O discurso presidencial sobre a ética republicana foi o máximo unificador comum. Equivale a uma linha politicamente correcta que vai da associação das famílias numerosas aos alternativos do Bloco, que hoje faziam sessão campanheira de do-in na praça central da Ericeira. Preferi, categoricamente, voltar ao imperativo do monárquico Kant, o real fundador da ética republicana… “O que é de todos não é de nenhum…”. Era o lema das nossas tradicionais repúblicas comunitárias, as que não eram instauradas a tiro, manteúdas em ditaduras ou restauradas em folclore, porque viviam no consenso, no velho QOT como foi assumido pelas Cortes de 1385. “O que a todos diz respeito, por todos deve ser decidido” é a tradução correcta do princípio. “O que é de todos, não é de nenhum”… é o exacto contrário desta noção de “público”, oriunda do absolutismo, segundo a qual só é “república” o quem vem de cima para baixo, ondo o que é de todos passa a ser só de alguns. Por mim, quero é restaurar a verdadeira república… O situacionismo é aquele sistema onde a Europa é deles e a democracia é deles e onde o Estado é “c’est lui” que, não sendo de todos, é só de alguns, dos que entendem o poder como coisa que pode conquistar-se como se fosse um objecto que paira acima da comunidade. Preferia que a Europa fosse nossa e que o Estado fosse o “nós”, onde a república fosse superior ao aparelhismo… O que é de todos deve ser mesmo de todos e não apenas de alguns. Preferia que o Machado Santos se tivesse aliado ao Paiva Couceiro e que nunca tivesse havido João Franco, quando já estava tudo esquizofrénico com tanta “canalhocracia” (expre…ssão de D. Pedro V, quando despachou as sementes de fontismo e do cabralismo que voltavam a asfixiar a “regeneração”)… Claro que estou a reflectir sobre a própria essência da política e não sobre a metapolítica, a que, de vez em quando, regressamos no 5 de Outubro, quando invocamos mitos, essas coisas que nos aquecem quando voltamos a ter adequada temperatura espiritual. Por mim, continuo a sonhar que poderemos restaurar a república, para, com base em instituições republicanas, se eleger o rei, retomando a tradição de 1385, 1640 e 1820, isto é, a bandeira da liberdade que a regência dos Açores nos trouxe para o Mindelo. Viva D. Maria II, que era mãe de D. Pedro V, avó de D. Carlos I e bisavó de D. Manuel II!
Daily Archives: 6 de Outubro de 2009
O que é de todos não é de nenhum
O discurso presidencial sobre a ética republicana foi o máximo unificador comum. Equivale a uma linha politicamente correcta que vai da associação das famílias numerosas aos alternativos do Bloco, que hoje faziam sessão campanheira de do-in na praça central da Ericeira. Preferi, categoricamente, voltar ao imperativo do monárquico Kant, o real fundador da ética republicana…
“O que é de todos não é de nenhum…”. Era o lema das nossas tradicionais repúblicas comunitárias, as que não eram instauradas a tiro, manteúdas em ditaduras ou restauradas em folclore, porque viviam no consenso, no velho QOT como foi assumido pelas Cortes de 1385. “O que a todos diz respeito, por todos deve ser decidido” é a tradução correcta do princípio.
“O que é de todos, não é de nenhum”… é o exacto contrário desta noção de “público”, oriunda do absolutismo, segundo a qual só é “república” o quem vem de cima para baixo, ondo o que é de todos passa a ser só de alguns. Por mim, quero é restaurar a verdadeira república…
O situacionismo é aquele sistema onde a Europa é deles e a democracia é deles e onde o Estado é “c’est lui” que, não sendo de todos, é só de alguns, dos que entendem o poder como coisa que pode conquistar-se como se fosse um objecto que paira acima da comunidade. Preferia que a Europa fosse nossa e que o Estado fosse o “nós”, onde a república fosse superior ao aparelhismo…
O que é de todos deve ser mesmo de todos e não apenas de alguns. Preferia que o Machado Santos se tivesse aliado ao Paiva Couceiro e que nunca tivesse havido João Franco, quando já estava tudo esquizofrénico com tanta “canalhocracia” (expre…ssão de D. Pedro V, quando despachou as sementes de fontismo e do cabralismo que voltavam a asfixiar a “regeneração”)…
Claro que estou a reflectir sobre a própria essência da política e não sobre a metapolítica, a que, de vez em quando, regressamos no 5 de Outubro, quando invocamos mitos, essas coisas que nos aquecem quando voltamos a ter adequada temperatura espiritual. Por mim, continuo a sonhar que poderemos restaurar a república, para, com base em instituições republicanas, se eleger o rei, retomando a tradição de 1385, 1640 e 1820, retomando a bandeira da liberdade que a regência dos Açores nos trouxe para o Mindelo. Viva D. Maria II, que era mãe de D. Pedro V, avó de D. Carlos I e bisavó de D. Manuel II!
PS: Uma imagem do nosso comunitário, lá para os lados do Atlântico Sul, onde os mitos ainda não estão mortos!