E em todos os censos, sou discriminado. Obrigam-me a pôr “sem” nenhuma dessas religiões elencadas pelas porcarias estatísticas que não admitem a pluralidade de pertenças. Não há espaço para heréticos nem para panteístas, mas apenas para os filhos dilectos de vários rebanhos do Senhor e para os que reduzem substantivos a adjectivações. E ainda por cima, as minhas crenças são tipificadamente comungadas por milhões e tão identificadas que algumas vezes até foram punidas por ideologias que começaram a assaltar os Estados em 1917 e 1922, já que o Código de Direito Canónico não se me aplica. Muito menos, as várias bulas proibitivas emitidas por certos teólogos oficiais de outra religião do livro, a começada em 622. Partem é do preconceito de considerarem os “sem Deus revelado” como “contra Deus”, isto é, agnósticos, na versão benigna, ou ateus, na versão maniqueísta, mesmo sem fogueira. É a chamada falsificação estatística, sobretudo para quem é tão a favor de Deus que defende o pluralismo dos divinos, mesmo admitindo, como bom pagão, a superioridade de um deus desconhecido e para quem é tão coincidente com os cristãos que vai por aí acima, raiz a raiz, e chega aos estóicos. É por isso que me apeteceu responder como “Protestante”… embora a pergunta seja legalmente facultativa. Mas é teologicamente parva. Isto é, obrigaram-me a mentir para me aproximar da verdade, ao ter de colocar o “sem religião”, quando, regiamente, sou “um homem religioso”… Marxistas, libertinos, liberais, colectivistas, individualistas, ateus, místicos, agnósticos e panteístas que se cuidem. Nenhum da vossa laia chegará a papa, segundo o conterrâneo de Lutero. Vão mas é plantar macieiras!
Author Archives: jamaltez
Basílio Horta+Fernando Nobre=0
Reacções a Basílio Horta+Reacções a Fernando Nobre=O. Não critico nenhum. Compreendo-os. Quem conhece e trabalhou com o Basílio, como eu, sabe que ele nunca foi liberal, pelo que há uma certa coerência pessoal e sistémica neste percurso. Contudo, mesmo que fosse votante no círculo onde ele se apresenta nunca votaria em tal aliança. Sou do contra e sou liberal. Mas desejo-lhe boa sorte.
Segundo consta, Marinho e Pinto não foi convidado a encabeçar as listas de deputados do PS e do BE. É pena. Eu votava nele se estivesse inscrito na minha terra natal e os círculos fossem uninominais. Nunca votaria nele para bastonário da Ordem dos Advogados, se continuasse inscrito na mesma pessoa colectiva com funções delegadas do Estado.
O CDS tem toda a razão: o PCP, o BE, o PSD e o PS é que têm culpa. O PS tem toda a razão: o PCP, o BE, o PSD e o CDS é que têm culpa. O PSD tem toda a razão: o PCP, o BE, o PS e o CDS é que têm culpa. O PCP tem toda a razão: o PS, o BE, o PSD e o CDS é que têm culpa. O BE tem toda a razão: o PCP, o PS, o PSD e o CDS é que têm culpa.
Havia uma grande corrupção, na verdade, mas muito menos devorismo do que cepticismo
Fixem este nome: António Maria Pereira Carrilho (1835-1903). Foi o inventor da Caixa Geral de Depósitos, enquanto director-geral da contabilidade pública. Um desses burocratas que deixou nome nas ruas de Lisboa e que, depois da bancarrota de 1892, conseguiu o convénio com os credores estrangeiros em 1902. E que durou 99 anos.
O chefe do governo francês, Ribot, em 1892, em discurso no parlamento de Paris, chegou a falar na necessidade de uma “intervenção colectiva de todas as potências interessadas”. O último pedaço de empréstimo foi pago em 2001 (sic). Regicídio, republiquicídio e ditadura são a consequência directa dessa agiotagem e dessa incompetência. Só que agora a batalha de Marracuene é o ópio Liga Europa em futebol.
“O maior perigo social, mais do que nas deflagrações do petróleo e nas bombas de dinamite, está na tavolagem dos partidos e na política de arranjos; está no emprego dos expedientes e no abandono dos princípios” (Padre Alves Mendes em 1892, na Igreja dos Congregados, no Porto).
“Pior ainda do que as outras votações simuladas, é a vitória obtida à custa da venalidade das consciências, da corrupção dos eleitores e da falsificação do sufrágio livre, por meio de toda a sorte de indignidades” (Jornal O Século, em 1892, depois da bancarrota).
“É de suicidas o povo de Portugal, talvez ele seja um povo suicida” (Miguel de Unamuno, na imagem, ano de 1893, ano um depois da bancarrota).
“O português é constitucionalmente pessimista” (Miguel de Unamuno, 1894, dois anos depois da bancarrota)
“Não há Portugal sem África” (António Ennes, 1895, três anos depois da bancarrota). “O país já não pode com tantas possessões” (José Bento Ferreira de Almeida, ministro que andou à bofetada no parlamento).
“Não é de hoje: é desde há anos que está travado um duelo entre o País e a oligarquia política” (J. Dias Ferreira, quatro anos depois da bancarrota).
“A minha superioridade consiste em ter apenas uma cara…Vossa Excelência, sendo um político, não tem apenas uma” (Joaquim Mouzinho de Albuquerque sobre José Luciano, em 1897, cinco anos depois da bancarrota).
“No poder têm estado verdadeiras quadrilhas de ladrões” (J. Dias Ferreira em 1897, seis anos depois da bancarrota).
“Em volta do governo está-se planeando uma caterva de negócios” (António Ennes, em 1900, oito anos depois da bancarrota, oito anos antes do regicídio)
“Havia uma grande corrupção, na verdade, mas muito menos devorismo do que cepticismo” (José Agostinho, 1902).
“Os governados não respeitam nem estimam quase nunca os governantes, e ao despotismo de cima, respondem com a má vontade e a rebelião de baixo” (Bernardino Machado, 1903). Por outras palavras, uma década perdida depois da bancarrota, mesmo no ano um do acordo com os credores. O regime só vai cair, sete anos depois, e a tiro.
Sócrates na Finlândia
No primeiro ponto do programa da sua visita oficial de 24 horas à Finlândia, José Sócrates visitou uma escola de Helsínquia considerada uma referência no ensino básico.A Escola Básica de Ressu tem 400 alunos, com idades compreendidas entre os sete e os 16 anos, e 37 professores no quadro.
Diz o boletim mentirológico que, na próxima semana, vai haver um arrefecimento acentuado da temperatura, com hipótese de chuva. Ainda bem que não começam já os incêndios de Verão, sem verbas para a gasosa dos contrafogos…
estamos dependentes de terceiros
Fomos condenados a ir para a guerra colonial, da mesma maneira que o fomos para a descolonização, e a integração europeia da democracia apenas confirmou a integração da EFTA, o plano B do salazarismo de Correia de Oliveira. De qualquer maneira, tanto nos atrasámos na industrialização como na dignidade no trabalho e na solidariedade social.
Brutalmente falando: estamos dependentes de terceiros, isto é, de uma votação finlandesa ou de uma decisão do tribunal constitucional alemão. E os donos dos mercados vão espetando o dente. Ou de como a tese das teorias da conspiração pecuárias, expressas no comício de matosinhos, são mais umas das joão-francadas que nos podem levar ao republiquicídio encavacado…
Os restos dos últimos sovietes, as centenas de milhares de funcionários públicos despedidos pelo irmão Castro em Havana, já se ofereceram para um gigantesco comício que, partindo de Petrogrado, desembarque na antiga província russa em protesto. Fernando Rosas já se ofereceu para desenhar os cartazes…
Olhando o umbigo das nossas misérias, não reparamos que estão reunidos os cinco que mais nos encravaram na concorrência global, alterando o quadro em que se baseou a nossa ilusão de bons alunos: China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul querem ainda ser mais actores. Cá brincamos, eles BRICam. Aliás foi esse o tema da última dissertação de doutoramento que orientei. Não é, Marco?
Depois da irresponsabilidade do PSD, chegou agora a vez da Finlândia. Para sermos a última fronteira, o ex-adjunto de Macário propõe que todos os socialistas da Europa sigam o exemplo da procissão do senhor de Matosinhos: “já espatifei o meu Nokia, mandei vir um Blackberry dos BRICs”
Troika afinal não são 3, mas 3…3. É o chamado problema do gago. E a passagem da Santíssima Trindade à idade de Cristo, quando foi crucificado. Prefiro Isaac Newton, que colocou o 33 como ponto máximo de temperatura, quando a água ferve. Pode ser que a tampa salte. Para quem tem coluna e não torce, a imagem da 33ª vértebra é mais esperançosa. Tem a ver com o osso dito sacro…
Depoimento a Visão
“Domina o hipócrita, o manhoso, o chico esperto. Dominam os inquisitorialismos. A rivalidade ganha mais dureza nos cavaquistões e nos círculos de jobs for the boys” (JAM, in Visão de hoje, p. 36)
O meu programa eleitoral
Imediata restauração do sistema de igualdade de oportunidades no sistema de ensino público, concordatário, comunitário e privado, pelo regresso à dignidade do professor e do aluno, com plena autonomia das escolas.
Mobilização para o povoamento do território e pela luta contra a desertificação, eliminando os espiritos capitaleiros tanto a nível central como na província.
O mal de Portugal não são os Portugueses
Um português é presidente da Comissão Europeia. Já foi primeiro-ministro. Outro, é vice-presidente do BCE, já foi governador do Banco de Portugal. O primeiro é do PPE/PSD. O Outro do PS. Ambos ex-grandes líderes. E o actual dono do FMI na Europa, de quem parte dos negociadores são subordinados, já foi vice-presidente do PSD. Os três foram nossos partidocratas. Menos bons aqui, bem melhores lá fora.
Cavaco, Sócrates e Passos Coelho têm tido, inevitavelmente, contactos com Barroso, Constâncio e o homem do FMI para a Europa, Borges. Estas coisas estão bem mais oleadas do que aquilo que parece. Todos eles já podem antever aquilo que vai ocorrer. Todos são farinha do mesmo saco.
O mal de Portugal não são os Portugueses, mas o que não nos deixam ser portugueses à solta… Inventaram regras, plenas de vírgulas, que começam por não serem cumpridas por aqueles que as fazem. Inventaram aparelhos de vigilância para regras que não são réguas, em nome da empregomania. Inventaram litigâncias para que os litigantes gastem a palavra pelo mau uso e a prostituam pelo abuso.
Quando D. João VI regressou a Lisboa, por pressão das Cortes, foi recebido com uma grande manifestação que dava sucessivos vivas ao povo soberano. O bom rei, esfomeado, mesmo em manif, dava gosto ao vício, de papar coxas de galináceo jovem. E lá terá dito: “eles são soberanos, mas eu é que trinco o frango”. Foi o que me ocorreu, quando ouvi o apelo de Barroso ao sentido de responsabilidade.
Uma sugestão às oposições: podem fazer uma coligação negativa como em 1895, não ir às urnas e fazer do palácio de São Bento novo “solar dos barrigas”. Há sempre esta bomba atómica, mais eficaz que a dissolução belenense. O FMI, o BCE e a CE logo nos internariam num comício matosinhense, com sucessivos apoios acima dos 90%. E as finanças poderiam continuar com contas sem ser à moda do Porto, com Renato Sampaio.
O mal de Portugal não são os Portugueses
Um português é presidente da Comissão Europeia. Já foi primeiro-ministro. Outro, é vice-presidente do BCE, já foi governador do Banco de Portugal. O primeiro é do PPE/PSD. O Outro do PS. Ambos ex-grandes líderes. E o actual dono do FMI na Europa, de quem parte dos negociadores são subordinados, já foi vice-presidente do PSD. Os três foram nossos partidocratas. Menos bons aqui, bem melhores lá fora.
Cavaco, Sócrates e Passos Coelho têm tido, inevitavelmente, contactos com Barroso, Constâncio e o homem do FMI para a Europa, Borges. Estas coisas estão bem mais oleadas do que aquilo que parece. Todos eles já podem antever aquilo que vai ocorrer. Todos são farinha do mesmo saco.
O mal de Portugal não são os Portugueses, mas o que não nos deixam ser portugueses à solta… Inventaram regras, plenas de vírgulas, que começam por não serem cumpridas por aqueles que as fazem. Inventaram aparelhos de vigilância para regras que não são réguas, em nome da empregomania. Inventaram litigâncias para que os litigantes gastem a palavra pelo mau uso e a prostituam pelo abuso.
Quando D. João VI regressou a Lisboa, por pressão das Cortes, foi recebido com uma grande manifestação que dava sucessivos vivas ao povo soberano. O bom rei, esfomeado, mesmo em manif, dava gosto ao vício, de papar coxas de galináceo jovem. E lá terá dito: “eles são soberanos, mas eu é que trinco o frango”. Foi o que me ocorreu, quando ouvi o apelo de Barroso ao sentido de responsabilidade.
Uma sugestão às oposições: podem fazer uma coligação negativa como em 1895, não ir às urnas e fazer do palácio de São Bento novo “solar dos barrigas”. Há sempre esta bomba atómica, mais eficaz que a dissolução belenense. O FMI, o BCE e a CE logo nos internariam num comício matosinhense, com sucessivos apoios acima dos 90%. E as finanças poderiam continuar com contas sem ser à moda do Porto, com Renato Sampaio.
Passos contra Portas
Portas contra Passos foi mais animado que Jerónimo contra Louçã. Apesar do domínio de bola da retórica de Paulo, na primeira parte, o excesso de demagogia acabou nos últimos minutos por voltar o feitiço contra o feiticeiro, propondo reformas que só com o acordo do PS podem ser levadas a cabo.
Portas usou de tricas e de truques, não fez o jogo da convergência, repetindo subliminarmente os argumentos da centra de propaganda do PS contra Passos que é tipo de muita paciência… mesmo vendo no adversário à direita, jogadas de extrema-esquerda e do centro. De direita, só mesmo o aumento do número de polícias!
Nenhum falou em pobreza, corrupção, cidadania ou democracia. São coisas de somenos para os candidatos à ministerialidade.
Portas conseguiu colocar Passos numa situação onde até pareceu que foi este a governar o país nos últimos seis anos! Até o reduziu a muleta de Sócrates…
Portas também foi ultraliberal quando apresentou um programa pluri-anual de rescisões por mútuo acordo na função pública, mas “com indemnizações atractivas”. Acabou de inventar o neoliberalismo da atracção!
Portas é a imaginação sem memória… Ainda me lembro da última proposta que ele fez no debate da reforma eleitoral promovido pelo ministro António Costa: aplicação do sistema eleitoral francês a duas voltas…por acaso foi à minha frente e numa universidade onde ele era director do respectivo centro de sondagens
Passos continua empaturrado em TSU. Felizmente, na política, não existe apenas aquilo que pode medir-se
Há uma única ideia de Portas que subscrevo. Não extingam municípios nem freguesias, extingam apenas juntas e órgãos municipais…
Por outras palavras, Portas quase se colocou numa posição de não poder ser parceiro de governo do PSD, a não ser que este tenha muita prudência e paciência, para não dizer coisa de que se arrependa…
Catroga diz que foi de férias, que pena! Os meus colegas do comentário, na sua maioria, e os jornalistas políticos, quase todos, são consensuais quanto à genialidade de Portas. Prefiro continuar a estar em minoria, nesta ronda elogiosa para a direita que convém à esquerda e que continua a ser um dos pilares essenciais do situacionismo.
Ambos são dois parceiros da mesma multinacional partidária da Europa e dois dos três subscritores do sistema de resgate do protectorado dos credores, mas ambos tentaram fingir um “mix” feito de metáforas onde entram coxos e muletas.
Ou de como, mesmo com Catroga já em férias, se fingiu um “mix” em dois tempos, com sobremesa de Portas adiantada em claras de demagogia, mas com Passos a levar a melhor na digestão da verdade