Nov 16

há ministros a mais para a tesoura desta mercearia

Ministro da saúde diz que tem médicos especialistas a mais. Ministra da justiça diz que tem horas extraordinárias a mais, para os guardas prisionais. Ministro da educação, que tem professores a mais. Já lá estavam, os políticos é que não os sabiam contar. Os portugueses talvez comecem a achar que há ministros a mais para a tesoura desta mercearia. Bastava um, o das finanças, com dez secretários de Estado para o corte e costura.

Claro que vi o jogo contra a Bósnia. Deitadinho na cama, mas sem perder pitada. Gosto mais de futebol que de xenofobia, a laser. O árbitro era alemão, mas não foi por causa disso que errou. Mas o pontapé dos lusos estava com mais sede de redes. E a auto-estima cresceu um pedacinho. Gritei por dentro, que a faringite não deixa mais. Sou um doidinho da bola…incorrigível.

Novo governo italiano, apenas com doze ministros. Um deles o do Fomento, Obras Públicas e Transportes. Não consta que Álvaro tenha sido exportado. Nem como mármore de Carrara.

Ou de como um banco de investimento americano desembarca na democracia sitiada pelos mercados. Esperemos que os ditos inimigos passem a amigos dos povos. Num tempo de tantos homens lúcidos, sobretudo entre os comentadores financeiros e económicos, eu continuo com a lucidez de ser ingénuo: acho que a crise é política.

Van Rompuy ameaça suspensão de voto para os incumpridores. Entretanto, já pairam as sombras da suspensão da democracia para os chamados devedores. Queres o fiado da democracia? Toma! Já antevia o nosso Bordalo… Frutos do tempo. Da voz do dono.

Logo à tarde, vai ser lançado o n. 1 da segunda série da Revista da Maçonaria. O presidente do conselho editorial é Fernando Sacramento. Que também subscreve um artigo sobre o segredo maçónico. Há outros colaboradores. Vai estar nas bancas. Eu sei, porque também sou autor de um dos artigos. Uso o nome do cartão de cidadão.

Boa notícia: a troika avaliou-nos e passámos no exame. O cheque vai chegar, de oito mil milhões de euros. Vamos ter, depois, de o pagar. Com juros. Desemprego. Falências. Recessão. Empobrecimento. Falta de esperança. E engenheiros de sonho, com patriotismo científico.

 

Nov 15

Farpas

Francisco Sá Carneiro, António Guterres ou Adelino Amaro da Costa foram dádivas da Igreja à democracia e nenhum deles deixou de aliar-se a Nuno Rodrigues dos Santos, Emídio Guerreiro ou Raul Rego. Quem quiser esquecer-se deste facto fundacional do nosso estilo de vida política está a dirão um tiro nos pés.

O contágio é terrível. Nem com máscaras anti-gás, a coisa alivia. Ainda por cima, ainda usam os argumentos da Grande Guerra. Essa das trincheiras e dos gaseados.

Nov 14

Se as circunstâncias ditam e tudo depende do contexto

Descarregado numa dessas salas de espera de nossas doenças individuais e colectivas, confirmo que há sempre mais carga de doentes que de doenças, porque, neste nosso estado de falta de saúde, grande parte dos pacientes ainda se impacientam mais que proporcionalmente aos padecimentos do corpo e da alma a que estão. Comigo era só faringite, por enquanto. E o médico, um conhecido “blogues” que espirrava ainda mais. Já fui à farmácia e já tomei a dose.

Ontem a minha amiga de FB, Rita Ferro, clamava no programa do Hermann, por algumas regras de gramática que nem eu próprio talvez observe, mas que me envergonho quando as pontapeio. Talvez por não ter recebido aquele impulso instrutivo contra a calinada. Infelizmente, meu linguajar, apanhado ao ar livre das ruas do povo, continua a precisar de escola, gramáticos e ortográficos, dado que não chegam as canções e os poemas que ao verbo dão lições de harmonia, numa música espiritual que nos vai fluindo em respiração de alma colectiva. Porque as regras continuam necessárias, sobretudo quando há transgressores, como eu próprio assumo. Para se corrigir o que é com aquilo que deve ser. Ontem a Rita Ferro esteve muito bem.

“Todos os titulares de órgãos de soberania, incluindo deputados, jornalistas, agentes de execução e ministros de confissões religiosas”, exercem actividades que devem ser consideradas incompatíveis com o exercício da advocacia. Orientação aprovada no Congresso dos Advogados. Para não ser aplicada, neste país de biscateiros.

Quando os ministros da economia de Portugal marcam data para o fim da crise, eles logo entram no panteão das bruxas da Horta Seca. Pior ainda, quando dissertam sobre a queda de pontes, ao mesmo tempo que negoceiam com o Vaticano o fim das pontes. Esquecem que o papa é herdeiros dos pontífices, isto é, dos que faziam pontes para nos levarem à outra banda, a do rio Tibre.

Se as circunstâncias ditam e tudo depende do contexto, não me invoquem o texto fora do contexto. Logo, seguindo o conselho, sou obrigado a não ouvir a respectiva palavra, aqui e agora. Não quero ser reduzido a auditor de quem não sabe ser autor, e nem sequer consegue fingir que é actor, pelo mau guionista que escolheu. A banalidade é um pilar da ponte do tédio…

Num dia de tão álvara parlamentaridade, fiquei a saber, mui impávido e sereno, e sem gestinhos feios, que há certos feriados que são dotados de imobilidade. Daí a minha sugestão criacionista: ainda temos soberania calendária e podemos dar mobilidade aos sábados e domingos. Voltar à semana inglesa, não! Londres não faz parte do euro.

Os chamados mercados parece que não reagem positivamente às chicotadas psicológicas de Atenas e Roma. É neste ambiente que as Espanhas vão a votos. Portugal já foi. Franceses e alemães hão-de ir. O sobressalto continua.

Nov 13

Nada melhor que uma perseguição para reavivar a comunhão

Quem me conhece sabe que nunca poderia aderir à fórmula enforcar o último papa nas tripas do último padre, mas ainda há muitos que em lugar de papas e padres põem outras categorias desde comunistas, maçons, democratas, socialistas, fascistas, brancos, negros, sindicalistas, capitalistas, liberais, protestantes, obreiros, capitalistas, etc. Nada melhor que uma perseguição para reavivar a comunhão dos que acreditam na eternidade.

Com dois super-mários no poder, o draghi e o monti, não é preciso que regresse D. Sebastião. Neste processo de papa o demos, só falta que Trichet substitua o Nicolau e que Constâncio assuma a liderança do novo bloco central. Até Louçã já elogia serodiamente o cavaquismo. Dava um bom ministro das finanças da salvação nacional.

Estive a ler o FB de António José Seguro. É muito mais do que as transcrições dos telejornais. Ou que o instrumento semelhante do presidente. Ele vai à luta nos próprios comentários, reflectindo autenticidade. Julgo ser inédito em políticos cimeiros e merece a minha solidariedade

 

Nov 12

Não há liberdade sem metafísica

Nas democracias pluricentenárias, implantadas por homens livres e de bons costumes, não pode haver sociedades secretas para efeitos políticos e económicos. E aí de quem as confunde com sociedades secretas iniciáticas. Em situações totalitárias e autoritárias, ainda bem que existem sociedades secretas de resistência. E até golpes de Estado libertadores. Confundir alhos com bugalhos só alimenta os adeptos da tirania, do fanatismo, da ignorância e da intolerância. Nas democracias pluricentenárias, implantadas por homens livres e de bons costumes, não pode haver sociedades secretas para efeitos políticos e económicos. E aí de quem as confunde com sociedades secretas iniciáticas. Em situações totalitárias e autoritárias, ainda bem que existem sociedades secretas de resistência. E até golpes de Estado libertadores. Confundir alhos com bugalhos só alimenta os adeptos da tirania, do fanatismo, da ignorância e da intolerância. Há dois mil anos e tal que os cristãos, repetindo o que já diziam estóicos e confucianos, mandam amar o próximo como a nós mesmos e não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós. Ainda hoje, cada um de nós violou essa norma mínima da faceta moral de todas as grandes religiões e crenças universais. A culpa não está na norma, nem nas organizações que a defendem. Está na natureza do ser humano. Daquele que todos os dias cai, mas que, sem essa norma, não poderia levantar-se. Com a democracia, que não é um facto, mas uma norma desse género, passa-se o mesmo. É um dever-ser que é, o imperfeito que manda procurar a perfeição. E que aperfeiçoa. Não há verdadeira liberdade sem metafísica. Nem homem sem transcendente, mesmo na perspectiva ateia. Para mim, o homem não passa de um transcendente situado. Alguns podem traduzir transcendente por espírito. Dizem o mesmo. Outros também podem dizer Deus ou deuses. Não interessam os nomes. Vale mais a coisa nomeada e sentida por dentro. Sou um homem religioso, mesmo sem religião revelada.

 

Nov 12

Não há verdadeira liberdade sem metafísica

Nas democracias pluricentenárias, implantadas por homens livres e de bons costumes, não pode haver sociedades secretas para efeitos políticos e económicos. E aí de quem as confunde com sociedades secretas iniciáticas. Em situações totalitárias e autoritárias, ainda bem que existem sociedades secretas de resistência. E até golpes de Estado libertadores. Confundir alhos com bugalhos só alimenta os adeptos da tirania, do fanatismo, da ignorância e da intolerância

 

Há dois mil anos e tal que os cristãos, repetindo o que já diziam estóicos e confucianos, mandam amar o próximo como a nós mesmos e não fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós. Ainda hoje, cada um de nós violou essa norma mínima da faceta moral de todas as grandes religiões e crenças universais. A culpa não está na norma, nem nas organizações que a defendem. Está na natureza do ser humano. Daquele que todos os dias cai, mas que, sem essa norma, não poderia levantar-se. Com a democracia, que não é um facto, mas uma norma desse género, passa-se o mesmo. É um dever-ser que é, o imperfeito que manda procurar a perfeição. E que aperfeiçoa

Todas as cartas de amor são ridículas. Mas mais ridículo ainda é não se conseguir escrever uma carta de amor. Com os símbolos, as pátrias , as religiões e as liturgias, todas ridículas, os que estão de fora até podem dizer o que os chineses diziam dos primeiros portugueses que os visitaram: “uns bárbaros, comem pedras e bebem sangue”. Eles não usavam o pão nem o vinho. Os mesmo diziam outros sobre aqueles adoradores de antigos símbolos de tortura antigos que todas as semanas praticavam antropofagia. Por causa da Cruz e das hóstias, ditas corpo do assassinado que ressuscitou. Sem essas e outras coisas ridículas, os homens morreriam todos de frio, por falta de alma

Não há verdadeira liberdade sem metafísica. Nem homem sem transcendente, mesmo na perspectiva ateia. Para mim, o homem não passa de um transcendente situado. Alguns podem traduzir transcendente por espírito. Dizem o mesmo. Outros também podem dizer Deus ou deuses. Não interessam os nomes. Vale mais a coisa nomeada e sentida por dentro. Sou um homem religioso, mesmo sem religião revelada.

Nov 12

Farpas

Foi há vinte anos em Santa Cruz. A república de Loro-Sae encontrou o sinal da sua memória de sofrimento para continuar a libertação. Pátria sempre foi terra de mortos que renascem nas saudades de futuro. Viva Timor Leste, Timor Livre!

Nas democracias pluricentenárias, implantadas por homens livres e de bons costumes, não pode haver sociedades secretas para efeitos políticos e económicos. E aí de quem as confunde com sociedades secretas iniciáticas. Em situações totalitárias e autoritárias, ainda bem que existem sociedades secretas de resistência. E até golpes de Estado libertadores. Confundir alhos com bugalhos só alimenta os adeptos da tirania, do fanatismo, da ignorância e da intolerância.

Sábado do nosso descontentamento. Quando a geometria social começa a não rimar com a aritmética parlamentar. E quando novas forças vivas ameaçam desequilibrar. Mesmo sem perturbadores sistémicos. Que os partidos compreendam o país. Incluindo o que se manifesta no palco das ruas.

Ministro da cenoura retórica, usa agora o espaço do chicote retórico. Foi num habituais passeios pela paisagem, em fim-de-semana, num exercício revivalista daquilo a que chamava ministro da província. E ministerializou discursivamente contra “propostas criativas” e atitudes “muito abstractas”. Meros jogos de “agenda setting” para glosar as parangonas do habitual semanário do regime.

Figuras morais do regime dissertam sobre o governo mundial e o futuro da utopia da Europa. Quem marca o ritmo é o antigo chefe dos banqueiros, para quem “Portugal está na situação de quem perdeu uma guerra”. Pena é que ainda tenha de agradecer a quem o bombardeou, isto é, a santa aliança do poder banco-burocrático e dos patos bravos do betão. Pena, não terem convidado Otelo Saraiva de Carvalho para a reflexão.

Berlusconi foi derrubado em directo na cimeira do G20. Antes de o ex-vice do BCE passar a liderar o governo de Atenas. Em Espanha ainda há direito a eleições e Portugal teve sorte de as fazer antecipadamente. A Europa corre o risco de deixar de ser uma democracia de muitas democracias. Isto é, pode perder o sentido e passar a ser regida por sucessivas ditaduras das finanças, tendo em vista as eleições alemãs e francesas. É cruel, espero que deixe de ser verdade.

 

Os militares dizem que não são funcionários públicos. Os médicos, também. Tal como os magistrados, os diplomatas, os ministros, os deputados e os professores. Isto é, noventa por cento dos funcionários públicos

Nov 11

Já temos orçamento

Presidente Cavaco, em entrevista à CNN, qualifica a Europa como “cacophony”. Deve ser por derivar do grego κακοφωνία (kakophōníā). Ou então, tem a ver com o plebeísmo português de estar tudo em “cacos”. De qualquer maneira, elogio o vernáculo, seja ele qual for.

Ao fim de meia dúzia de horas de parlamentação, eis que chega a palavra do ministro Álvaro. Transporta-nos e diz que vai injectar milhões. Ainda bem que está satisfeito. Diz que vai acabar com o paradigma e tem muitas palmas. Usa sempre o pretérito imperfeito e o futuro condicional.

 

Qualquer investidor estrangeiro que assistisse ao processo de alvarização em curso, sobretudo no louvaminheirismo,, compreenderia como o facciosismo repeliu, até a nível ministerial, o conselho presidencial sobre o diálogo construtivo.

Gosto deste sincrético que faz sublimar a violência revolucionária e contra-revolucionária em luta política com regras, eleições, parlamentos, partidos, com golpes de Estado sem efusão de sangue, como podem ser os tsunamis eleitorais. O método pode ser lento, mas é mais autêntico, mata menos e não dá tantos coices de regresso à lei da selva.

Como o meu puto ontem me ensinava, grande parte da crise actual veio de certos investidores, como os fundos de pensões, oriundos do Estado Social, terem perdido a segurança do investimentos em dívidas soberanas. Como faltam esses velhos centros de garantia, o chamado capitalismo popular anda por aí ao Deus dará. Sugiro que o Papa crie “vaticanobondes” e que a nossa conferência episcopal lance um produto novo e atractivo, tipo “fatimabondes”

Já temos orçamento. Mas não se sabe a respectiva origem etimológica. Deixo a tese de Antenor Nascentes, autor do Dicionário da Língua Portuguesa (1964) e Dicionário de Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras (1988), “das tentativas para dirigir a proa na direção do vento teria vindo o sentido de ‘calcular por alto’”. Apenas desejo que o barco não vá ao fundo.

O inquérito sobre o ocorrido na madrugada de 25 de Abril de 1974 já foi arquivado pelos factos, apesar de ter instaurado o Estado de Direito, por linhas tortas

Nov 11

Farpas

Não sou CDS, PSD ou PS, já há décadas que deixei de ser anticomunista, desde a queda do Muro, gosto dos capitães de Abril, sou solidário para com os sindicalistas, até porque fui sindicalista, nunca votei nem votarei Cavaco, isto é, sou um tipo adepto do regime, mas liberal, pelo que sou capaz de denunciar a partidocracia e os jogos florais dos partidocratas que, vistos de fora, cá de dentro, cheiram a bafio, porque era extremamente fácil encaminhá-los para um governo de emergência nacional, não dependente do bloco central de interesses, e para uma adequada revisão constitucional que nos livrasse das vacas sagradas.

 

Como o meu puto ontem me ensinava, grande parte da crise actual veio de certos investidores, como os fundos de pensões, oriundos do Estado Social, terem perdido a segurança do investimentos em dívidas soberanas. Como faltam esses velhos centros de garantia, o chamado capitalismo popular anda por aí ao Deus dará. Sugiro que o Papa crie “vaticanobondes” e que a nossa conferência episcopal lance um produto novo e atractivo, tipo “fatimabondes”

 

Sejamos mesmo contra a corrente: nunca o mundo foi tão capitalista como hoje. Apenas assistimos a uma crise de crescimento, com a infuncionalidade de velhos centros de poder, estaduais ou financeiros, e que seria trágico restaurá-los em proteccionismos serôdios, que aumentariam a fome, a doença e a insegurança, até com o eventual regresso da guerra.

 

Ainda ontem se anunciava que finalmente a Rússia viu desbloqueada a sua adesão à OMC, dando-se um golpe fatal no proteccionismo, com a consequente vitória global do demoliberalismo e do capitalismo, enquanto regras do jogo onde, pela democracia, se pode lutar pela justiça. Como liberal, me congratulo.

 

Quando o mundo além da Europa pratica os princípios da autodeterminação nacional, do respeito pela dignidade humana e da liberdade de circulação de pessoas, mercadorias e capitais, mesmo que tal possa estar contra alguns interesses europeus, eu tenho de reconhecer que é o projecto europeu que se está a mundializar.

 

Quando o Norte do mundo reconhece que tem de pedir fundos ao Sul, para poder manter o exemplo da respectiva civilização, apenas temos de reconhecer que a perspectiva merceeira da geofinança, a que agora controla a Europa, não repara que nunca a humanidade foi tão europeia em ideias, valores e regras.

 

Qualquer investidor estrangeiro que assistisse ao processo de alvarização em curso, sobretudo no louvaminheirismo,, compreenderia como o facciosismo repeliu, até a nível ministerial, o conselho presidencial sobre o diálogo construtivo.

 

Ao fim de meia dúzia de horas de parlamentação, eis que chega a palavra do ministro Álvaro. Transporta-nos e diz que vai injectar milhões. Ainda bem que está satisfeito. Diz que vai acabar com o paradigma e tem muitas palmas. Usa sempre o pretérito imperfeito e o futuro condicional.

 

A parte do Gaspar contra o Honório ainda tem a sua graça. Os cenários macro-económicos são daquele género literário mais próximo da ficção. Navegam sempre na margem de erro. Isto é, são lixo.

 

Horas e horas de debate parlamentar para que brilhem os marchuetas dos governamentalistas e oposicionistas. Hora e meia de “cross examination” ou de acareação geriam melhor os recursos escassos da palavra posta em discurso…

 

Papademos o ex-vice do BCE é o primeiro a chefiar um governo de unidade nacional nos periféricos do euro. Há quem já fale em Victor Constâncio. Esquecem que já temos um ex-quadro do Banco de Portugal na presidência Belenense.

 

O modelo do euro a várias velocidades quase repete os temas da Conferência de Berlim e da consequente partilha das colónias, violando flagrantemente o “pacta sunt servanda”. Não é muro da vergonha, é desenvolvimento separado, aquilo que em holandês africano se chamava “apartheid”. O chamado fundamentalismo de merceeiro, conforme a história dos pretensos vencedores. Raio que os parta!

 

Sim! O nosso primeiro ganhou o debate. Aliás, quando jogamos a soma zero, os nossos primeiros ganham sempre os debates do género. Como também aconteceu com os antecessores. A comunidade é que tem sido sempre derrotada. A política deveria ser um jogo de soma variável, onde as partes e os partidos competem uns com os outros, mas onde todos devíamos ganhar conjuntamente. Só com alma se dignifica a democracia competitiva. Não com o mais do mesmo.

 

Continua o exercício sobre o sexo dos anjos decaídos, quando deveríamos estar a negociar uma plataforma de emergência nacional, com a classe política, mobilizando a compreensão das forças sociais, económicas e morais, incluindo o total empenhamento do presidente e seu conselho.

 

O maior dos perigos de Portugal tanto está no presente ambiente europeu, de quase subversão instalada, como na eventual autoclausura reprodutiva da classe política que pode tornar-se na coveira do regime, se continuar a discutir o sexo dos anjos.

 

Aqui e agora, quem fala em golpe de Estado, apenas usa o aguilhão da palavra, conforme a origem etimológica da própria ideia de argumento. Serve apenas para a dialéctica e pode ser uma forma de provocação ao patriotismo. Mesmo quando diz que os militares não devem enveredar por manifestações subversivas, dado que a única subversão em que são eficazes está no uso da máxima violência concentrada que a comunidade, ou república, neles depositou. Uma violência que não é deles mas do povo. Julgo que Otelo apenas quis dizer isto.

 

Um golpe de Estado é uma forma de violência pré-política, quando uma parte do Estado se põe contra outras partes do mesmo Estado, visando acabar com uma anarquia ordenada, ou com uma desordem bem organizada, onde, pela magia do povo, um acto ilícito se pode tornar legítimo. Se vencer. E tiver a imediata adesão pública, em torno de uma nova ordem.

Nov 10

Do golpe de Estado

Depender apenas da ajuda externa, sem crescer no apoio interno, é jogar na roleta russa.

Equidade é tratar o desigual, desigualmente, atendendo ao caso concreto. Nunca foi o corte cego onde, pela percentagem, paga o justo pelo pecador. A régua de ferro não mede a indivualidade dos seres que nunca se repetem. Sobretudo dos que servem sem quererem servir-se.

Pedro diz que o empréstimo da troika não é uma agressão, mas uma necessidade. Certo. Mas agressão não deixa de ser a condição de protectorado em que ficámos.

Desde o senhor D. Afonso Henriques que os velhos do restolho, incluindo os avaliadores das consultadorias internacionais, nos consideram impossíveis. Por isso é que resistimos há quase nove séculos.

Assisti na minha vida de cidadão a um golpe de Estado. O que começou a 25 de Abril de 1974 e se conformou em 25 de Novembro de 1975, mas que passou pelas eleições para a Constituinte, em 25 de Abril de 1975, e pelas eleições constitucionais do Parlamento e do presidente em 1976. Isto é, os golpes duram mais do que um dia.

Um golpe de Estado é uma forma de violência pré-política, quando uma parte do Estado se põe contra outras partes do mesmo Estado, visando acabar com uma anarquia ordenada, ou com uma desordem bem organizada, onde, pela magia do povo, um acto ilícito se pode tornar legítimo. Se vencer. E tiver a imediata adesão pública, em torno de uma nova ordem.

Aqui e agora, quem fala em golpe de Estado, apenas usa o aguilhão da palavra, conforme a origem etimológica da própria ideia de argumento. Serve apenas para a dialéctica e pode ser uma forma de provocação ao patriotismo. Mesmo quando diz que os militares não devem enveredar por manifestações subversivas, dado que a única subversão em que são eficazes está no uso da máxima violência concentrada que a comunidade, ou república, neles depositou. Uma violência que não é deles mas do povo. Julgo que Otelo apenas quis dizer isto.

Horas e horas de debate parlamentar para que brilhem os marchuetas dos governamentalistas e oposicionistas. Hora e meia de “cross examination” ou de acareação geriam melhor os recursos escassos da palavra posta em discurso.

Papademos o ex-vice do BCE é o primeiro a chefiar um governo de unidade nacional nos periféricos do euro. Há quem já fale em Victor Constâncio. Esquecem que já temos um ex-quadro do Banco de Portugal na presidência Belenense.

Outrora, o denunciado acordo anglo-germânico, sobre a partilha das possessões lusitanas, serviu de pretexto para um conseguido protesto que, mesmo depois do Ultimatum e em plena bancarrota, tivesse sido possível a construção do nosso império africano, rapidamente e em força. Era um objectivo tido por permanente da então estratégia nacional.

 

Foi em nome dessa estratégia estrutural, a do patriotismo imperial, que a I República se sacrificou, com a participação na Grande Guerra. Colocou os interesses nacionais acima da conjuntural conservação do regime, quando bem poderia ter jogado, de forma calculista, numa espécie de antecipação da neutralidade colaborante. Pelo menos, morreu com honra.

O modelo do euro a várias velocidades quase repete os temas da Conferência de Berlim e da consequente partilha das colónias, violando flagrantemente o “pacta sunt servanda”. Não é muro da vergonha, é desenvolvimento separado, aquilo que em holandês africano se chamava “apartheid”. O chamado fundamentalismo de merceeiro, conforme a história dos pretensos vencedores. Raio que os parta!

Sim! O nosso primeiro ganhou o debate. Aliás, quando jogamos a soma zero, os nossos primeiros ganham sempre os debates do género. Como também aconteceu com os antecessores. A comunidade é que tem sido sempre derrotada. A política deveria ser um jogo de soma variável, onde as partes e os partidos competem uns com os outros, mas onde todos devíamos ganhar conjuntamente. Só com alma se dignifica a democracia competitiva. Não com o mais do mesmo

Continua o exercício sobre o sexo dos anjos decaídos, quando deveríamos estar a negociar uma plataforma de emergência nacional, com a classe política, mobilizando a compreensão das forças sociais, económicas e morais, incluindo o total empenhamento do presidente e seu conselho

O maior dos perigos de Portugal tanto está no presente ambiente europeu, de quase subversão instalada, como na eventual autoclausura reprodutiva da classe política que pode tornar-se na coveira do regime, se continuar a discutir o sexo dos anjos.