Mai 14

Mais um discurso sem Santo António nem peixinhos, à beira do poço onde fomos ao fundo

Em memória de José Luís Saldanha Sanches
Pedro Passos Coelho pede desculpa a quem tem de pagar a presente ditadura da incompetência, onde mandam os bonzos que se assumem como representantes das principais multinacionais partidárias, ao serviço do directório da nova hierarquia das potências geofinanceiras e do respectivo ocultismo, gerido pelo eixo franco-alemão.

Portas fala em bombardeamento fiscal e não se recorda de ter fundado aquele PP de Manuel Monteiro, o que foi expulso do PPE por ter discursado sobre a preferência de produtos de origem nacional, como agora proclamou o senhor Presidente da República.

Cavaco continua a gestão dos silêncios, está em espiritualidade e em tolerância de ponto, nesta semana de banhos místicos de multidão, com 65 000 no estádio da águia e 100 000 na Rotunda, entre saudações a Jesus e esquecimento dos cem anos da ousadia de Machado Santos. Manuel Alegre não diz nada. Está entalado entre a coca-cola de Sócrates e os filetes ideológicos de Louçã.

Apenas apetece recordar Carl Schmitt e o seu decisionismo. Soberano é o que decide em estado de excepção. Ou Thomas Hobbes, lançando o Leviathan como “salus populi, suprema lex”. O resto é literatura de justificação, plena de metáforas celestiais, mas com nada de institucionalismo.

O governo é Sócrates sozinho numa jantarada em Bruxelas. E o parlamento, mera caixa de ressonância de uma reunião entre Sócrates e Passos, onde vamos ter uma revirada unidade técnica de acompanhamento orçamental que até deveria ser presidida por Medina Carreira. A verdadeira sede de poder já nem são os directórios partidários, mas o mesmo sítio onde foram os dois abusadores da posição dominante da partidocracia, na passada semana, não para receberem ordens, mas para obterem a “inside information” que aqui não chega…

A política é a arte do possível, sujeita à ditadura dos factos, porque, de boas intenções, está o inferno cheio. Logo, a pedra em que deve assentar toda a construção democrática é o respeito pela palavra dada, sobretudo a da promessa eleitoral. Vale-nos que Jesus Cristo não percebia nada de finanças.

A boa política não pode confundir-se com operações de lóbis, vendendo gato por lebre, ou proclamando novas fronteiras, quando apenas oferece pescada descongelada, aquela que antes de o ser já o era, através de uma eficaz operação de colocação de cirúrgicas fugas de informação, à mesma hora, à velha maneira da psico militar em actos de ocupação do vazio de povo…

Não se combatem incêndios florestais com bombeiros-pirómanos, mesmo que se recubram com o verniz de um federalismo sem dor, invocando a salvação da Europa e deste país, quando apenas querem conservar o que está e não o que deve ser, de acordo com a antiquíssima lógica do poder pelo poder. Um desceu nas sondagens para segundo lugar, pela primeira vez, outro parecia merecer os 40%, antes de se abrir o melão… Mas as modas podem passar de moda e Portas já deu o golpe do costume…

Entre o martelo dos tremendistas e a bigorna do não bebas coca-cola, eis a pretensa classe média, a dos remediadinhos, do sonhar é fácil, que, entre canhotos e endireitas, vai confirmando que chapéus há muitos, seu palerma! Logo, porque já não há fiado, fica o fatalismo do come e cala… Prefiro o adequado gesto do Zé Povinho, em nome da não resignação e do direito à indignação que me ensinaram os locatários de Belém, onde um terceiro também decretou que há vida para além do défice.

Antigamente, ainda havia a tradicional lógica do procurar o d’além para salvar o d’aquém, e assim, durante séculos, nos pusemos a mexer desta terra ocupada pela fidalguia sem competência e pela fradalhada sem autenticidade, com ambas as classes marcadas pelo dito do sapateiro de Braga, para quem não há moralidade nem comem todos. A nossa última ilusão imperial foi a integração europeia, entre as dores da passagem a salto, para lá dos Pirinéus, e as cerimónias do porreiro pá, recordando o betão dos fundos estruturais!

A santa terrinha já não é essse misto de aldeia da roupa branca com o pátio das cantigas, quando os vascos eram santanas. O jogo da economia da roleta, a sociedade das “slot machines”, do euromilhões e das fundações do Stanley Ho. Tudo aquilo que essa guerra deu, essa guerra parece levar, sem trova do vento que passa, porque tudo o vento levou…

Entre os discursos do ministro da informação de Saddam Hussein e as venerandas palavras de Américo Tomás, dizem que o Titanic vai vencer os icebergs. Prefiro reconhecer que já ouvi um desses discursos sobre as vacas magras, antes de um regime cair por dentro, de apodrecido, quando as gaivotas esvoaçavam e os cravos pareciam viçosos…

Os tempos que passam, com tanto reumático contra o fantasma do reumático, cheiram demais aos tempos da outra senhora. Vivemos a maior crise dos últimos cem anos, mas, pior do que isso, foram os últimos quinze dias e nós, os campeões europeus do crescimento, apenas vamos ter mais impostos para ajudar a salvar a Europa e a moeda única! O pretenso federalismo sem dor, com obras ferroviárias e elefantes brancos, para outros especuladores, apenas reflecte o regresso às velhas ditaduras das finanças, não já domésticas, mas multinacionais, plenas de bruxaria e de navegação à vista, com a tal ciência pretensamente certa que invoca a certeza do poder absoluto e que não se importa com golpes de Estado constitucionais.

Por enquanto, disfarçam a pílula com encenações de bloco central, a que deviam dar o nome de união sagrada, quando Afonso Costa se entendeu com António José de Almeida, mas onde não entrou o Brito Camacho, chefe dos que se chamavam unionistas. Preferiu guardar o seu sidónio para o golpe dezembrista que foi pior emenda do que o soneto.

Mai 11

Rebus, sic stantibus…ou fia-te na Virgem e não corras…

Ontem, pela manhã, no Rádio Clube, lá recordei a noite política de sexta-feira e a chuvosa manhã de sábado. Com Sócrates, de Bruxelas, a ligar directamente a Passos, num telemóvel que não deve ser vermelho, mas utilizar a intermediação belenense…
Sábado, Cavaco, no país do chocolate, faz pressão e comentário político, põe Dona Maria com saudades da casinha do Allgarve, mas sem conseguir abrir gavetas, porque não se dá com a “very cleaver” arquitectura contemporânea das ferragens do clique, mas não tem suficiente informação sobre a reviravolta da eurofinança, ocorrida nessa madrugada diante de Barroso, depois deste ter recebido Passos Coelho, dias antes…
Mendonça, ex-fiel ortodoxo de Marx, vende banha de cobra ferroviária e invoca como bem exemplo de obra pública ferroviária a ponte de Salazar, em nome de novo mestre, Keynes, mas sem ler o livrinho que Professor Jacinto Nunes lhe vai dedicar…
Teixeira dos Santos lá deixa cair que vai haver aumento de impostos. Nunca mais leiam os lábios de Sócrates!
Há uma coisa que faz alterar promessas eleitoral e provoca revisões de contratos, com consequentes défices e derrapagens. Chama-se alteração anormal das circunstâncias (rebus sic stantibus) e até está consagrado nos Códigos Civis, incluindo o nosso, o de Salazar, mas que ainda não mudou de nome, como a ponte…
A República Portuguesa só é soberana através da gestão de dependências e pela navegação nas interdependências, da UE à NATO, do TGV à globalização, incluindo Papa e bolsas…
Se até agora vivemos acima daquilo que temos e produzimos, foi porque os manuais de macro-economia, invocados por Cavaco em Óbidos, nos mandaram ser utilitaristas, pelo máximo de prazer com o mínimo de dor, no âmbito da geofinança e dos especuladores. Logo, quem vai à guerra dá e leva e quem ganhou, agora perde, nesta sociedade de casino…
Aquilo que nos permitiu viver remediadinhos, mas entre os trinta primeiros do “ranking” mundial, no grupo dos mais ricos do mundo, mesmo sem produtividade, instrução, cultura e civismo, está agora a tramar-nos…
Agora, ai de quem queira fiar-se na Virgem e não corra. Vale mais fiar-nos no proteccionismo europeu, nas medidas para a recuperação e segurança da moeda única e, sobretudo, na “remuntada” da economia e das finanças das Espanhas e do chamado mercado ibérico. É o que vai acontecr, caso contrário, acaba o euro…
Passos e Sócrates vão namorar esta semana. Mas Bloco Central já não chega. PS mais PSD, diante de uma crise social sem justiça, podem vir a ser menos, se assim se somarem, do que foram PSD e PS sozinhos, em tempos de maiorias absolutas. Para haver povo, têm que chamar Jerónimo e Carvalho da Silva, Portas e Saraiva. A frente social de apoio, que ia de Joe Berardo a Ricardo Salgado, apenas folgava. Alargá-la a Jardim dá apenas défice de risada. O apoio a Alegre, mesmo com tele-evangelistas, não alarga. Até as IPSSs do Padre Maia e o Banco Alimentar da Isabel Jonet são urgentes! Mesmo que seja com Sócrates a seguir o exemplo patriótico de Gordon Brown…

Mai 04

Patriotismo e vazio de povo!

Patriotismo e vazio de povo!

 

por José Adelino Maltez

 

Alegre é, sem dúvida, o poeta mais politicamente consequente da nossa história contemporânea e, em termos simbólicos, com um avô republicano e outro monárquico, consegue fazer convergências mobilizadoras tanto à direita como à esquerda. Quem ama a palavra, não só o respeita como o admira, mesmo que faça parte de outras tribos familiares da nossa politiqueirice. Logo, pode citar o sonho de Antero, ou o companheirismo de Melo Antunes, até porque foi consequente com a liberdade, antes, durante e depois de Abril e do PREC,  e não deve ceder aos áulicos que o mandam invocar Keynes, como conselheiro de Roosevelt, por causa dos actuais projectos de investimento público. Até Karl Marx se revoltaria com essa invocação da grande oficina de recauchutagem do capitalismo, nomeadamente pelos equívocos que pode gerar com outros paradigmas mais caseiros, como o de Duarte Pacheco e os conselhos que o velha escola do Quelhas dava a um pretenso Estado Novo que, por acaso, até antecedeu o conceito de “New Deal”, quando Salazar denunciava “a fina flor da plutocracia” .  Alegre não nasceu para ser comentador económico, mas antes o patriotismo em figura humana que não tem que fazer contabilidade de partidocracia. Porque, mesmo um patriota nada socialista, não republicano e pouco laico pode estar disposto a comungar em fé de povo, esse mobilizador das brumas da memória e das suadades de futuro.

Mai 04

Patriotismo e vazio de povo!

Alegre é, sem dúvida, o poeta mais politicamente consequente da nossa história contemporânea e, em termos simbólicos, com um avô republicano e outro monárquico, consegue fazer convergências mobilizadoras tanto à direita como à esquerda. Quem ama a palavra, não só o respeita como o admira, mesmo que faça parte de outras tribos familiares da nossa politiqueirice. Logo, pode citar o sonho de Antero, ou o companheirismo de Melo Antunes, até porque foi consequente com a liberdade, antes, durante e depois de Abril e do PREC,  e não deve ceder aos áulicos que o mandam invocar Keynes, como conselheiro de Roosevelt, por causa dos actuais projectos de investimento público. Até Karl Marx se revoltaria com essa invocação da grande oficina de recauchutagem do capitalismo, nomeadamente pelos equívocos que pode gerar com outros paradigmas mais caseiros, como o de Duarte Pacheco e os conselhos que o velha escola do Quelhas dava a um pretenso Estado Novo que, por acaso, até antecedeu o conceito de “New Deal”, quando Salazar denunciava “a fina flor da plutocracia” .  Alegre não nasceu para ser comentador económico, mas antes o patriotismo em figura humana que não tem que fazer contabilidade de partidocracia. Porque, mesmo um patriota nada socialista, não republicano e pouco laico pode estar disposto a comungar em fé de povo, esse mobilizador das brumas da memória e das suadades de futuro.

Abr 29

burocratas continuam como os primitivos actuais

Por cá, muitos burocratas e reformadores de burocratas continuam como os primitivos actuais que vivem do preenchimento dos formulários, entre livros de ponto e fichas de avaliação. Isto é, domina o paradigma construtivista, onde a generalidade e a abstracção confundem os nomes com as coisas nomeadas… Burocrata é estilo Frei Tomás: olha para aquilo que ele diz e não para aquilo que ele faz… Agora até afixam as entrevistas do chefe da quintarola no átrio de entrada… com fotocópia a cores, debaixo da nova sinalética…. Burocrata é sapateiro de Braga: não há moralidade nem comem todos… Comem apenas os que foram da lista dele e que o apoiam entusiasticamente como grande educador dos que querem ser promovidos à custa do trabalho dos outros…. Porque nem todos os animais da mesma espécie podem ser coisas da mesma categoria. Quem nos unidimensionaliza não admite a justiça do mérito! Só há igualdade de oportunidades se houver competição, aquela que permite dar a cada um o que lhe é devido (“suum cuique tribuere”), proibindo que não se lese o outro (“alterum non laedere”) e que a cultura dominante seja a do viver honestamente (“honeste vivere”)… Se continuar a rotina que leva o crime a compensar, vai perpetuar-se o clientelismo, a engenharia da cunha  e a subsidiocracia. E os donos do poder continuarão a chamar gestão democrática à mais desdentada das gerontocracias e ao mais arbitrário do despotismo de todos… mesmo que previamente tenham investidos em números dois do PSD em tempo de mandar PS, ou vice-versa. Quando só a cobardia falar e o carreirismo for regra, apenas se confirmará como as instituições perderam a espinha da ideia de obra, não gerando a comunidade das coisas que se amam e transformando as normas naquilo que os principais dizem ao sabor dos ventos, estando dispensados das que impõem aos outros. Ditadura, nunca mais! Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Quem diz isto é maluco e deve ser processado…

Abr 29

Doze pedaços, para discurso de homem revoltado!

Passos foi a São Bento, Sócrates a Belém, todos reconheceram o óbvio da turbulência e celebraram o medo dos mercados. Chamaram-lhe ataque dos especuladores ao euro. Na prática, a teoria continua a ser outra e quem se lixa é sempre o mexilhão do povo. Os banqueiros bem avisaram, os políticos bem equivocaram, os burocratas bem executaram…

Os partidos lavam as mãos como Pilatos. E a culpa continua a morrer solteira. O malandro é o monstro capitalista e a consequente falta de regulação da geofinança. Até Louçã corre o risco de ser nomeado supremo inquisidor da futura ASAE da União Europeia, que o Constâncio já subiu, Guterres já voltou ao picareta falante e Freitas com Soares vão articulando, como sermão de ex-ministros de Salazar sobre a teoria da democracia….

Soares já elogia Passos Coelho, mas ainda não lhe chama Obama. Quase todos continuam a tapar o sol com a peneira do propagandismo… Não tarda que Ricardo Salgado se junte a Jota Berardo em missa pontifical.

Só nos safaremos deste encurtar da rédea ao “rating” da república, se tal também acontecer ao da monarquia espanhola. Para que os grandes da Europa desapertem os cordões à bolsa, assumindo que os PIGS fazem parte do mesmo clube…

Por cá, muitos burocratas e reformadores de burocratas continuam como os primitivos actuais que vivem do preenchimento dos formulários, entre livros de ponto e fichas de avaliação. Isto é, domina o paradigma construtivista, onde a generalidade e a abstracção confundem os nomes com as coisas nomeadas…

Burocrata é estilo Frei Tomás: olha para aquilo que ele diz e não para aquilo que ele faz… Agora até afixam as entrevistas do chefe da quintarola no átrio de entrada… com fotocópia a cores, debaixo da nova sinalética….

Burocrata é sapateiro de Braga: não há moralidade nem comem todos… Comem apenas os que foram da lista dele e que o apoiam entusiasticamente como grande educador dos que querem ser promovidos à custa do trabalho dos outros….

Porque nem todos os animais da mesma espécie podem ser coisas da mesma categoria. Quem nos unidimensionaliza não admite a justiça do mérito!

Só há igualdade de oportunidades se houver competição, aquela que permite dar a cada um o que lhe é devido (“suum cuique tribuere”), proibindo que não se lese o outro (“alterum non laedere”) e que a cultura dominante seja a do viver honestamente (“honeste vivere”)…

Se continuar a rotina que leva o crime a compensar, vai perpetuar-se o clientelismo, a engenharia da cunha e a subsidiocracia. E os donos do poder continuarão a chamar gestão democrática à mais desdentada das gerontocracias e ao mais arbitrário do despotismo de todos… mesmo que previamente tenham investidos em números dois do PSD em tempo de mandar PS, ou vice-versa.

Quando só a cobardia falar e o carreirismo for regra, apenas se confirmará como as instituições perderam a espinha da ideia de obra, não gerando a comunidade das coisas que se amam e transformando as normas naquilo que os principais dizem ao sabor dos ventos, estando dispensados das que impõem aos outros.

Ditadura, nunca mais! Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Quem diz isto é maluco e deve ser processado…

Abr 28

O neofeudalismo das companhias de economia mística que nos vão corroendo a democracia…

Hoje não há comissão parlamentar de inquérito, devido à greve dos funcionários de São Bento e ao medo da administração da entidade mostrar a verdade ao país. Mas ontem a democratíssima e representatívissima comissão permitiu-nos fazer uma viagem pelo neopombalismo das companhias de economia mística, essas entidades a que alguns dão o nome de empresas e por circulam sujeitos nomeados pelos favores e compadrios do clientelismo banco-burocrático. Os tais que, feitos gestores, utilizam tais molduras como brinquedos com que vão gastando o dinheiro que não é deles, como almoçaradas de trabalhos, carros de alta cilindrada, antes de serem ou depois de serem membros da alta governança do estadão. E assim vamos nacionalizando os prejuízos e privatizando os lucros das forças vivas que vão manipulando a vaidade de uma fauna daquele Bloco Centraleiro que pouco se importa com ganhos ou gastos. Basta-lhes um contratozinho onde acautelem indemnizações por despedimento, mesmo que seja por justa causa, recebendo ampla protecção da consultadoria e dos grandes escritórios da advocacia e das avenças, nessa federação de colegas que nos continua a pesar no lombo. E é em torno destas falsas luminárias que continua a gravitar certa comunicação social e certo comentarismo opinativo, dados à encomendação. Só quando os interesses da oligarquia accionista, dos velhos e novos ricos, perceberem que correm risco é que esses escudos invisíveis dos favores poilitiqueiros e plutocráticos poderão começar a estilhaçar. Por enquanto ainda persistem os cânticos celestiais sobre o “rating” e a dívida, a ditadura da incompetência continuará a amargurar-nos, com estes bonzos instalados nos vários lemes destas grandes e pequenas governanças, entre o ministerialismo e o micro-autoritarismo sub-estatal. O neofeudalismo patrimonialista que vai corroendo a legitimidade racional-normativa já não cumpre a ideia de Estado de Direito. Espero q ue antes de se agravarem os sinais de bancarrota tenhamos a coragem de demonstrar a existência de uma grandiosa estátua de calhaus com os pés fragmentados pela poeira dos pequenos interesses dos sucessivos incompetentes devoristas…

Abr 28

O neofeudalismo das companhias de economia mística que nos vão corroendo a democracia…

Hoje não há comissão parlamentar de inquérito, devido à greve dos funcionários de São Bento e ao medo da administração da entidade mostrar a verdade ao país. Mas ontem a democratíssima e representatívissima comissão permitiu-nos fazer uma viagem pelo neopombalismo das companhias de economia mística, essas entidades a que alguns dão o nome de empresas e por circulam sujeitos nomeados pelos favores e compadrios do clientelismo banco-burocrático.

Os tais que, feitos gestores, utilizam tais molduras como brinquedos com que vão gastando o dinheiro que não é deles, como almoçaradas de trabalhos, carros de alta cilindrada, antes de serem ou depois de serem membros da alta governança do estadão.

E assim vamos nacionalizando os prejuízos e privatizando os lucros das forças vivas que vão manipulando a vaidade de uma fauna daquele bloco centraleiro que pouco se importa com ganhos ou gastos. Basta-lhes um contratozinho onde acautelem indemnizações por despedimento, mesmo que seja por justa causa, recebendo ampla protecção da consultadoria e dos grandes escritórios da advocacia e das avenças, nessa federação de colegas que nos continua a pesar no lombo. E é em torno destas falsas luminárias que continua a gravitar certa comunicação social e certo comentarismo opinativo, dados à encomendação.

Só quando os interesses da oligarquia accionista, dos velhos e novos ricos, perceberem que correm risco é que esses escudos invisíveis dos favores poilitiqueiros e plutocráticos poderão começar a estilhaçar. Por enquanto ainda persistem os cânticos celestiais sobre o “rating” e a dívida, a ditadura da incompetência continuará a amargurar-nos, com estes bonzos instalados nos vários lemes destas grandes e pequenas governanças, entre o ministerialismo e o micro-autoritarismo sub-estatal.

O neofeudalismo patrimonialista que vai corroendo a legitimidade racional-normativa já não cumpre a ideia de Estado de Direito. Espero q ue antes de se agravarem os sinais de bancarrota tenhamos a coragem de demonstrar a existência de uma grandiosa estátua de calhaus com os pés fragmentados pela poeira dos pequenos interesses dos sucessivos incompetentes devoristas…

Abr 27

Valia mais sermos pigmeus, mas ascendendo à cabeça dos gigantes

Quem andou pelas festas de Sant Jordi, com uma rosa contra o dragão e a descobrir a origem das riscas blaugranas, teve que reforçar a mística liberal e a fraternidade peninsular. Foi uma bela jornada de trabalho, sobretudo na Biblioteca Arús, nessa terra de boa gente que é Barcelona, mas que me impedir ir à jantarada do Albergue… Regresso e confirmo: só tipos de sete línguas e gatos de sete vidas é que se safam nesta encruzilhada. Para além do parlamentarês, do judicialês, do economês. do educacionalês, do medicalês, do engenheirialês e do padrecofilês, temos de levar marretadas frequentes do “paga primeiro, protesta depois”, em multas, taxas, impostos, côngruas e gorjas…É tudo uma questão de fluxo de tesouraria… Com efeito, as parangonas lusitanas estão cheias de árvores queimadas, ramos de árvore, folhinhas, ramículos, borradelas de pássaro e outras questiúnculas das guerrazinhas de homenzinhos… Ate já se glosa um António Martins! Prefiro continuar pigmeu, mas subindo à cabeça do gigante adormecido Tenho a impressão que o parlamento, mesmo sem maioria absoluta, começa a enredar-se em truques de regimentalismo de certa metalinguagem que o afasta das angústias e das esperanças do homem comum. Porque o óbvio demora sessões e sessões a passar pelo filtro retórico do parlamentarês… Agora são os comboios, dentro de dias, os camionistas, para que todos andemos de papamóvel, mas não consta que o governo, em sinal de tolerância, esteja disposto a oferecer um preservativo em forma de filigrana, da autoria de Joana Vasconcelos, a Sua Santidade. A Câmara de Lisboa prefere manter, no alto do Eduardo VII o projecto da catedral de Santo Antoninho… Novidades do “day after”, apenas a criação de altos tribunais em Santarém para a concorrência e a propriedade industrial, dentro da feira nacional de agricultura, a mudança do parlamento para o Porto, onde não há “lock out”, e a instalação da Liga de Futebol Profissional em Campo Maior… Queríamos saber se Ele sabia. Mas toda a gente sabe que ele, quando é Ele, já não pode saber, embora soubesse o que toda a gente sabia. A teoria da conspiração sempre à procura de uma casca de banana que possa fazer parangona… Ele é quem É. Por enquanto, apenas… Porque Vara, conforme o previsto, foi festival de retórica, típico dos registos contidos dos políticos de rabo pelado. Brincou ao gato e ao rato sobre a verdade e a mentira, apesar da metalinguagem de Pacheco, nunca quebrou o “não tenho ideia disso… pode perguntar-me cem vezes que eu digo sempre o mesmo”. Nada a acrescentar… Nesta teatrocracia sem emoção nem a audição de Manela aqueceu as almas, porque, afinal, nem ela tinha alguma coisa para dizer. Só Vitalino tentou que ela desvendasse segredos de alcova no tempo do governo dos afonsinos. Estamos condenados ao afunilamento e mandam os que não se assumem como pigmeus que podem ascender à cabeça dos gigantes para verem mais além. Os que mandam são daquela espécie que é capaz de matar o pai, a mãe, os irmãos e os filhos, para obterem um naquito de poder e honrarias, na sua insaciável sede de protagonismo. Somos dominados por psicopatas sentenciadores que, como cadáveres adiados, vão emprenhando de ouvida e reproduzindo os ódios que lhes transmitem os fiéis e aduladores. Enquanto persistir esta vaidade predadora dos eucaliptos semoventes, a democracia continuará enredada pelas teias da conspiração dos gerontes que pensam deter o monopólio da cultura política e do bom-senso, reproduzindo o esquemático do sebenteiro de uma banal engenharia de conceitos que apenas disfarça os sucessivos plágios de muitas modas que passam de moda. E o crime tem compensado…

Abr 27

Valia mais sermos pigmeus, mas ascendendo à cabeça dos gigantes

Quem andou pelas festas de Sant Jordi, com uma rosa contra o dragão e a descobrir a origem das riscas blaugranas, teve que reforçar a mística liberal e a fraternidade peninsular. Foi uma bela jornada de trabalho, sobretudo na Biblioteca Arús, nessa terra de boa gente que é Barcelona, mas que me impedir ir à jantarada do Albergue…

Regresso e confirmo: só tipos de sete línguas e gatos de sete vidas é que se safam nesta encruzilhada. Para além do parlamentarês, do judicialês, do economês. do educacionalês, do medicalês, do engenheirialês e do padrecofilês, temos de levar marretadas frequentes do “paga primeiro, protesta depois”, em multas, taxas, impostos, côngruas e gorjas…É tudo uma questão de fluxo de tesouraria…

Com efeito, as parangonas lusitanas estão cheias de árvores queimadas, ramos de árvore, folhinhas, ramículos, borradelas de pássaro e outras questiúnculas das guerrazinhas de homenzinhos… Ate já se glosa um António Martins! Prefiro continuar pigmeu, mas subindo à cabeça do gigante adormecido

Tenho a impressão que o parlamento, mesmo sem maioria absoluta, começa a enredar-se em truques de regimentalismo de certa metalinguagem que o afasta das angústias e das esperanças do homem comum. Porque o óbvio demora sessões e sessões a passar pelo filtro retórico do parlamentarês…

Agora são os comboios, dentro de dias, os camionistas, para que todos andemos de papamóvel, mas não consta que o governo, em sinal de tolerância, esteja disposto a oferecer um preservativo em forma de filigrana, da autoria de Joana Vasconcelos, a Sua Santidade. A Câmara de Lisboa prefere manter, no alto do Eduardo VII o projecto da catedral de Santo Antoninho…

Novidades do “day after”, apenas a criação de altos tribunais em Santarém para a concorrência e a propriedade industrial, dentro da feira nacional de agricultura, a mudança do parlamento para o Porto, onde não há “lock out”, e a instalação da Liga de Futebol Profissional em Campo Maior…

Queríamos saber se Ele sabia. Mas toda a gente sabe que ele, quando é Ele, já não pode saber, embora soubesse o que toda a gente sabia. A teoria da conspiração sempre à procura de uma casca de banana que possa fazer parangona… Ele é quem É. Por enquanto, apenas…

Porque Vara, conforme o previsto, foi festival de retórica, típico dos registos contidos dos políticos de rabo pelado. Brincou ao gato e ao rato sobre a verdade e a mentira, apesar da metalinguagem de Pacheco, nunca quebrou o “não tenho ideia disso… pode perguntar-me cem vezes que eu digo sempre o mesmo”. Nada a acrescentar…

Nesta teatrocracia sem emoção nem a audição de Manela aqueceu as almas, porque, afinal, nem ela tinha alguma coisa para dizer. Só Vitalino tentou que ela desvendasse segredos de alcova no tempo do governo dos afonsinos. Estamos condenados ao afunilamento e mandam os que não se assumem como pigmeus que podem ascender à cabeça dos gigantes para verem mais além. Os que mandam são daquela espécie que é capaz de matar o pai, a mãe, os irmãos e os filhos, para obterem um naquito de poder e honrarias, na sua insaciável sede de protagonismo. Somos dominados por psicopatas sentenciadores que, como cadáveres adiados, vão emprenhando de ouvida e reproduzindo os ódios que lhes transmitem os fiéis e aduladores.

Enquanto persistir esta vaidade predadora dos eucaliptos semoventes, a democracia continuará enredada pelas teias da conspiração dos gerontes que pensam deter o monopólio da cultura política e do bom-senso, reproduzindo o esquemático do sebenteiro de uma banal engenharia de conceitos que apenas disfarça os sucessivos plágios de muitas modas que passam de moda. E o crime tem compensado…