia ser claro e que não abrange apenas as empresas municipais, mas também as parcerias público-públicas.

 

Bastava um simples despacho de Mouzinho da Silveira.

 

Se o velho nos voltou a comandar…nada como regenerar

Set 04

Castelo de Vide

Ouvi atentamente nosso Primeiro em Castelo de Vide, terra de Garcia da Orta, Mouzinho da Silveira e Salgueiro Maia, dizer que o grupo reunido e a quem distribuiu diplomas, era de escolhidos e que sabia escolher. Junto deixo, parte das fichas do almanaque perpétuo, onde se demonstra que o ano de 2012 vai ser o da regeneração.

 

Acompanhei esta tarde a autobiografia de Nicolae Ceausescu, depois de Passos Coelho anunciar que podemos salvar a União Europeia, cumprindo a troika como bons alunos, e antes de Jerónimo, na Festa do Avante, reafirmar a épica do marxismo-leninismo. Assim entalado, sou obrigado a pedir ao mundo que nos reconheça como reserva cultural da humanidade. O presidente de Cavaco ainda pode inaugurar esta nova epopeia salvífica de tantos homens de fé. Eu duvido e já nem sei se existo.

 

Os técnicos da Entidade das Contas (que fiscaliza a contabilidade dos partidos) estiveram neste fim-de-semana na Quinta da Atalaia. Desconhece-se se os da ASAE consideraram a festa como fazendo parte da emergência social, não reduzindo a festa do Avante ao encontro metafísico do Padre Fontes em Montalegre… Também não foram a Castelo de Vide, apesar da anunciada presença de António Barreto…

Set 04

Rapinas

O Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) está a ponderar adoptar medidas para controlar a reprodução de abutres em Portugal, que está a ameaçar outras aves protegidas devido à escassez de alimento. Não é sobre esta matéria que vai incidir o discurso de Passos Coelho, hoje, não quer abordar a questão das rapinas.

 

Fouveiro equivale a ruivo. Nos cavalos, é malhado de branco. Uma parte voa, a outra circula na terra com garras. Sempre à sombra da mesma árvore.

 

O planeamento dito científico que alargou a casta dos grifos sempre foi directamente proporcional ao mediático que incidiu sobre o tema. E nem sequer deu raia, que eu gosto dela no prato.

Set 04

Do abuso de poder, secretas, eliteiros e marechais

Parafraseando Montesquieu, podemos dizer, das secretas, que um qualquer homem que aí tenha poder tende a abusar do poder que tem. Vai sempre até onde encontra limites. Porque, cada poder é um acelerador e só se controla se houver eficácia do travão ou dos contrapoderes. O problema não está em saber quem manda, mas antes em saber como se controla o poder dos que mandam.

900 no activo. Não sei quantas vezes mais os que nestas e noutras passaram. Mais outros tantos que se reproduziram noutros sectores como consultores. E uma mancha enorme de candidatos e alunos que os desempregados, reformados e aposentados das primeiras propagam, para gáudio dos palermas que acharam que tal actividade lhes daria prestígio. Tomara eles agora meterem tudo debaixo do tapete. Sem contar com os informadores que receberam adequado prémio e os inquisidores que com isso gastaram tempo do Estado em processos, inquéritos e notas oficiosas, sem falarmos em viagens de turismo científico.

Muitos nem sequer consultaram o que João Paulo II escreveu sobre o famoso “Estado de Segurança Social”. Na doutrina social da Igreja é o que, em linguagem da Festa do Avante, significa “fascismo”.

E há, tal como houve, gente de esquerda que deglutiu a pílula, em nome do cientificismo. Tinha sotaque brasileiro.

Líderes esquizofrénicos também os há em democracia pluralista, sobretudo pela vontade de servi-los, entre os que os rodeiam e sabem que só sobrevivem pela adulação e pela persiganga. Felizmente, quando há opinião livre e pluralista, acabam despedidos, através de adequados golpes de estado sem efusão de sangue, como são as eleições. O problema persiste nos pequenos quintais onde só votam os da respectiva corte, habituados ao chiqueiro. Uso corte com um acento no ó, que a da mesma origem etimológica da outra. Porque há muitos micrro-autoritarismos sentados à mesa do orçamento que ainda se deglutem desse esterco.

O que se passa nas secretas, acontece em espaços democráticos de poderes absolutos provenientes de maiorias ditas democráticas, como em regiões, autarquias, universidades e institutos, sempre em nome da virtude, onde os invocados bons fins justificam todos os meios, incluindo os dos tratantes e dos delatores, com más experiências nas secretas.

Já li no quiosque do Liceu Camões, de cadela à trela, o público jornal “Público”. Fiquei a saber que o que se passa à volta dos serviços de informações, para ser mais preciso, e onde, afinal, há apenas trezentos gloriosos, conforme precisão de Jorge Silva Carvalho, aqui, é o costume de círculos concêntricos de um nevoeiro promovido pela inveja igualitária dos pretensos eliteiros que se auto-reproduzem em sucessivas clausuras fechadas que continuam na venda de  ilusões, a coberto de muitos marechais frustrados.

Set 03

Farpas

Os ministros que marcam o ritmo da governança são quase todos independentes, isto é, não fizeram campanha eleitoral democrática do PSD. São quase todos tão fora do partido quanto os que mais holofotes têm na dita universidade de Verão do principal partido no poder. Não é preocupante, porque apenas confirma a falta de rumo deste acaso onde a única certeza é o programa negociado por Sócrates com a troika.

Li, com cuidado, a notícia do Expresso sobre a suspeita de desnorte numa das secretas e nas operadoras de telemóveis. O a-nível é equivalente à linguagem militar de Ricardo Carvalho que, apesar de seleccionado pela futebolítica, não foi titular do posto de defesa central. Paulo Bento, apesar de tudo, ganhou, neste processo de global madailização em curso.

Subscrevo o que analisa o ministro Gaspar. Só que ele não é o país. Pode ter a ilusão de ser subscrito por uma aritmética parlamentar, mas torna-se dramática a falta de adequada geometria política. Tal como o anterior gabinete PS não foi previamente legitimado para negociar o acordo com a troika, também esta maioria governamental não teve contrato do povo para ir além da troika. Logo, resta a procura de um consenso maior.

Set 03

O gaspar-alvarismo

Começou a esboçar-se a oposição central ao gaspar-alvarismo. Soares, na universidade de Verão da JSD denuncia a política europeia de chapéu na mão. Manuela Ferreira Leite chama ineficaz e injusta à política fiscal. E Seguro quer comandar a brigada ligeira da classe média. Santana fica misericordioso. E Jardim prefere ser acordado.

 

O romance entre Jorge Silva Carvalho, director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) até Novembro de 2010, e o PSD acabou mal por uma única razão. A denúncia feita pelo “Expresso” das fugas ilegais de informações para a Ongoing, empresa que o contratou mal saiu do SIED, aconteceu poucos dias antes de ser oficial a nomeação (escreve António Ribeiro Ferreira no “i”)

 

Pires de Lima e Lobo Xavier criticam subidas de impostos e a falta de cortes no Estado, enquanto há já deputados que fazem perguntas difíceis ao ministro das Finanças (D. Noticias)

 

““Primeiro criam a pobreza e aumentam o número de pobres, depois a partir do estado de pobreza avançam com medidas parcelares, recuperação do conceito da ‘sopa do Sidónio’, do medicamento fora de prazo que sendo para pobre não interessa a consequência, mesmo nas cantinas de refeição para pobres dispensa-se a fiscalização da ASAE” (Jerónimo).

 

Antigo ministro do PSD prevê “desgraça futura” na Saúde (Renascença).

 

Uma equipa da Direcção-geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo (DGAIEC) confiscou ontem à tarde, no Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, licores e bebidas alcoólicas sem selo.

Set 02

O unidimensionalizador da percentagem

O corte cego pode não nos livrar do nó Górdio, dado que o pecador se ri do justo e o incompetente, do competente. A laminagem rebarbadora tanto leva o trigo como o joio, dado que não sabe distinguir a erva daninha da que foi carinhosamente semeada. Não se fez adequada selecção dos seleccionadores, porque os olheiros já não são o que foram, estão vesgos e embarrigados pelo tacho nomeativo! Está tudo encravado entre o martelo e a bigorna, em pancadaria automática dos prensadores de lixeiras.

O unidimensionalizador da percentagem e da ficha planeamentista é a velha herança do marxianismo que a social-democracia abriga, nomeadamente com os convictos do militantismo pelo militantismo, onde se irmanam ex-estalinistas e outros tantos vitalismos de sinal contrário que costumam colorir o cadáver adiado do Estado em movimento, mesmo que lhe chamem Europa, FMI ou o raio que os parta.

 

Se eu corto os mesmos xis por cento no tecido cancerígeno e no que cria riqueza e imaginação criativa, estou a dizer que vamos ser todos rapidamente contaminados, a começar pelos talhantes e curandeiros que vão executar o programa. O problema não está na tesoura. Está em saber o que se quer e o que se crê.

Entre canhotos e endireitas, riem os bonzos, porque pensaram que têm no papo os liberais a retalho, feitores dos ricos, e os demagogos da sensibilidade social que foram benzidos pelo senhor abade. E ai do remoinho da incompetência que apenas se fia no luzidio de um evento, gerido por caixeiros viajantes que passam bem nos holofotes da mediacracia. A “aurea mediocritas” tem um “ó” e só com adequado espírito ecologista…

 

Dantes, em vez de caixeiros viajantes, o estilo era mais Zara, isto é, delegado de propaganda médica, especialista em conto do vigário.

 

Agora, com os anéis todos no prego, era mostrar com o dedo indicador, que ainda há dedos mindinhos que podem esgaravatar a cera das orelhas e até estão contra os eurobondes…

O académico Vítor Gaspar é tão irrepreensível quanto o seu homónimo tecnocrata e, para sermos justos, ambos têm alto nível. Só que um ministro, para ser político, como é o seu dever, não pode apenas fingir que não é politiqueiro. Sob pena de continuarem a brilhar deputados bolcheviques como Honório Novo. Até Vasco Graça Moura e Marques Mendes já começam a aperceber-se da fúria dos laranjinhas.

 

Todos começam a dizer o tudo e o seu nada, para que jardim seja mais um pilar da ponte do tédio, entre o desvio e o colossal…

Set 01

Falta reunir os pedaços partidos e refazer o ideal da pátria

Num tempo de “tecnocratas colectores de fichas”, importa recordar aos troikados que “governar um país é pilotar o futuro com engenharia de sonhos, por isso é que a política vai regressar mais depressa do que parece porque o problema das fichas vai ser confrontado com os maus resultados ” .

 

“Hoje sente-se que falta reunir os pedaços partidos e refazer o ideal da pátria”

José Adelino Maltez numa conferência sobre Manuel Fernandes Tomás

“Manuel Fernandes Tomás é um símbolo a cultivar com muito carinho”. Esta foi uma das muitas mensagens deixadas pelo professor José Adelino Maltez, no CAE, numa conferência subordinada ao tema “Fernandes Tomás e a Liberdade Portuguesa”, que se realizou a 24 de Agosto, data em que se homenageia o figueirense conhecido por “Patriarca da Liberdade”, pela sua intervenção na Revolução Liberal de 1820.

Adelino Maltez sublinhou que está em causa Fernandes Tomás e toda uma geração que compôs o movimento Sinédrio, nomeando também Gomes Freire e Mouzinho da Silveira. “O estado contemporâneo é uma construção desta geração”, disse. O professor realçou várias características de Manuel Fernandes Tomás que são pouco faladas, como ter sido “um brilhante servidor do Estado”, a participação na expulsão dos franceses do Forte de St. Catarina em 1808, não esquecendo outros heróis como José Bonifácio de Andrade e Silva ou Hipólito José da Costa.

Excerto da Noticia – Edição de 31 de Agosto de 2011