Não passo de uma pequena minoria constituída apenas por mim mesmo e pelos que me honram ao ouvir-me ou ler-me, incluindo os que discordam do que penso ou digo. Mas sinto que, por estes dias, se jogam destinos comunitários de séculos, isto é, das sucessivas refundações do Portugal político, coisas bem superiores a orgulhos individuais ou opções ideológicas de grupos. Infelizmente, sendo do contra face aos bonzos dominantes , não alinho nos endireitas e nos canhotos que os têm perpetuado. E como tal tenho pensado e tenho dito. Especialmente quando os resultados da nossa economia e das nossas finanças conduziram ao presente desastre e os resultados políticos previsíveis ameaçam a cereja do impasse nas próximas eleições. Os actores políticos portugueses, entre presidentes e ex-presidentes, e partidos, têm tanta culpa quanto os chamados fazedores de opinião e comentadores chamados ao microfone, à escrita e ao écran, entre os quais me incluo. Todos tememos ultrapassar o conservadorismo do que está, porque todos temos medo. Por outras palavras, ainda estamos no dia 24 de Abril de 1974. Estupidamente sós.
Author Archives: jamaltez
À laia de testamento colectivo
Não passo de uma pequena minoria constituída apenas por mim mesmo e pelos que me honram ae ouvir-me ou ler-me, incluindo os que discordam do que penso ou digo. Mas sinto que, por estes dias, se jogam destinos comunitários de séculos, isto é, das sucessivas refundações do Portugal político, coisas bem superiores a orgulhos individuais ou opções ideológicas de grupos.
Sou dos que sempre discordou politicamente de Cavaco Silva. Apenas me lembra de ter votado PPD com primeiro Sá Carneiro. Nunca fui de esquerda. Não odeio o Partido Socialista, onde tenho dos melhores amigos. Já votei PCP, algumas vezes. E não tenho condições de saúde para poder voltar a ser actor político, mesmo secundário, como sempre fui. Mas não desisto do civismo. Daí persistir como homem revoltado.
Diferentemente de Passos Coelho e de Fernando Nobre, sou um liberal assumido e, se houvesse um partido que como tal pensasse e actuasse, estava condenado a nele me inscrever como soldado. E nem sequer tenho de inventar nada: alinho perfeitamente naquele que é o terceiro maior grupo político europeu, o que não está tão está tão à direita como o PPE, nem tão à esquerda como os socialistas europeus.
Infelizmente, sendo do contra face aos bonzos dominantes do PSD e do PS, não alinho nos endireitas e nos canhotos que os têm perpetuado. E como tal tenho pensado e tenho dito. Especialmente quando os resultados da nossa economia e das nossas finanças conduziram ao presente desastre e os resultados políticos previsíveis ameaçam a cereja do impasse nas próximas eleições.
Os actores políticos portugueses, entre presidentes e ex-presidentes, e partidos, têm tanta culpa quanto os chamados fazedores de opinião e comentadores chamados ao microfone, à escrita e ao écran, entre os quais me incluo. Todos tememos ultrapassar o conservadorismo do que está, porque todos temos medo. Por outras palavras, ainda estamos no dia 24 de Abril de 1974. Estupidamente sós.
À laia de testamento colectivo
FMI: previsões sobre a recessão. Estamos ao lado da Grécia e da Costa do Marfim, mas em breve largaremos este pelotão, para mais recessão. Fico envergonhado. Espero que a PGR nos salve dando seguimento ao esforço de salvação do mundo expresso pelos economistas J. M. Pureza, José Reis e Manuela Silva. Processemos a terra inteira! Amen!
Não passo de uma pequena minoria constituída apenas por mim mesmo e pelos que me honra de ouvir-me ou ler-me, incluindo os que discordam do que penso ou digo. Mas sinto que, por estes dias, se jogam destinos comunitários de séculos, isto é, das sucessivas refundações do Portugal político, coisas bem superiores a orgulhos individuais ou opções ideológicas de grupos.
Sou dos que sempre discordou politicamente de Cavaco Silva. Apenas me lembra de ter votado PPD com primeiro Sá Carneiro. Nunca fui de esquerda. Não odeio o Partido Socialista, onde tenho dos melhores amigos. Já votei PCP, algumas vezes. E não tenho condições de saúde para poder voltar a ser actor político, mesmo secundário, como sempre fui. Mas não desisto do civismo. Daí persistir como homem revoltado.
Diferentemente de Passos Coelho e de Fernando Nobre, sou um liberal assumido e se houvesse um partido que como tal pensasse e actuasse, estava condenado a nele me inscrever como soldado. E nem sequer tenho de inventar nada: alinho perfeitamente naquele que é o terceiro maior grupo político europeu, o que não está tão está tão à direita como o PPE, nem tão à esquerda como os socialistas europeus.
Os actores políticos portugueses, entre presidentes e ex-presidentes, e partidos, têm tanta culpa quanto os chamados fazedores de opinião e comentadores chamados ao microfone, à escrita e ao écran, entre os quais me incluo. Todos tememos ultrapassar o conservadorismo do que está, porquem todos temos medo. Por outras palavras, ainda estamos no dia 24 de Abril de 1974. Estupidamente sós.
Acto I – Há uma coisa que consegue ligar Sócrates, Portas, Passos, Louçã, Jerónimo e Cavaco: nenhum deles é liberal.
Acto II: Há uma coisa que une todos os primeiros países mais humanamente desenvolvidos do mundo: são produto da civilização liberal.
Acto III: Há uma coisa que, de há muito, devia ser tentada em Portugal: deixarmos de considerar o liberal como pecado.
Acto IV: Quem constituiu o Estado contemporâneo em Portugal foram os que também conquistaram a liberdade: os liberais. Viva Mouzinho da Silveira.
Acto V: Quem trouxe o “Welfare State”, sustentado e realizado, à Europa foi precisamente um liberal, Beveridge. Não foram os leninistas, os trotskistas, os estalinistas e os maoístas.
Acto VI: Ainda bem que, depois, os socialistas se liberalizaram e o assumiram, sobretudo quando passaram a anticomunistas.
Acto VII: Ainda bem que os cristãos se democratizaram, sobretudo depois da Rerum Novarum de 1891.
Acto IX: Ainda bem que democratas-cristãos, sociais-democratas e liberais se aliaram contra o nazi-fascismo, os autoritarismos e os comunismos, e que os “tories” se aliaram aos “whigs”.
Acto X: Infelizmente, em Portugal, continuamos atrasados. Os resultados confirmam-no. Assinado por um liberal que, para poder ser velho-liberal, tem de ser neoliberal. Como Hayek, como Ropke, como Mises, como Popper. Tenho orgulho. Dá bem melhores resultados.
Deu entrada no Tribunal Constitucional germânico uma queixa que visa impedir a Alemanha de participar no resgate a Portugal. Felizmente, a justiça constitucional alemã é lenta. Ainda não decidiu sobre idêntica queixa apresentada por causa do resgate à Grécia. Na altura ainda participámos como resgatadores, sem que algum professor de economia apresentasse o problema à nossa PGR.
Ontem o malhador de serviço foi João Tiago da Silveira. Hoje é Francisco Assis. O PSD ainda não destacou ninguém para repetir as palavras que Luís Amado proferiu sobre a humilhação e vergonha que continuamos a sofrer. Ou para repetir as denúncias de Mário Soares sobre o comício de Matosinhos. O PS continua a lançar os foguetes e a apanhar as canas. Os outros caem na casca de banana e sarmentam sobre Nobre.
Ouço Mário Soares, homem experimentado. Na sua história, um pequeno detalhe. Nunca tinha sido deputado no Parlamento Europeu, mas um dia candidatou-se, na condição de ser logo Presidente do Parlamento Europeu. Foi substituído por quem ele qualificou como mera dona de casa. Agora, dá sentenças como Frei Tomás. É costume, do outro, do que diz e não faz.
Luís Amado, e muito bem, acha que as negociações para a ajuda vão correr bem, porque há boa fé, no plano das relações externas, de Estado a Estados. Quem me dera que, nas relações internas, partido a partido, cidadão a Estado, pudessem ser praticados os mesmos princípios. Se queremos selva cá dentro, mesmo sem árbitro que apite, é inevitável que nos tratem como selvagens. E nos sujeitem à lei da selva.
Hoje não vou escrever mais nada. Li e ainda estou a digerir o último artigo de Henrique Medina Carreira. Pena não poder ouvir a anunciada entrevista dele, logo às nove da noite na SICN. Até eu levei um murro. Vou meditar.
Amanhã chega a Lisboa a “troika”
Amanhã chega a Lisboa a “troika” da Comissão Europeia, BCE, FMI. Antes de tratarem do nosso futuro no silêncio dos gabinetes, passarão pela estátua de Camões, ao Chiado. Desta feita, ela não está coberta de crepes negros. E não renasceu a revolta que levou a fundarmos “A Portuguesa”. Discutimos as árvores, não compreendemos a floresta.
Não sou pela táctica do quanto pior, melhor. As minhas condições de saúde não me permitem ir à luta em todo o terreno. Mas louvo todos aqueles que podem, querem e acreditam, disponibilizando-se para a militância. Incluindo os que, de dentro, ou de fora, pretendem regenerar a partidocracia. Mas não consigo ter a serena análise dos partidocratas sobre a respectiva partidocracia. Estou além.
Sou capaz de arriscar uma previsão: das próximas eleições vai sair um governo de pacto entre os três partidos que integram as duas principais multinacionais partidárias da Europa (CDS, PS e PSD). Mesmo que o partido do actual governo não vença as eleições. Mesmo que, somando os outros dois, não seja alcançada uma maioria absoluta de aritmética parlamentar.
As próximas eleições estão totalmente condicionadas pelo programa de governo que nos vai ser imposto pelos credores. A nossa independência vai voltar a ser gestão de dependências. Mas temos de voltar a ter vontade de sermos independentes. Temos de submeter-nos para sobreviver. Devemos lutar para continuarmos a viver em autonomia política.
“Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las”…. (Alexandre Herculano).
Acabou a festa, pá!
Na procissão do senhor, em Matosinhos, foi tudo música celestial. Agora é ” PS mais o FMI”, há menos de uma semana, o “eu não estou disponível para governar com o FMI”.
Ninguém quis ver, ouvir ou ler que, em menos de meio século, fomos, mais uma vez, arrastados, como na guerra e na descolonização, de metrópole e “bom aluno”, a um Portugal-Colónia a pedir que nos ordenem de fora.
Enquanto isto, 47 notáveis dos sucessivos situacionismos manifestavam-se numa espécie de golpe do abaixo-assinado, com Cavaco a tentar exportar a imaginação dos tapetes de Arraiolos para Budapeste.
Mas o comissário do vazio de Europa, Olli Rehn, utilizou, com toda a previsibilidade, a brutal linguagem do ultimatum. Afinal, os catastrofistas e profetas da desgraça eram bem mais suaves do que os cortes a que fomos condenados, piores que os da ditadura das Finanças de 1928.
Por outras palavras, acabou o federalismo sem dor e os palermas da vacina serão apenas súbditos de uma unilateral governação económica da Europa. Acabou a festa, pá! A agit-prop já inventou outra história, alterando o vilão e o enredo.
Do Congresso do PS à candidatura de Fernando Nobre
É por isso que gostei do discurso da Ana Gomes no Congresso de Matosinhos. Posso discordar da respectiva concepção do mundo e da vida e das conclusões que encerra, mas sempre com o coração, mesmo o meu que está preso pela recauchutagem (dis+cordis, onde cordis é coração). São precisos radicais ao centro.
Centro excêntrico é admitir que para haver uma emergência, temos de partir das actuais divergências e convergências para um novo estádio de complexidade crescente e de manutenção da liberdade, com evoluções dentro das posteriores convergências e divergências. O que é preciso é mudar de vida e arriscar, rejeitando os bonzos, os endireitas e os canhotos do vira o disco e toca o mesmo.
O grande erro de todo este sublime espectáculo de propaganda com que durante dois dias fomos bombardeados, entre entradas triunfais, videos delicodoces e hinos de telenovela, está na primeira regra da propaganda: a boa propaganda não pode parecer propaganda. Gasta-se pelo uso e prostitui-se pelo abuso.
Quando há uma enorme distância entre aquilo que se proclama e aquilo que se pratica, a falta de autenticidade pode agravar-se a atingir o clímax da própria burla, quando se finge tão completamente que o próprio fingidor já finge que é a verdade a própria mentira que o mobiliza. Torna-se num clássico da velha ciência policial…
Todo este fundo sabe a enlatado de música de grandes filmes, entre o épico e o romântico. Fica bastante próximo dos anúncios com que a banca portuguesa de negócios nos enredava, na véspera de todos conhecermos a vigarice. Basta o velho gesto do Zé Povinho, o ídolo exposto de qualquer merceeiro: “se queres fiado, toma!”.
“A nossa agenda não é uma caixinha de surpresas”. Pois, não! Está na bagagem de quem vai desembarcar na terça-feira…
“Portugal foi arrastado para uma crise política e sabemos quem provocou essa crise, foram todos os partidos da oposição”. Toma!
“Provocaram essa crise por ambição do poder a qualquer custo”. Malandros! Querem o que eu tenho!
“O país foi arrastado para a ajuda externa”. Vocês, malandros, não podem fugir às responsabilidades! A crise era evitável se me passassem um cheque em branco!
O país do chico esperto e do analfabeto educado, exulta!
“Elevação política e sentido de estado”. Basta estar no palanque!
Garantir o essencial, só comigo! Eu sou o seguro, eu sou o Estado! Tenham medo das oposições!
Eu sou a fonte do conhecimento e da inovação! Conto com o vosso ânimo e a vossa determinação. Até com os jovens! O domínio do inglês e o controlo dos computadores!
E as mulheres, as mulheres portuguesas, a causa da igualdade e o aborto e o casamento de homossexuais e o combate à violência doméstica! Os objectivo central do nosso próximo governo! E o complemento solidário para idosos! Sim os velhinhos, os aposentados e os mortos que ainda votam!
E saúdo também os emigrantes. Os que residem e os que não residem em Portugal!
O país só vai vencer se eu vencer! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo!
A oposição pode ter feito cair o governo , mas fez levantar o PS e vai fazer levantar o país. Contem comigo que eu conto contigo! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Depois, os foguetes enlatados da musiqueta. Com direitos pagos à Sociedade de Autores….
É a fome, devem querer ir almoçar. Nem sequer ficaram para o hino nacional (comentário dos comentadores aos velhinhos que corriam para o autocarro, abandonando a sala).
A primeira e devida resposta ao situacionismo. Fernando Nobre é o cabeça de lista de Passos Coelho em Lisboa. E o candidato do PSD a segunda figura de Estado. Confirmado. Até por mim. Desde segunda-feira passada. Sem fuga de informação. O que é bom sinal.
Caras amigas e amigos,
Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do Dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a Presidente da Assembleia da República….
Uma hora de resposta de Pedro Passos Coelho. Ou o inesperado do tempo de antena. Bem-educado pode ser duro. Os dados estão lançados. Para nos recentrarmos não parece haver meio-termo. A primeira resposta já foi dada. Aguarda-se a de Portas, do PCP e do Bloco. Afinal, a campanha vai ser diferente.
Lá se foi um dia de vertigem, onde os factos políticos que escaparam ao controlo dos criadores de factos e aos autores dos guiões do “agenda setting”. Basta até notar como o golpe de abaixo-assinado dos 47 acabou por não poder ser devidamente usado por quem o pretendia manipular instrumentalmente, o PS, onde não é simples acaso a coincidência com a maioria dos notáveis coordenadores.
Congresso do PS em Matosinhos
Sócrates, com tangas, lá vai dançando o tango, mesmo sem tanga. Há seis anos que na prática a teoria é outra. Está gasto pelo mau uso.
Portugal já não tem que se preocupar: uma assembleia de notáveis dos sucessivos situacionismos do regime, agregando o “prós e contras” e a “quadratura do círculo”, patrocinada pelos ex-treinadores do Conselho de Reitores e do Palácio de Belém, bem como pelos restos das respectivas comissões de honra já pensou tudo por nós, já decidiu tudo por nós. É o golpe do abaixo-assinado.
Estamos no abismo, a situação é trágica, passamos uma vergonha. Palavras de Luís Amado, há bocado. Também subscrevo a frase que ele deixou escapar: “posso não gostar do engenheiro Sócrates…”. Mas…
“Se o PS vencer, é Portugal que vai ganhar as próximas eleições” (Expressão cesarista, ouvida mesmo agora).
Lá vou continuando a ouvir o congresso de Matosinhos. Pelo menos dá-nos música. E revela uma faceta desconhecida de Sócrates: um apresentador de discursos de comício. Excelente desempenho, na apresentação de Assis e de Ferro.
«Ó Zé, estão a revelar um mal disfarçado receio de se defrontar contigo nas eleições» (uma expressão no comício de Matosinhos de um dos 47 notáveis)
O homem não é adepto da agenda liberal. É mesmo liberal. Doutorou-se em Oxford com “Corporatism and Industrial Competitiveness in Small European States” (1996)
O chefe da oposição com Manuel Maria Carrilho ao lado, denunciando o que se passou no Congresso de Matosinhos.
Cenas beckettianas à espera do resgate
“Alors, on y va?”…”Allons-y.” Diz o Vladimir para o Estragon no “À Espera de Godot”. Mas afinal “Ils ne bougent pas.” Está tudo no Samuel Beckett. Na peça publicada poucos meses depois de eu ter nascido. Já pisámos o risco do funcionamento regular das instituições. A não ser que o normal seja haver anormais. Glosando Almeida Santos de outras eras: não quero viver num manicómio em autogestão! O burlesco seria divertido, caso o fundo não fosse trágico! Dirão os especialistas em “marketing”: mais uma vez, o chefe marcou a agenda! O senhor banqueiro Salgado não tem nenhuma legitimidade para invocar a “unidade nacional” ou o “projecto europeu”. Tem apenas a obrigação patriótica de cumprir o seu dever como banqueiro. O poder da facção lusa da geofinança está subordinado ao poder político. E ele já demonstrou como não tem legitimidade para aí nos dar sentenças. Nem invocando o estatuto de arrependido. Porque sou liberal, quero a política liberta da pressão do banqueirismo. E é também como liberal que invoco o legado de Mouzinho da Silveira, o principal dos criadores do Estado português contemporâneo. Pelo menos na limpeza das receitas e das despesas. Se continuarmos entre empresas de economia mística, continuaremos a nacionalizar os prejuízos e a privatizar os lucros. O vasquinho, na “Canção de Lisboa”, também dizia: “chapéus, há muitos”. Mas só para os “palermas”. Não é na 25ª hora que alguns conseguem sacudir a água do capote. Não é dignidade do trabalho que nos agrava o défice. São antes os juros da dívida e as PPPs, as contratadas e as clandestinas. Não estou disposto a continuar a pagar sem a necessária democracia fiscal. Também não quero ser protectorado dos banqueiros dos sucessivos regimes. Esta polémica está a colocar em risco o normal funcionamento das instituições e sugere que se sigam os ex-presidentes da República, que têm tido “uma voz superior a estes partidarismos e a este facciosismo”. Estamos a pisar as raias do funcionamento regular das instituições e a pisá-las, sobretudo, num órgão que devia dar o exemplo”. Citando A. Santos, “isto não pode ser um manicómio em auto-gestão” (JAM, à Renascença). Finalmente, falou o socialista francês, director do FMI e eventual candidato à presidência em Paris, contra a direita. Como é que eu posso acreditar em banqueiros que, ainda há poucos meses, defendiam o betão pelo betão e tratavam a classe política como meros empregados, enquanto nada diziam de mostrengos que agora são os simples contribuintes a terem que pagar, como no caso de suprapartidos do bloqueio central, bem expressos pelo modelo BPN, onde, à esquerda e à direita, se recrutavam ex-ministros para que a procissão da roubalheira criminosa nos sugasse, repetindo o modelo Alves dos Reis e dos seus impolutos administradores, feitos inocentes inocentes úteis, de acordo com os velhos manuais da psicologia da burla! Votarei no político que venha ao espaço público declarar: o problema português não é o do esquerdismo ou direitismo, mas dos clássicos burlões cuja lábia nos continua a intrujar! Nem sequer são mafiosos, porque lhes basta a actualização do conto do vigário… Logo, investiguem-me! Aquele que apanhar na minha vida uma só cedência à roubalheira, fique certo que imediatamente me demitirei! O problema político está na desconstrução da linguagem teológica sobre a unidade na diversidade, entre a santíssima trindade laica e a ira divina da ajuda externa que é coisa bem mais prosaica sobre o paga o que deves ao ritmo de “ultimatum” já sem “heróis do mar”… Não foi por alguns, foi só por ele que ele pensava que era o todo e todos tiveram de suspendar a política e voltar à casa, com oikos despote Como disse ontem Carrilho, propaganda hoje é contar-se uma história simples, fingindo que a realidade é ficção e levá-la até à exaustão, com um herói e um vilão, a salvação e o inferno. Digo eu: vivemos em messianismo de telenovela e o povo pode não querer ser autor e continuar como simples auditor. Por mim, prefiro desconstruir, para que venha a verdade em cada um Os contadores de história ainda mandam, entre PECs e FMIs, ao ritmo dos televangelistas, reinventando o “Gegenreich”, o “Anticristo” e a própria antinação, como os derradeiros salvadores deste orgulhosamente sós de má memória. Espero que os socialistas simples não se misturem com este nacionalismo de opereta. Leio mais um comunicado, logo certificado pelo outro, porque antes de o mesmo ser emitido foi negociada a confirmação. Podemos também certificar que um quarto de hora antes do presente situacionismo morrer ele ainda estava bem vivinho com muitos mouros na costa e alguns discursos daquilo que outrora se designou como brigada do reumático. O que eu disse não foi aquilo que vocês ouviram do que eu disse, eu sempre disse tudo aquilo que não me impede de dizer aquilo que me apeteça dizer. Infelizmente, ainda há quem pense que possa dizer alguma palavra em que possamos confiar! O velho partido que nos trouxe o FMI por duas vezes, chegou à conclusão que não há duas sem três. Aliás o director do FMI é um tal de Strauss Kahn, por acaso camarada da Internacional Socialista. Pode ser um argumento que o nosso JSPS use em seu favor… A teoria mais inspiradora que eu conheço tem a ver com o mexilhão, embora esteja momentaneamente suspensa a apanha dos bivalves, para que o mar enrole na areia e dado que as ondas do mar são brancas e no centro são amarelas, prós coitadinhos dos que nasceram e votaram no vira-o-disco-e-toca-o-mesmo Uma jangada de náufragos famintos Portugal já entrou na era pós-gâmica da história, mas sem trazermos canela nem fazermos cristãos. Ficámo-nos pelo Cabo das Tormentas, levámos nas trombas do Adamastor e corremos o risco de afundamento se passarmos até diante do Bojador…pesada é a pedra desta jangada, com tantos náufragos famintos! Julgo que nunca tivemos muito bom senso. E em vez de ter ou estar era melhor o ser… Tenho outra solução: um Portugal feito de “portugueses à solta”, em vez de um Estadão em soltura, ou absoluto, sobretudo para gáudio das empresas de regime e a casta banco-burocrática que mantêm estas sucessivas ditaduras da incompetência, dominadas por uma classe política de bonzos, animando jogos florais de endireitas e canhotos… O mal a que chegámos vem da empregomania, do carreirismo cobarde e de órgãos inventados para que se finja o cumprimento de funções. Por outras palavras, os empresários devem apenas ser empresários. Em política, nem sentenças! Porque a maior fuga que se nota de Portugal não é de capitais. É de gente, de pessoas concretas, à procura de liberdade Hoje, alguma coisa de novo começa a mexer esta carcaça de conservadores do que está que nem sequer são conservadores do que deve ser Depois do Vladimir, fala o Estragon. Para haver diálogo, tem que haver lugares comuns (os “loci” ou “topoi” da velha dialéctica que devia ser sempre o método da democracia). Continuaremos à espera. Preferia fazê-lo por D. Sebastião. A única coisa que a classe política dos náufragos discute: qual o meu lugar na lista e quantos é que vamos meter. Ser da classe política ou independente à espera de um convite é a grande azáfama de cerca de cinco mil portugueses entre os capitaleiros da sociedade de Corte e os anjos da província que querem bilhete para uma adequada queda. Tudo em nome da defesa do quadrado de muitas vidinhas de subpolíticos profissionais pouco dados ao conselho antigo: vale mais torceres do que quebrares, tu não sabes fazer mais nada!
Cenas beckettianas à espera do resgate
1
Almeida Santos, conselheiro de Estado, desmente Bagão Félix, conselheiro de Estado, também desmentido por Carlos César, conselheiro de Estado. Tudo porque Bagão desmentiu José Sócrates. Verdade além dos Pirinéus não coincide com a verdade de três responsáveis do Partido Socialista. Se todos forem falando de acordo com o partido, não há mesmo dignidade para o órgão.
2
Já pisámos o risco do funcionamento regular das instituições. A não ser que o normal seja haver anormais. Glosando Almeida Santos de outras eras: não quero viver num manicómio em autogestão!
3
Seria ridículo que o Presidente pedisse ao PGR para fazer mais um inquérito sobre a fuga de informação. Ainda haveria fuga sobre a fuga… O burlesco seria divertido, caso o fundo não fosse trágico! Dirão os especialistas em “marketing”: mais uma vez, Sócrates marcou a agenda!
4
Depois do pronunciamento de Carlos Santos Ferreira, ontem, hoje vai pronunciar-se Ricardo Salgado. Perante Judite de Sousa. Todos os dias, mais uma consulta nos sucessivos divã do regime.
5
Francisco Assis já o admite: “Se porventura a situação se degradar a ponto de termos que encontrar uma solução de ajuda externa é evidente que o deveremos sempre fazer na base de um consenso”. Um problema de simples bom senso.
6
O senhor banqueiro Salgado não tem nenhuma legitimidade para invocar a “unidade nacional” ou o “projecto europeu”. Tem apenas a obrigação patriótica de cumprir o seu dever como banqueiro. O poder da facção lusa da geofinança está subordinado ao poder político. E ele já demonstrou como não tem legitimidade para aí nos dar sentenças. Nem invocando o estatuto de arrependido.
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Porque sou liberal, quero a política liberta da pressão do banqueirismo. E é também como liberal que invoco o legado de Mouzinho da Silveira, o principal dos criadores do Estado português contemporâneo. Pelo menos na limpeza das receitas e das despesas. Se continuarmos entre empresas de economia mística, continuaremos a nacionalizar os prejuízos e a privatizar os lucros.
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O vasquinho, na “Canção de Lisboa”, também dizia: “chapéus, há muitos”. Mas só para os “palermas”. Não é na 25ª hora que alguns conseguem sacudir a água do capote. Não é dignidade do trabalho que nos agrava o défice. São antes os juros da dívida e as PPPs, as contratadas e as clandestinas. Não estou disposto a continuar a pagar sem a necessária democracia fiscal. Também não quero ser protectorado dos banqueiros dos sucessivos regimes.
9
Esta polémica está a colocar em risco o normal funcionamento das instituições e sugere que se sigam os ex-presidentes da República, que têm tido “uma voz superior a estes partidarismos e a este facciosismo”. Estamos a pisar as raias do funcionamento regular das instituições e a pisá-las, sobretudo, num órgão que devia dar o exemplo”. Citando A. Santos, “isto não pode ser um manicómio em auto-gestão” (JAM, à Renascença).
10
Do Bloco ao Bloqueio: “Nunca houve tantos candidatos a secretário-geral do PS como desta vez: foram quatro e normalmente era um só…Se não quiserem fazer coligações com o PS por ser liderado por José Sócrates, quem bloqueará o país será a oposição. Quem bloquear assumirá as responsabilidades”
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Finalmente, falou o socialista francês, director do FMI e eventual candidato à presidência em Paris, contra a direita. O camarada de Sócrates é claro: “o problema não é tanto a dívida pública como o de financiamento de bancos e a dívida privada, o que o tornam um caso completamente diferente da Grécia”. Os salgados que não nos dêem lições, ao povo, e as PPPs que se amanhem…
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Como é que eu posso acreditar em banqueiros que, ainda há poucos meses, defendiam o betão pelo betão e tratavam a classe política como meros empregados, enquanto nada diziam de mostrengos que agora são os simples contribuintes a terem que pagar, como no caso de suprapartidos do bloqueio central, bem expressos pelo modelo BPN, onde, à esquerda e à direita, se recrutavam ex-ministros para que a procissão da roubalheira criminosa nos sugasse, repetindo o modelo Alves dos Reis e dos seus impolutos administradores, feitos inocentes inocentes úteis, de acordo com os velhos manuais da psicologia da burla!
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O problema português não o do esquerdismo ou direitismo, mas dos clássicos burlões cuja lábia nos continua a intrujar! Nem sequer são mafiosos, porque lhes basta a actualização do conto do vigário…
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Votarei no político que venha ao espaço público declarar: o problema português não é o do esquerdismo ou direitismo, mas dos clássicos burlões cuja lábia nos continua a intrujar! Nem sequer são mafiosos, porque lhes basta a actualização do conto do vigário… Logo, investiguem-me! Aquele que apanhar na minha vida uma só cedência à roubalheira, fique certo que imediatamente me demitirei!
15
Apaziguamento, concórdia, acalmação, união sagrada, ministério nacional, concentração, bloco central, convergência alargada, salvação nacional, salvação pública, coligação. Mas apesar de tanto fim e tanto inferno de boas intenções, agora vai tudo, vou sozinho às eleições e depois do cheque endossado, negócio arrumado.
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O problema político está na desconstrução da linguagem teológica sobre a unidade na diversidade, entre a santíssima trindade laica e a ira divina da ajuda externa que é coisa bem mais prosaica sobre o paga o que deves ao ritmo de “ultimatum” já sem “heróis do mar”…
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Não foi por alguns, foi só por ele que ele pensava que era o todo e todos tiveram de suspendar a política e voltar à casa, com oikos despote
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Como disse ontem Carrilho, propaganda hoje é contar-se uma história simples, fingindo que a realidade é ficção e levá-la até à exaustão, com um herói e um vilão, a salvação e o inferno. Digo eu: vivemos em messianismo de telenovela e o povo pode não querer ser autor e continuar como simples auditor. Por mim, prefiro desconstruir, para que venha a verdade em cada um
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Os contadores de história ainda mandam, entre PECs e FMIs, ao ritmo dos televangelistas, reinventando o “Gegenreich”, o “Anticristo” e a própria antinação, como os derradeiros salvadores deste orgulhosamente sós de má memória. Espero que os socialistas simples não se misturem com este nacionalismo de opereta.
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Leio mais um comunicado, logo certificado pelo outro, porque antes de o mesmo ser emitido foi negociada a confirmação. Podemos também certificar que um quarto de hora antes do presente situacionismo morrer ele ainda estava bem vivinho com muitos mouros na costa e alguns discursos daquilo que outrora se designou como brigada do reumático.
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Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhor Deputado Jaime Gama, terminou o seu tempo. Últimas palavras, depois de anunciar que não seria candidato na próxima legislatura. Ou o criador reconhecendo o que é efectivamente a sua criatura. Bons foram os discursos de Mota Amaral e de Francisco Assis. Jorge Lacão continuou bem abaixo, ao nível da malhação governamentalista.
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Depois dos banqueiros, parece que chegou a vez de Merkel… Será que querem mesmo procurar novos feitores?
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Fim do princípio. Depois do sinal de Lacão, Teixeira dos Santos reconhece que se vai pedir ajuda externa. Sócrates faz comunicação ao país às 20 horas.
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FEEF/FMI, a coligação vencedora, pré-eleitoral.
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O que eu disse não foi aquilo que vocês ouviram do que eu disse, eu sempre disse tudo aquilo que não me impede de dizer aquilo que me apeteça dizer. Infelizmente, ainda há quem pense que possa dizer alguma palavra em que possamos confiar!
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O velho partido que nos trouxe o FMI por duas vezes, chegou à conclusão que não há duas sem três. Aliás o director do FMI é um tal de Strauss Kahn, por acaso camarada da Internacional Socialista. Pode ser um argumento que o nosso JSPS use em seu favor…
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A teoria mais inspiradora que eu conheço tem a ver com o mexilhão, embora esteja momentaneamente suspensa a apanha dos bivalves, para que o mar enrole na areia e dado que as ondas do mar são brancas e no centro são amarelas, prós coitadinhos dos que nasceram e votaram no vira-o-disco-e-toca-o-mesmo
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Portugal já entrou na era pós-gâmica da história, mas sem trazermos canela nem fazermos cristãos. Ficámo-nos pelo Cabo das Tormentas, levámos nas trombas do Adamastor e corremos o risco de afundamento se passarmos até diante do Bojador…pesada é a pedra desta jangada, com tantos náufragos famintos!
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Julgo que nunca tivemos muito bom senso. E em vez de ter ou estar era melhor o ser…
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“Alors, on y va?”…”Allons-y.” Diz o Vladimir para o Estragon no “À Espera de Godot”. Mas afinal “Ils ne bougent pas.” Está tudo no Samuel Beckett. Na peça publicada poucos meses depois de eu ter nascido.
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Depois desta da TVI, consta que a Prisa e o Miguel Paes Amaral já encetaram contactos com a Manuela Moura Guedes para o imediato regresso à estação, dado que foi essa a condição imposta por Henrique Medina Carreira para a entrevista em que explica como não aceitou o convite de Sócrates para suceder a Teixeira dos Santos.
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Hoje é o fim do Sócrates II. Mas já houve um Sócrates I e é do povo que depende haver um novo heterónimo, tipo Sócrates III, embora ele possa voltar mesmo com outro nome e com outro partido. Preferia vida nova.
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Sim, sempre o problema da pecuária…
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Tenho outra solução: um Portugal feito de “portugueses à solta”, em vez de um Estadão em soltura, ou absoluto, sobretudo para gáudio das empresas de regime e a casta bancoburocrática que mantêm estas sucessivas ditaduras da incompetência, dominadas por uma classe política de bonzos, animando jogos florais de endireitas e canhotos…
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O mal a que chegámos vem da empregomania, do carreirismo cobarde e de órgãos inventados para que se finja o cumprimento de funções.
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Por outras palavras, os empresários devem apenas ser empresários. Em política, nem sentenças!
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O “Pingo Doce” anuncia que vai investir em agricultura (Imaginação criadora, para responder a um grupo que foi o principal beneficário deste modelo pós-revolucionário de socialismo de consumo).
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Não são apenas os investidores que têm direito a ser bem remunerados. Sem dignidade do trablaho não há justiça, palavras que ASS nunca usou.
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Porque a maior fuga que se nota de Portugal não é de capitais. É de gente, de pessoas concretas, à procura de liberdade
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Hoje, alguma coisa de novo começa a mexer esta carcaça de conservadores do que está que nem sequer são conservadores do que deve ser
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Declarações de há minutos de alguém do círculo íntimo: “sempre cumprimos aquilo que prometemos; não pedimos ajuda externa que isso só retrógados anti-europeístas é que não assumem; com efeito, a Europa não é estrangeiros, segundo os tratados e a nossa constituição; e assistência financeira está no âmbito da nossa coerente defesa do Estado Social”.
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Sócrates cumpre sempre aquilo que diz: «Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI». A 20 de Março de 2011. Eu não lhe li os lábios. Confirmo a lábia.
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Dizem que a telenovela vai dar os últimos episódios da chamada “Espírito Indomável”. Parece que agora o vilão já está definitivamente em fuga. Mas pode haver reviravoltas. Vou ver que amanhã é só futebol, com a assistência financeira dos que vão agora pedir assistência financeira.
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Dizem que Sócrates vai suspender a liderança do PS, assumindo a plenitude do agir patrioticamente. Só volta no dia 1 de Junho, já com a assistência rascunhada. Também consta que Cavaco vai designar um condomínio directivo para a negociação. Para além de Sócrates, Carlos Carvalhas, Manuela Ferreira Leite e Medina Carreira.
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“Um pedido de assistência financeira…que lamento…mas…me empenharei com toda a minha determinação”. Não sabia que em Bruxelas havia prego, penhores, ou uma casa de crédito popular, como havia na velha Caixa…
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Depois do Vladimir, fala o Estragon. Para haver diálogo, tem que haver lugares comuns (os “loci” ou “topoi” da velha dialéctica que devia ser sempre o método da democracia). Continuaremos à espera. Preferia fazê-lo por D. Sebastião.
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“As lideranças que vão estar no congresso são as mesmas que querem integrar as próximas listas e estas são feitas por quem anda à volta do líder e de José Sócrates”. “Os que estão a aguardar apoio para uma candidatura e que a querem até vão apoiá-lo [Sócrates] nos próximos tempos”. Pelo menos até serem conhecidos os resultados das legislativas, nas quais Sócrates será recandidato a primeiro-ministro.
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A única coisa que a classe política dos náufragos discute: qual o meu lugar na lista e quantos é que vamos meter. Porque a coisa está mesmo preta neste tem-te não caias… Telefona ao Relvas, Manel! E não te esqueças de recordar ao Renato Sampaio aquele belo almoço com o Sócrates. E tu, Paulinho, marca lá na agenda a feira da próxima semana…
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Ser da classe política ou independente à espera de um convite é a grande azáfama de cerca de cinco mil portugueses entre os capitaleiros da sociedade de corte e os anjos da província que querem bilhete para uma adequada queda. Tudo em nome da defesa do quadrado de muitas vidinhas de subpolíticos profissionais pouco dados ao conselho antigo: vale mais torceres do que quebrares, tu não sabes fazer mais nada!
Depoimento à Lusa
“Se correr mal talvez seja a última vez em que vamos ser chamados a participar numa decisão eleitoral porque o sistema a que pertencemos e de que somos parcela não mais vai acreditar em nós se não tivermos uma atitude diversa daquilo que são as consequências ontem anunciadas” (JAM, Lusa, hoje)
“O próximo governo pode ser o coveiro do regime. Acho que tem que haver uma mentalidade de governo provisório ou de governo refundador da democracia…” (JAM Lusa)
“E o que eu gostava era que partissem para este debate com uma espécie de acordo no desacordo. É um pouco inadmissível que num momento tão dramático como este não haja uma espécie de pacto entre a sociedade civil e os partidos”, porque a democracia portuguesa “corre um risco de descredibilização”. (cont.)
Nos próximos dois meses os principais partidos “vão gastar muitas energias na teoria do passa culpas”. Eles “estão a viver as últimas cenas de uma partidocracia fechada à sociedade civil”.
“Isto é, ir além da mera aritmética parlamentar da partidocracia e assumir uma geometria social de apoio com sindicatos e forças morais das igrejas às maçonarias e com um claro empenhamento dos orgãos eleitos, nomeadamente pelo PR, que deve deixar de ser um simples notário do regime ou até fingir-se Pilatos lavando as mãos com as sucessivas inconfidências dos seus conselheiros de estado, ou seja pô-los na ordem.”
Ainda não li o registo do que disse, mas transcrevo: “Acho que deviamos ter uma vida nova. Mudar o sistema para refundar o regime. Não para os pretensos governos de salvação nacional, sugeridos por banqueiros e donos de supermercados, mas pelo regresso a formas parecidas com o consenso que houve nos governos provisórios.”