Entre academias do bacalhau e dos pastéis de nata, nunca tantas foram as mesas de comensais e os estreitos círculos de comadres e compadres que, a si mesmos, se consideram como detentores do monopólio da inteligência pátria, a tal que eles reduzem à comenda e à honraria de lata… Nunca tão poucos acumularam tantos altares, para nos comerem a papa, violando as massas com a vaidade e a inveja que os guindaram a papadores. Mas um país intelectualmente unânime numa reverência feudal já não será país, continuará gado engordado a caminho do talho da história… Entre os presidentes de junta em funções, que dão nome a estádio, conselhos superiores que fazem estátuas, toponímia, comendas e quadros a óleo, a decadência pensa que se perpetua neste barroco dos papa-reformas e tachos, acumulando em vida, aquilo que que a lei da história nem em notas de pé-de-página registará. Aqui, Roma paga aos traidores! Às vezes, o escorpião acaba por morrer com o seu próprio veneno…
A teoria do escorpião, ou o gajo porreiro vestido de animal feroz…
As trapalhadas do PS em matérias de comunicação social são típicas de certa mania das grandezas, desde quando os soarismo perdeu a humildade do jornal “República” e o sentido libertacionista de Raul Rego, enveredando pelos macaísmos das Emaudios…
Se calhar, os materiais provenientes da comarca do Baixo Vouga têm a dimensão delirante, típica dos meandros imaginados por Rui Mateus, mesmo que eles revelem o óbvio da tradição soarenta, ainda que disfarçada de de zapaterização
O PS sempre sonhou em ter o seu Balsemão. Até Monjardino chegou a receber de D. José Policarpo o legado da sonhada Televisão da Igreja (TVI), onde Roberto Carneiro e Zé Ribeiro e Castro deram a inevitável raia… depois do cavaquismo tentar a solução salomónica que afectou Daniel, de novo na ribalta, fazendo jus ao que Francisco Sá Carneiro dele disse em directo, no governo de Mota Pinto.
Infelizmente para o pluralismo, o PS nem sequer conseguiu ter hoje uma espécie de “A Luta”, dado que muitas defesas do situacionismo se confundem com as tolices salazarentas dos editoriais do “Diário da Manhã”, do “Novidades” e de “A Voz”. E a tentação de PS, bem como de PSD, controlarem as grelhas dos telejornais da RTP já pertence ao anedotário nacional…
Até nem é por acaso que o cargo de secretário de estado da comunicação social ia queimando para sempre um tipo liberdadeiro como Manuel Alegre, obrigado que foi a manchar o seu nome histórico com o encerramento do glorioso jornal “O Século” e de revistas como a “Vida Mundial”…
O único controleirismo que tem algum êxito, falhadas as tentativas do PS e da Igreja Católica de não cumprirem a respectiva natureza, talvez esteja no modelo madeirense de Alberto João…
Restam as antigas homilias de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Vitorino, embora Marcelo tenha o jornalismo na massa do sangue e não precise de pacto feudal para ter luz própria, como, certamente, o continuará a demonstrar…
E quando alguns denunciam o “Prós e Contras” como agente do governamentalismo vigente, estão a ser injustos para a equipa de Fátima Campos Ferreira, porque seria absurdo colocá-la no lado inverso do programa “Plano Inclinado” de Mário Crespo e Medina Carreira. Pior: seria mais injusto para esta última novidade televisiva.
Para se ter algum êxito com duração, é preciso o equilíbrio que sempre conseguiu manter a Rádio Renascença, combinando doutrina com liberdade de informação, editorial com jornalismo profissional e até história de martírio com apoio popular à libertação, com o PS histórico na linha da frente da resistência…
A patente falta de autenticidade do discurso de certo situacionismo, que até faz naufragar vozes de grande qualidade, que têm tido a honradez de não traírem as respectivas opções e concepções do mundo e da vida, como, por exemplo, Emídio Rangel, tem levado a um exagero de teorias da conspiração…
Por isso, louvo os dois deputados em roda livre que ontem saltaram para as parangonas, como esse grande senhor que é Mota Amaral e o mestre Pacheco Pereira, dado que ninguém que os conheça e compreenda pode reduzi-los à dimensão de vozes de um qualquer dono…
Não vamos é aproveitar uma comissão de inquérito para não enfrentarmos o problema maior, o da crise da administração da justiça em nome do povo, só porque os magistrados de Aveiro cumpriram a sua missão e encravaram um sistema bloqueado por personalizações do poder…
Entre academias do bacalhau e dos pastéis de nata, nunca tantas foram as mesas de comensais e os estreitos círculos de comadres e compadres que, a si mesmos, se consideram como detentores do monopólio da inteligência pátria, a tal que eles reduzem à comenda e à honraria de lata…
Nunca tão poucos acumularam tantos altares, para nos comerem a papa, violando as massas com a vaidade e a inveja que os guindaram a papadores. Mas um país intelectualmente unânime numa reverência feudal já não será país, continuará gado engordado a caminho do talho da história…
Entre os presidentes de junta em funções, que dão nome a estádio, conselhos superiores que fazem estátutas, toponímia, comendas e quadros a óleo, a decadência pensa que se perpetua neste barroco dos papa-reformas e tachos, acumulando em vida, aquilo que que a lei da história nem em notas de pé-de-página registará. Aqui, Roma paga aos traidores!
Às vezes, o escorpião acaba por morrer com o seu próprio veneno…
Lá vem a nau catrineta, que não tem nada para contar…a não ser delírios em noite que cheira a Verão
Passos Coelho entrevistadeu-se. Muito simpático, muito bom aluno, muito cordato, procurando o círculo dentro do quadrado, o quadrado no círculo, circulando, quadradizando…
Apenas confirmou que há Bruxelas e que, por enquanto, nada de crise política, nada de eleições, só boa fé e os relatórios mensais e trimestrais da UTAO, essa entidade mágica que é o que é, e não tem tempo para ser reforçada, a não ser que peça mais um relatório ao Banco de Portugal, que é tão ou mais independente e que já nisso deu raia…
Um dia, no PREC, Almeida Santos, quando ainda era Necas, qualificou-nos como um manicómio em autogestão. Agora, tudo como dantes, com os gestores Sócrates e Cavaco, mais os socratinhos, mais os cavaquinhos, o Afeganistão, o cavaquistão e o país das maravilhas. Até Jorge Coelho diz que só um maluco é que agora pode dedicar-se à política…
Registem-se as palavras emitidas por Belmiro, Salgueiro, Ferraz ou Ulrich. Onde se denunciam a falta de verdade, a falta de juízo e o inverosímil de altos responsáveis políticos…
Que ministros e secretários de Estado continuam respectivo desfile. Secretário de Estado das arcadas diz que os impostos serão retroactivos, Sócrates desmente. E muito bem, mesmo sem reler a análise orgânica da constitucionalidade quando foi do confisco do 13º mês de Soares, citando um financeiro dos tempos da I República que foi quem faz da ditadura um estado novo… Mas nosso Primeiro já nem se dá à maçada de desmentir Mendonça. A Corte precisa mesmo de ministros como Mendonça, para que Jorge Coelho diga que não regressa à política…
E o grande Concílio da Banca decidiu fazer mesmo contas e mandou-nos mudar de vida. “Radicalmente”. O BPI levou a coisa à risca e já diz que não vai mesmo servir de intermediário financiador das grandes obras socráticas, do TGV à terceira travessia…nem sequer da auto-estrada que vai de Sines para Beja…
Por mim, gostei imenso de ver aquele ministro cavaquista, feito pelo governo de Sócrates presidente da Caixa, ainda nossa, falar em mudar da dita, para que se pratiquem as reformas necessárias. Fui logo à estante tirar o pó ao manifesto do banqueiro anarquista…
Entretanto, Pôncio Pilatos, governador do reino por vontade estranha, a do império, liberta Barrabás, prefere lavar as mãos e permite a crucificação de quem não devia, no tempo em que também ainda havia penas pesadas para ladrões, incluindo os bons malandros…
Vale-nos o Moirinho, que nem por causa do nome deixou de ser recrutado pelo Pinto que costuma vê-los na Costa, como nosso vingador, que venceu mais torneios do que o Magriço. E aquela corneta cor de laranja com que vamos soprando as frustrações que nos elevam da Covilhã à terra de Mandela, pois mandalas é que nos fazem falta. Soprai, soprai, como manda o reclame da Galp!…
As notícias continuam a explodir, revelando uma turbulência de quase “out of control”. A nau do Estado pode ter timoneiros e candidatos rotativos ao posto, mas não sei se já tem leme. Até o GPS, que permitia a pilotagem automática da governança sem governo, parece avariado e tem de fazer “upload” directamente nas Caves da Barroseira…
Há nuvens de cinza arrastadas do além que não nos deixam navegar à vista da costa, a dos mouros, e, no mastro real, os gajeiros do costume já não são tão porreiros. A nau catrineta já não tem muito que contar…
Pena que o TGV se fique pelo poceiro das boa intenções. Que o aeroporto seja um barrete verde. E que a terceira travessia não seja a do quinto império, aproveitando o que já está feito no Bugio. Nesse Tagus que não é “park”, nem porto que seja “free”, mas mar da palha de Abrantes, sem quartel-general, como dantes. Nem manifesto antidantes…
Pedimos desculpa pela interrupção. O programa do mais do mesmo segue dentro de momentos, mesmo que já nos dêem pelo fiado, para as obras de Santa Engrácia…
Por trapalhadas de menos desculpas s.a.r.l., bem de somenos, pôs Sampaio Santana a andar. Claro que o líder da oposição vai passar entre os pingos de chuva, dado que nosso anticiclone e a “mainstream”, dita do Gulf, já nos dão sinais de Verão que, em plena época dos incêndios, terá, pelo menos, três relatórios da UTAO, já reforçada, com as verbas que estavam afectas à sala de fumo de São Bento!
Da montanha que deu à luz mais um ratinho, depois de gémitos tremendos ajoelhados
O estado a que chegámos volta a parecer uma espécie de cão de guarda dos interesses, continuando a ser alimentado por impostos. Enquanto o povo não voltar a ser a principal das forças vivas, as castas que controlam e pressionam os donos do poder até mantêm a ilusão de domar a própria democracia. Muitos glosam equívocos sons de Max Weber, que ficam sempre bem em discurso da Razão de Estado e que misturam ética com convicção e responsabilidade… A subtil distinção weberiana, nas suas categorias originais, equipara a ética da responsabilidade a Maquiavel e a da convicção, ao que viria a ser Ghandi. Por outras palavras, presidente preferiu a salvação da cidade, ao que especulou sobre a salvação de sua alma, ainda a semana passada benzida e genuflectida. Por coisa idêntica a tal angústia, rei Balduíno da Bélgica abdicou temporariamente… Invocando a circunstância da presente situação de emergência, redita como potencialmente explosiva, apenas emitiu grito de alma com geasto de pólvora seca, deixando que o respectivo eu submergisse e com muitos exemplos de direito comparado. Seria mais convicto tê-la emitido, não da montanha cheia de ratinhos suburbanos, mas antes, ou durante, a peregrinação de Bento XVI e sem subentendidos de aula de macro-economia. Sobre a coisa promulgada, a minha alma diz que a matéria do casamento de homossexuais dever ser mesmo casamento de homossexuais com outro nome e não este exercício de abstracção e generalidade, bem construtivistas, ao meter num contrato o que, de acordo com o direito romano, bem antes do direito canónico, deveria ser uma instituição. Continuo a preferir soluções à inglesa, à sueca e à francesa! Já quanto à convicção dos católicos, sugiro que assumam a autonomia do direito canónico, incluindo a dos tribunais eclesiásticos, repensando a concordata. Porque foi a confusão entre política e religião e certa religião com a sociedade que adiou aquilo que era há muito urgência de não-discriminação. O atraso talvez tenha gerado uma pouco pioneira pior emenda do que o soneto, ao contrário do que aconteceu em 1867.
Da montanha que deu à luz mais um ratinho, depois de gémitos tremendos ajoelhados
O estado a que chegámos volta a parecer uma espécie de cão de guarda dos interesses, continuando a ser alimentado por impostos. Enquanto o povo não voltar a ser a principal das forças vivas, as castas que controlam e pressionam os donos do poder até mantêm a ilusão de domar a própria democracia.
Segundo nossa eminência, em portinhol falando, não há bloco central, mas apenas um “parceiro patriota e responsável” com quem quer “danzar el tango”. Parafraseando Barroso, apenas peço que não nos deixem de “tanga”. A bailados destes, não há cooperativa que resista, nem a da mula do Max, que este, ao menos, sempre nos dava o bailinho da Madeira…
Cavaco Silva acaba de ser colocado ao nível de Jorge Lacão. E ministro diz que lei não vetada, mas denunciada, é tão pioneira quanto o foi o diploma de 1867, que aboliu a pena de morte. Ambos glosam equívocos sons de Max Weber, que ficam sempre bem em discurso da Razão de Estado e que misturam ética com convicção e responsabilidade…
A subtil distinção weberiana, nas suas categorias originais, equipara a ética da responsabilidade a Maquiavel e a da convicção, ao que viria a ser Ghandi. Por outras palavras, presidente preferiu a salvação da cidade, ao que especulou sobre a salvação de sua alma, ainda a semana passada benzida e genuflectida. Por coisa idêntica a tal angústia, rei Balduíno da Bélgica abdicou temporariamente…
Invocando a circunstância da presente situação de emergência, redita como potencialmente explosiva, apenas emitiu grito de alma com geasto de pólvora seca, deixando que o respectivo eu submergisse e com muitos exemplos de direito comparado. Seria mais convicto tê-la emitido, não da montanha cheia de ratinhos suburbanos, mas antes, ou durante, a peregrinação de Bento XVI e sem subentendidos de aula de macro-economia.
Sobre a coisa promulgada, a minha alma diz que a matéria do casamento de homossexuais dever ser mesmo casamento de homossexuais com outro nome e não este exercício de abstracção e generalidade, bem construtivistas, ao meter num contrato o que, de acordo com o direito romano, bem antes do direito canónico, deveria ser uma instituição. Continuo a preferir soluções à inglesa, à sueca e à francesa!
Já quanto à convicção dos católicos, sugiro que assumam a autonomia do direito canónico, incluindo a dos tribunais eclesiásticos, repensando a concordata. Porque foi a confusão entre política e religião e certa religião com a sociedade que adiou aquilo que era há muito urgência de não-discriminação. O atraso talvez tenha gerado uma pouco pioneira pior emenda do que o soneto, ao contrário do que aconteceu em 1867.
Depoimento aos jornais
Eleitores deverão penalizar PS e poupar PSD após acordo
Politólogos dizem que Governo será castigado nas urnas e que Passos Coelho poderá lucrar
00h30m
CARLA SOARES
O acordo entre José Sócrates e Passos Coelho sairá muito mais caro ao PS do que ao PSD, prevêem os politólogos. E há quem admita ganhos nas urnas para o líder da Oposição, se convencer o país de que apenas o sentido de Estado o levou a caucionar as medidas.
Na hora de ponderar as perdas e os ganhos para os dois partidos que subscreveram as medidas de combate ao défice, as previsões são claramente negativas para aquele que sustenta o Governo. E ninguém acredita na reedição do “Bloco Central”, apesar da grave situação do país levar alguns a defender uma união de esforços mais alargada, nomeadamente ao CDS e ao PCP.
Os politólogos consideram que Passos Coelho terá tempo para descolar-se da severidade das medidas, se souber passar uma imagem de partido responsável. Isto apesar de ter abdicado, pelo menos aos olhos dos eleitores, do papel de principal opositor ao Governo, quando poderia capitalizar a contestação social. PCP e BE deverão lucrar pela via do protesto. E o CDS perdeu margem de manobra para ser um aliado do Executivo.
“Sobranceria do Governo”
André Freire, politólogo do ISCTE, sustenta que “o PS é quem, provavelmente, tem mais a perder”, porque as medidas “vão ser assacadas” ao partido que está no Governo. “O PSD também pode ficar demasiado colado, mas não vai governar e mostrou-se disponível para encontrar soluções”, contrapôe, ao JN, acrescentando que Passos Coelho “teve a humildade de pedir desculpas”, enquanto “o PS continua com a mesma sobranceria” de “quem muda de posição de 15 em 15 dias”.
O risco de o PSD ser penalizado “é remoto”, vaticina. “Quem será responsabilizado, em larga medida, é o Governo, na altura do voto”. Até porque o PSD “apresentou contrapartidas”. Já o Executivo está “sem linha de rumo” e “sem estratégia de crescimento económico”.
André Freire admite que esta convergência “não contribui para clarificar as alternativas” perante os eleitores. Além disso, não haverá necessariamente um reforço dos partidos mais pequenos, como PCP e BE, nas eleições. Pode, sim, crescer a abstenção.
O sociólogo Paquete de Oliveira crê que a atitude do PSD “é de elogiar”, pelo “dever de Estado”, mas pode “significar um prejuízo eleitoral para Passos Coelho” porque “a opinião pública, porventura, desconhece a gravidade” da situação que forçou aquelas medidas. Ou seja, o cidadão pode penalizar o PSD pela “caução” que deu e concluir que, se governasse, não lhe restava alternativa senão tomar as mesmas medidas.
Tudo depende da “habilidade do PSD para fazer crer ao eleitorado” que a sua posição “foi de sentido de Estado”. E pode “ser premiado” por isso. Quanto mais tarde houver eleições, mais tempo terá “para se descolar”, destaca, embora certo de que “o Governo será sempre o mais castigado”. Já o CDS perdeu “margem de manobra” para fazer uma coligação com o Governo.
Adelino Maltês, politólogo e professor da Universidade Técnica de Lisboa, considera que é “cedo para fazer cenários” sobre efeitos do acordo nas eleições, uma vez que não estamos perante “uma receita com resultados garantidos”. Seguro está de que “não haverá ‘Bloco Central’”. E prevê que o líder do PSD, no imediato, desça nas sondagens para “os níveis habituais”.
O essencial, defende, “é saber se a imagem do país ficou beneficiada em torno da unidade”. Se não ficou, o que considera “mais provável”, “não chega o ‘Bloco Central’” e o “acordo provisório”. Há “necessidade de uma coligação mais ampla”, incluindo “o CDS e o PCP”, num “acordo à irlandesa”, em vez de “navegar à vista”.
Viriato Soromenho-Marques, professor de Filosofia Política, diz que tudo dependerá de como os discursos evoluirão, sublinhando que o acordo “não foi explicado”. “Para o cidadão comum, esta convergência não coloca os dois líderes no mesmo saco”, garante. E “o eleitorado não penalizará da mesma maneira um Governo autista que doura a pílula” e o líder do PSD, que lucrará com a situação se passar a imagem de “partido responsável e com sentido de Estado”.
Prevendo uma subida nas sondagens para Passos Coelho, Soromenho-Marques elogia o pedido de desculpas ao país. “Não ouvi o primeiro-ministro a pedir desculpa”, nota. E condena Sócrates por se ter demarcado do corte de 5% nos salários dos políticos e gestores, revelando “insensibilidade à dimensão simbólica”, necessária em tempo de crise. A situação, prevê, “é insustentável” e pode desembocar em eleições antecipadas.
Depois da casa roubada, trancas na porta…
Os tratados firmados pelos náufragos deste “rebus sic stantibus”, por menos tecnocráticos e por mais competentes que tenham sido os plenipotenciários apenas foram rascunho que outras canetas corrigiram, em nome de um guião iluminado pela cegueira dos controladores dos cordelinhos da hierarquia das potências da Europa… O rolo compressor do politicamente correcto desta europeização criou um falso super-Estado europeu, onde os eurocratas, em defesa dos respectivos privilégios, movem processos inquisitoriais a todos quantos os criticam, impedindo que a Europa seja a necessária democracia de muitas democracias… Os papa-reformas do Leviathan eurocrático são como os colaboracionistas de Napoleão e de Bismarck: usurparam o sonho e apenas sabem fazer contas de merceeiro. Não compreendem que o belo projecto que pode ir da ilha do Corvo a Vladivostoque não deve continuar com estes gestores do carreirismo e do neofeudalismo patrimonialista.
Depois da casa roubada, trancas na porta…
Acabou o futebol, acabou fátima e vai-se trilhando o fado do desencanto. Soares elogia o sentido de Estado de Passos Coelho, Gilberto Madaíl volta a ser entrevistado, assim demonstrando como é directamente proporcional a Sócrates, na construção de estádios que elefantes brancos. E todos têm como herói Zeinal Bava, esse resistente.
Porque nem trabalhando ao domingo a comissão parlamentar de inquérito conseguiu demonstrar uma conspiração. Mesmo que esta tenha existido, não deixou rasto captável, a não ser pelo CSI. Como se tal não fosse uma parte visível de um derretido “iceberg” com que nos quiseram “zapaterizar”, mas sem saberem tocar rabecão…
Os romances de cordel dos negociadores sem sono, por onde divagaram os agentes tecnocráticos da nossa cooperativa de gestores de um rotativismo de bonzos apenas demonstrou os tiques de vassalagem dos donos do poder e respectivos satélites…
Prefiro recordar as últimas denúncias de Saldanha Sanches, sobre os oposicionistas que se ensalivaram com as perspectivas de imediato acesso ao poder, sobre as redes de vassalagem e o sobre conúbio dos “papa-reformas”… Alguns até vão à televisão discursar sobre a autenticidade, sentados em cargos e cargos, com que acumulam prebendas e donde distribuem honrarias.
Os tratados firmados pelos náufragos deste “rebus sic stantibus”, por menos tecnocráticos e por mais competentes que tenham sido os plenipotenciários apenas foram rascunho que outras canetas corrigiram, em nome de um guião iluminado pela cegueira dos controladores dos cordelinhos da hierarquia das potências da Europa…
Os mesmos que permitiram a casa roubada não sabem agora que trancas pôr na porta, apesar de terem posto um socialista francês no FMI e Constâncio a substituir o grego das estatísticas helénicas, como vice-presidente do condecorado Trichet. O problema está nos bastidores de Paris e de Berlim e nos que lhes dizem porreiro, porque não lhes deixam dizer mais nada.
O rolo compressor do politicamente correcto desta europeização criou um falso super-Estado europeu, onde os eurocratas, em defesa dos respectivos privilégios, movem processos inquisitoriais a todos quantos os criticam, impedindo que a Europa seja a necessária democracia de muitas democracias…
Os papa-reformas do Leviathan eurocrático são como os colaboracionistas de Napoleão e de Bismarck: usurparam o sonho e apenas sabem fazer contas de merceeiro. Não compreendem que o belo projecto que pode ir da ilha do Corvo a Vladivostoque não deve continuar com estes gestores do carreirismo e do neofeudalismo patrimonialista.
Ana (1966-2010). Foi há três meses.
Foi há três meses. Entre a terra e o céu, és o eixo que nos une ao mais além. És a alma e o ânimo, que se elevou, destruindo o que é inferior. E contigo, sempre, em ascensão, vais abrindo o caminho para o superior. Ascendeste, mas estás aqui, no amor que é eterno.
Mais um discurso sem Santo António nem peixinhos, à beira do poço onde fomos ao fundo
Apenas apetece recordar Carl Schmitt e o seu decisionismo. Soberano é o que decide em estado de excepção. Ou Thomas Hobbes, lançando o Leviathan como “salus populi, suprema lex”. O resto é literatura de justificação, plena de metáforas celestiais, mas com nada de institucionalismo. A verdadeira sede de poder já nem são os directórios partidários, mas o mesmo sítio onde foram os dois abusadores da posição dominante da partidocracia, na passada semana, não para receberem ordens, mas para obterem a “inside information” que aqui não chega… A política é a arte do possível, sujeita à ditadura dos factos, porque, de boas intenções, está o inferno cheio. Logo, a pedra em que deve assentar toda a construção democrática é o respeito pela palavra dada, sobretudo a da promessa eleitoral. Vale-nos que Jesus Cristo não percebia nada de finanças. A boa política não pode confundir-se com operações de lóbis, vendendo gato por lebre, ou proclamando novas fronteiras, quando apenas oferece pescada descongelada, aquela que antes de o ser já o era, através de uma eficaz operação de colocação de cirúrgicas fugas de informação, à mesma hora, à velha maneira da psico militar em actos de ocupação do vazio de povo… Não se combatem incêndios florestais com bombeiros-pirómanos, mesmo que se recubram com o verniz de um federalismo sem dor, invocando a salvação da Europa e deste país, quando apenas querem conservar o que está e não o que deve ser, de acordo com a antiquíssima lógica do poder pelo poder. Entre o martelo dos tremendistas e a bigorna do não bebas coca-cola, eis a pretensa classe média, a dos remediadinhos, do sonhar é fácil, que, entre canhotos e endireitas, vai confirmando que chapéus há muitos, seu palerma! Logo, porque já não há fiado, fica o fatalismo do come e cala… Prefiro o adequado gesto do Zé Povinho, em nome da não resignação e do direito à indignação que me ensinaram os locatários de Belém, onde um terceiro também decretou que há vida para além do défice. Antigamente, ainda havia a tradicional lógica do procurar o d’além para salvar o d’aquém, e assim, durante séculos, nos pusemos a mexer desta terra ocupada pela fidalguia sem competência e pela fradalhada sem autenticidade, com ambas as classes marcadas pelo dito do sapateiro de Braga, para quem não há moralidade nem comem todos. A nossa última ilusão imperial foi a integração europeia, entre as dores da passagem a salto, para lá dos Pirinéus, e as cerimónias do porreiro pá, recordando o betão dos fundos estruturais! A santa terrinha já não é essse misto de aldeia da roupa branca com o pátio das cantigas, quando os vascos eram santanas. O jogo da economia da roleta, a sociedade das “slot machines”, do euromilhões e das fundações do Stanley Ho. Tudo aquilo que essa guerra deu, essa guerra parece levar, sem trova do vento que passa, porque tudo o vento levou… Entre os discursos do ministro da informação de Saddam Hussein e as venerandas palavras de Américo Tomás, dizem que o Titanic vai vencer os icebergs. Prefiro reconhecer que já ouvi um desses discursos sobre as vacas magras, antes de um regime cair por dentro, de apodrecido, quando as gaivotas esvoaçavam e os cravos pareciam viçosos…Os tempos que passam, com tanto reumático contra o fantasma do reumático, cheiram demais aos tempos da outra senhora. Vivemos a maior crise dos últimos cem anos, mas, pior do que isso, foram os últimos quinze dias e nós, os campeões europeus do crescimento, apenas vamos ter mais impostos para ajudar a salvar a Europa e a moeda única! O pretenso federalismo sem dor, com obras ferroviárias e elefantes brancos, para outros especuladores, apenas reflecte o regresso às velhas ditaduras das finanças, não já domésticas, mas multinacionais, plenas de bruxaria e de navegação à vista, com a tal ciência pretensamente certa que invoca a certeza do poder absoluto e que não se importa com golpes de Estado constitucionais. Por enquanto, disfarçam a pílula com encenações de Bloco Central, a que deviam dar o nome de união sagrada, quando Afonso Costa se entendeu com António José de Almeida, mas onde não entrou o Brito Camacho, chefe dos que se chamavam unionistas. Preferiu guardar o seu sidónio para o golpe dezembrista que foi pior emenda do que o soneto.