Set 19

Ensino dito superior

Metade dos cursos do ensino superior ficaram com a totalidade das vagas preenchidas (título da Lusa). Pela primeira vez em seis anos, o número de alunos colocados sofreu redução (título do Público). Entradas baixam pela primeira vez desde 2005 (D. Notícias). Dos candidatos colocados em cursos públicos, 58 por cento conseguiram ficar na 1.ª opção. Sobram 11 938 vagas para a segunda fase (C. Manhã). Na internet não há títulos.

 Nas semanas anteriores, os gastos com publicidade enganosa de vários estabelecimentos públicos contribuíram naturalmente para o combate à crise das receitas de publicidade dos órgãos de comunicação social.

 

Há o macro e o micro. Numa escola de ensino superior, perto de muitos, Gestão de Recursos Humanos em regime pós-laboral e Contabilidade em regime nocturno, não tiveram qualquer ingresso. Noutra escola superior, mais perto de outros, vê-se como, puxando o lençol para um dos lados, ele destapa no outro. Maldita demografia! Maldita falta de emprego! E, pior ainda, a desertificação das mentes centrais, com música celestial!

 

Pena que os nomes não correspondam às coisas nomeadas. Quanto mais qualificações formais, menos prática delas nos sectores publicamente cimeiros, os dos planos e reformas das papas que enganam os tolos, mas que dão consultadoria às clientelas, incluindo a dos pretensos inimigos, mas comensais à mesa do orçamento. O futuro é que pagará mais. Por enquanto, ainda vivemos de rapar o tacho.

 

O pior desta engenharia de vagas do superior está no absurdo centralismo e na desbragada macrocefalia que geram. Se dão fogo às assimetrias, as consequências desigualitárias serão desastrosas. Não foi por acaso que D. João III mudou a universidade para Coimbra, quando só havia uma. E que a segunda a ser instalada foi em Évora. Como é que poderemos defender a periferia na Europa se promovemos periferias cá por dentro?

 

Foi por razões demográficas e por oportunismos carreirísticos que, num ápice, desapareceram universidades privadas que viviam do oportunismo da procura. Infelizmente, com os sinais evidentes de diminuição da procura, o aumento da oferta da banda larga, em nome da empregomania “entitária”, ninguém repara no suicídio institucional?

 

E será que também não reparam que quem mais oculta esta verdade são os partidocratas do centro e das localidades, marcadas pelo caciquismo, sobretudo os que acumulam o qualificativo de docente no ensino superior, para efeito de cartão de visitas? Basta fazerem a lista e chegarem a uma fácil conclusão

 

E ninguém tem a coragem de adequadas propostas de fusão? Primeiro de politécnicos com universidades. Depois de vários cursos repartidos por várias escolas do ensino superior, desde que não se afecte a concorrência, mas desde que, previamente, haja ciência, comunitariamente comprovada, sem artificiais transferências de área, para engano de papalvos da engenharia de nomenclaturas.

 

Ninguém repara que há muitos que se dizem importantes na política porque são docentes do superior? E que outros tantos se dizem importantes no superior porque são importantes na pulhítica? E que, somando os dois acumuladores, muitas vezes, dá menos do que zero?

 

Ninguém repara na artificialidade de recursos científicos formalmente fixados na escala dos que, formalmente, pela cronologia, não podem exercer no sítio onde professaram? Deviam poder exercer, não deveriam é contribuir para a estatística da engenharia de vagas…para gáudio dos patos bravos que vão fazendo coincidir o superior com o betão. Até em participações accionistas.

Devia acabar-se com o “numerus clausus” global. Cada escola deveria ser autónoma na fixação das respectivas vagas, mas arcaria com as responsabilidades. O Estado apenas deveria fixar o número de estudantes por curso que se comprometeria a financiar e que seriam escolhidos pelo critério da nota obtida.

Digo mais: fundir cursos em zonas onde os recursos científicos são escassos. Deslocalizar alguns para fora dos grandes centros. Utilizar a universidade pública como forma de luta contra a desertificação e a insularidade.

Set 19

A contabilidade criativa e a engenharia financeira, ou a ciência dos buracos

 

O mal das decadências sempre foi o politicamente correcto do “agenda setting” e das suas campanhas de imagem, sondagem e sacanagem. O pior é que há, pelo menos, dois, os dos irmãos-inimigos, do situacionismo e do oposicionismo. Dizem o mesmo, entre a tese e antítese, sem divergências nem convergências. Deste modo, falha sempre a necessária emergência e enrodilhamo-nos em semanários do regime, comentadores do regime e empresas do regime. Pagam todos, apenas ganham alguns.

 

‎”Lapsus linguae” é o mesmo que “lapsus calami”. Pedimos desculpa por este lapso, a telenovela continua. Em política o que é, é mesmo. E tudo o que parece será, salvo se eu disser que quando quis dizer o que disse não o disse. Isso da palavra dada é chão de lagoa…

 

Político “ocasional”, feito ministro “colossal”, diz que o problema da Madeira é “pontual”. Ainda bem que há Gaspar. Se fosse o Mira, do angolar, já estavam extintos os serviços públicos que ele considera inúteis, com despedimentos imediatos. Zedu tentou contratá-lo para elaborar o prace, o premar, o premac e o o prozac luandenses. Amorim não deixou.

 

Alberto João confessou a contabilidade criativa que é um ramo da chamada engenharia financeira, a que nos foi ensinada pelos sucessivos ciclos do cavaquismo, do guterrismo, do barrosismo, do santanismo e do socratismo. Agora, troikados, estamos sujeitos a outros fiscalizadores e controladores. E começa a ditadura das contas, onde sumir não é somar. Há quem tenha perdido o prazo de validade. E há quem passe de pirómano a bombeiro. Espero que o PSD descalce a bota a que nos atou. Já chega de pé de chumbo. O tango agora é outro.

 

“Obviamente que a situação na Madeira prejudica a imagem de Portugal no exterior. Quando se procura, em termos de política externa, o tempo que é levado a construir um boa imagem é infinitamente superior ao tempo que a faz destruir. Os melhores esforços do Governo foram destruídos pela gestão de percepção, é uma situação infinitamente gravosa para a imagem do País. Citando Manuel Alegre, há aqui o problema típico da imagem, da sondagem e da sacanagem.”(depoimento prestado ao Diário Económico)

Set 17

Bisogna amare così tanto Dio per capire come sia necessario il male

A antiga bandeira do desenvolvimento empaturrou-nos de betão, rotundas, estátuas e placas inaugurativas. Agora deviam ter faixas que explicitamente nos mostrassem qual a percentagem que cada um dos futuros vai pagar pelos colossais planeadores do vivório e foguetório do eleitoralismo. Se há uma zona de Portugal onde mais forte foi a economia privada das empresas de regime, mas sem economia de mercado, graças ao intervencionismo do protectorado dito público, esse foi o da social-democracia madeirense, o paradigma da desorganização do político pelo populismo e pelo primado do executivo da personalização do poder. Assim, as parangonas já não são sobre espiões, mas sobre buracos antigos que nunca os arquivistas da contabilidade alguma vez registaram: “também Jesus Cristo não percebia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca”. É verdade, mas também não pregava o ódio contra inimigos imaginários nem era abençoado pelos sacerdotes das antigas crenças.. “O que se passou desde 2004 na Madeira é uma irregularidade grave, que não tem compreensão”, afirmou Passos Coelho, algures no Contenente, quando procurava defenestrar o que lhe entrava pelo tecto das traseiras… Por menos do que isso, rolou no voto outro artista português… “Bisogna amare così tanto Dio per capire come sia necessario il male”

Set 17

O caruncho da Madeira. Farpas do dia

Os colossais esqueletos no armário, além de agravarem os impostos de cada um, por causa das espetadas de comício, lançaram no fio da navalha aqueles que podem vir a ser marcados pela global falta de autenticidade. Esperemos pelo comício laranja de encerramento da campanha eleitoral regional, com o eventual fim do princípio, antes do prometido princípio do fim.

 

Os sinais de conspiração da maçonaria internacional contra a primeira zona libertada do mundo pela social-democracia betonal-cristã são cada vez mais evidentes. As mentiras já não são apenas dos cubanos, do coelho, dos socialistas, do pnd, dos comunas, dos fariseus e dos seus comparsas…

 

“O que se passou desde 2004 na Madeira é uma irregularidade grave, que não tem compreensão”, afirmou Passos Coelho, algures no Contenente, quando procurava defenestrar o que lhe entrava pelo tecto das traseiras… Por menos do que isso, rolou no voto outro artista português…

 

As parangonas já não são sobre espiões, mas sobre buracos antigos que nunca os arquivistas da contabilidade alguma vez registaram: “também Jesus Cristo não percebia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca”. É verdade, mas também não pregava o ódio contra inimigos imaginários nem era abençoado pelos sacerdotes das antigas crenças…

 

Cavaco, Sócrates e Jardim são, de facto, os pés de barro do presente e futuro endividamento. São dívidas de uma guerra que, afinal, foi perdida. A antiga bandeira do desenvolvimento empaturrou-nos de betão, rotundas, estátuas e placas inugurativas. Agora deviam ter faixas que explicitamente nos mostrassem qual a percentagem que cada um dos futuros vai pagar pelos colossais planeadores do vivório e foguetório do eleitoralismo.

 

Se o PSD-Madeira se jangar com o PSD-Nacional, há quem sugira a criação de um novo partido, ainda sem nome, mas que terá como representante, no Contenente, Joe Berardo. Para os Açores, está prevista a deslocação de Jaime Ramos. Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Manuel Dias Loureiro e Oliveira e Costa ainda não ponderaram os respectivos regressos.

 

O PGR vai analisar a omissão de dívida da Madeira revelada pelo Banco de Portugal e Instituto Nacional de Estatística que ascende a 1.113 milhões de euros e levará à revisão dos défices entre 2008 e 2010. O PR não vai reunir o Conselho de Estado. “Eu já disse, a dívida foi feita, está toda aí, para quem quiser ver, está tudo feito, apurem tudo o que quiserem que estamos muito descansados”. Impunidade é ter razão quem vence, mesmo que vença quem não tem razão.

 

O departamento de “agenda setting” está em alvoroço com esta deslocação de Miguel Relvas ao Brasil. A autogestão dos “éclaireurs” com sotaque à moda do Norte começa a enfadar

 

 

A técnica usada por J. Pacheco Pereira no auge do cavaquismo, e repetida pelo socratismo, de assumirem o vanguardismo da oposição da oposição, em caso de crise, não consegue tapar o sol com uma peneira nem traduzir 1. 113 milhões de euros por cinco tostões…

 

O problema é que não há Continente nessas contas. Há República e um madeirense acumula.

 

Vou ouvindo Portas. Utiliza o argumento Madeira para fins eleitoralistas. Como o faz o PS. Como faz o PCP. Como faz o BE. Por isso é que o primeiro responsável político a falar, para nossa vergonha, foi o comisssário europeu, finlandês.

 

O INE e o Tribunal de Contas funcionaram, mas o tempo da fiscalização técnica não é, infelizmente, o tempo do fiscalizador político. E todos hão-de dizer que têm a consciência tranquila.

 

 

A pior coisa desta degenerescência jardineira, está na imediata conclusão populista sobre este populismo: a culpa esta na existência de regiões e de regionalismo. Portanto, era melhor que certos pretensos regionalistas do actual situacionismo não se precipitassem em propagandismo. Convinha lembrar que Alberto João Jardim fez campanha contra a regionalização do Continente no último referendo. Não foi falta de autenticidade, foi esperteza que nos saiu cara.

 

É evidente que a chamada igualdade de oportunidades nas próximas eleições regionais da Madeira pode ser formalmente reconhecida, mas o conceito de “free and fair elections” começa a ter as dimensões de “caso” que não gostaria de ver alargado ao resto do país!

 

 

A questão madeirense dá para perceber muita da política de percepção externa da presente questão europeia. Os madeirenses, em reacção de legítima defesa, jardinizam, os contenentais repudiam as ajudas que vêm de para tanto serem impostados, tal como a reacção dos europeus centrais e do norte face aos periféricos do sul…a mesma mistura explosiva de populismos e egoísmos epidérmicos.

 

O chefe efectivo da nossa diplomacia, o primeiro-ministro, depois de um esforçado périplo, percorria a passadeira vermelha da grande política intergovernamental da Europa, quando, de repente, lhe atiraram uma casca de banana. Aguentou-se, apesar de tudo. Mas ainda pode escorregar. Espero que não cometa o erro de Manuela Ferreira Leite…

 

Por isso, aconselhava os actuais maneleiros do PSD a não pensaram que o resto do país é o auditório do Chão da Lagoa.

 

Há uma velha observação da política experimentada. Tanto é má política um desonesto que trate de gerir honestos, como o seu exacto contrário, um honesto gerindo desonestos. A medida da boa política não é propriamente concluirmos se um determinado político cimeiro é mais parecido com José Eduardo dos Santos ou com António de Oliveira Salazar. De um ao outro, venha o Diabo e escolha. Hoje a boa política é saber se os políticos de hoje podem empenhar a geração dos meus filhos e dos meus netos, em nome do que pensam ser o bem imediato do eleitoralismo e da popularidade fácil.

 

‎”Se cuidas que a popularidade é coisa diferente da justiça e da moral austera te enganas” (conselho deixado por Mouzinho da Silveira a seu sucessor, quando abandonou o cargo de ministro da fazenda, por não transigir com uma política de expropriações que ele considerava ilegal). O maquiavelismo que pode parecer boa política no curto prazo, acaba por ser uma má política no médio prazo. De qualquer maneira, é sempre uma péssima moral (Wilhelm Ropke).

 

Quem não se importa de não salvar a alma, para salvar a alma da cidade (em discurso de justificação), pode parecer ter muita ética, mas não tem a da convicção. Comete o habitual pecado da razão de Estado. Mesmo que lhe chame cristã.

 

Segundo a chamada Razão de Estado cristã, de Justus Lipsius, em “Politicorum, sive civilis doctrinae…”(Antuérpia, 1589), há três categorias de fraude política: a ligeira, consistindo na desconfiança e na dissimulação, aconselhável a qualquer estadista; a média, incluindo a corrupção e o engano, apenas tolerável; e a grande, desde a perfídia à injustiça, considerada injustificável e absolutamente condenável.

 

Foi chão que deu uvas, esta doutrina oficial do filipismo… A nós deu-nos a revolta que conduziu a 1640.

 

 

Estávamos fartos de “ministros do reino por vontade estranha”. Mas foi preciso que o Manuelinho de Évora se atravessasse…

 

Estamos a confundir a árvore com a floresta. O número de portugueses da Região Autónoma da Madeira é apenas o quádruplo da população da freguesia de Algueirão-Mem Martins. Há que cumprir o princípio da igualdade e evitar que o principal grupo de pressão política da nossa actualidade passe a ser motivo de chacota na reunião Ecofin. Panos quentes apenas aquecem o endividamento. Até na má imagem de Portugal.

 

O exacto contrário do “small is beautiful” é a megalomania. É passar do oito ao oitenta. Em dívida, nomeadamente.

 

O princípio da igualdade, para um regionalista como eu, implicaria que houvesse em Portugal, em vez de um, quarenta jardins, neste jardim à beira mar plantado. Basta fazer as contas, para reduzirmos a coisa à sua verdadeira proporcionalidade. Isto é, pelo menos, mais trinta e oito conselheiros de Estado e outros tantos PSDs. Mas com as mesmas regras que tratem desigualmente o desigual. Tudo não passa de uma manifesta autarquização da pátria, isto é, de um Portugal dos pequenitos com a mania das grandezas.

Set 16

O meu chapéu tem três setas…

Entre graves irregularidades e outros desvios colossais, apenas podemos concluir como o PSD, para além da seta governamental, a das boas intenções, não consegue mais ocultar as duas setas infernais que o poluem: o custo das maiorias absolutas de Jardim e a memória do BPN.

Set 16

Os arrastanços

Se há uma zona de Portugal onde mais forte foi a economia privada das empresas de regime, mas sem economia de mercado, graças ao intervencionismo do protectorado dito público, esse foi o da social-democracia madeirense, o paradigma da desorganização do político pelo populismo e pelo primado do executivo da personalização do poder.

 

Se voltarmos a rever os elogios de Jaime Gama a Alberto João, compreenderemos como colectivamente nos co-responsabilizámos. Não foi apenas Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite…

 

‎”Porque se continuar a existir como que um conflito permanente entre o Estado português e a Região Autónoma da Madeira, penso que vai ser útil para todos encontrarmos uma solução que faça com que uns não se aborreçam com os outros e a nossa vida decorra em paz, a nossa, a deles e a de toda a gente” (AJJ). As instituições europeias parecem eufóricas. O arquipélago pode ser arrastado para diante de Tripoli, graças à invenção de um super-arrastão…

 

O problema é não caber no Estreito das Colunas de Hércules..

 

Nem no Canal de Suez…

 

Não caber o jardim, evidentemente. As ilhas e os madeirenses só se o escolherem.

Set 15

Extinções

Se eu começo por dizer, perante um universo de cem por cento de nomeados políticos, sem qualquer racionalidade normativa, da clássica burocracia weberiana, que os vou reduzir em xis por cento, estou a juntar xis aos cem por cento, em termos de espinha torcida perante o centro. Ninguém acredita, pela prática seguida, de forma imemorial, por estes que estão, que a competência vai ser superior à fidelidade. Caso contrário, tinham dado exemplo, com ministros, secretários de estado e deputados.

 

Se a política se medisse por extinções, concluiríamos que, medindo a passagem dos 6286 chefes para 4574, Álvaro recebia a medalha de ouro, pelo silêncio (reduz de 1264 para 769), Mota Soares, a de prata, com vespa (de 1554 para 1201), e Cristas, a de bronze, sem gravata (de 883 para 719). Mas Bakunine ainda ia mais longe: extinguia-os todos, abolindo o Estado. Foi assim que ganhou as olimpíadas da anarquia, na Sibéria.

 

Se eu mandasse, emitia um simples decreto: cada um passa a chefe de si mesmo! Acabávamos imediatamente com esta anarquia ordenada que é, afinal, uma desordem bem organizada pela pesada herança da propaganda. Por enquanto, nem em mim, eu próprio, posso mandar. Estou totalmente acorrentado pela necessidade!

 

Como não sei distinguir entre a ala esquerda e a ala direita do mesmo bloco situacionista, temo que os novos senhores continuem susceptíveis à bajulação que nos conduziu à decadência.

 

Num dos últimos planos de extinção, quando as coisas vieram com nomes das entidades, houve uma fuga de informação num dos semanários de fim-de-semana. Um dos eternos chefes de uma das previstas, conseguiu que uma das figuras pardas de todos os regimes telefonasse ao defunto, hoje em regime de licença sem vencimento. Na segunda-feira, o ressuscitado voltava a ser morto-vivo deste céu carregado e ainda hoje é sentenciador e reformista, sem desacumular.

 

Está tudo tão feliz, conservando o que está! Sobretudo quando antes de lá estarem queriam deitar fogo e destruir a máquina, antes de serem os maquinistas, neste caminho de Damasco. Ministros, de todo o mundo, uni-vos! Enquanto houver propaganda, a revolução continua!

Set 15

A corrupção como problema moral

A CORRUPÇÃO COMO PROBLEMA MORAL

 

Quando se fantasiam ditaduras dentro de um sistema de liberdade, corremos o risco de sermos instrumentalizados pelos jogos da sociedade de corte e até de permitir que tradicionais modelos de solidariedade, irmandade e conspiração possam ser instrumentalizados pelos desvarios dos aparelhos de poder e pela desvertebração do clientelismo, da corrupção e da partidocracia.

 

Logo, aqui e agora, as forças morais tradicionais estão obrigadas a enfrentar um dos principais inimigos da actual democracia, para além do indiferentismo. Estou a falar dessa clássica degenerescência que é susceptível de ser definida como todo o processo de venda do poder enquanto mercadoria. O que implica a existência de um vendedor e de um comprador.

 

O primeiro é o burocrata ou o actor político investido de poderes; o segundo, tende a ser uma bandocracia possuidora de dinheiro. Nos intervalos pululam os híbridos, os estratos corrompidos que pertencem ao mesmo tempo à burocracia, incluindo a dos partidos, e à bandocracia, incluindo a da evasão fiscal e, eventualmente, a do branqueamento de capitais. E tudo isto no seio de um sistema, onde grande parte dos factores de poder até já nem são nacionais.

 

Neste sentido, só uma restrita minoria de condutas corruptivas se enquadra nos tipos do Código Penal e pode cair sob a alçada do poder

judicial. A banda larga do processo tem a ver com o financiamento indirecto e com a promoção dos partidos e candidatos a lugares políticos. Um cancro que só pode ser superado pela necessária revolução de mentalidades face aos métodos da plutocracia

 

Por cá, vamos fingindo que tal degenerescência não existe. Se na teatrocracia existem altos figurantes corruptos que vão nomeando muita gente honesta. Há também protagonistas honestos rodeados de gente corrupta. Os tais que, como Guizot, «são pessoalmente incorruptíveis, contudo governam pela corrupção» (Vítor Hugo). Mas quase todos lavam as mãos como Pilatos, em nome da hipócrita legalidade. Como se o Estado de Direito não fosse um Estado de Justiça.

 

Há um tradicional conúbio do feudalismo financeiro e do negocismo com o comunismo burocrático e o subsistema de medo autoritário, dominantes na nossa dona Administração Pública.

 

Um problema que não resulta da crise dos valores, mas no facto de o dinheiro se ter transformado no principal dos valores, o que leva alguns a proclamar que quando me falam de “inteligências”, puxo logo do meu livro de cheques…

 

O problema da corrupção em Portugal é uma questão mais cientificamente politológica do que juridicamente criminal. Melhor ainda é um problema moral, da ciência dos actos do homem enquanto indivíduo, antes de ser um problema da economia e da política. Porque não podemos pedir aos senhores polícias, às estruturas do Ministério Público e aos juízes que façam um adequado levantamento de todos os grupos informais que circulam, numa sociedade aberta, entre aquilo que é o dinheiro que quer comprar poder e aquilo que são os agentes do poder, executivo, legislativo, autárquico, regional, partidário, judicial, policial, cultural, universitário ou comunicacional, que estão disponíveis para compra.

 

Mas o poder não se compra apenas com o dinheiro, mas também com a troca directa de favores. O clientelismo, o nepotismo ou a distribuição de lugares visando dar jobs aos boys do respectivo partido é tão corrupção

quanto as luvas recebidas por um manga de alpaca para que certo dossier seja mais rapidamente sujeito a despacho.

 

Não há maneira de entendermos a democracia de forma poliárquica e pluralista, em que o poder não é coisa que se conquiste, mas antes uma relação entre a sociedade civil e o aparelho de poder, em que o exercício da pressão e a manifesta exposição dos interesses são inevitáveis.

 

A “black box” do sistema político, que visa produzir decisões políticas, tem como “inputs” o jogo dos apoios e das reivindicações, em que a actividade de influência no processo decisório, através dos chamados grupos de interesse e grupos de pressão, constitui o normal dos anormais da política.

 

Aliás, um processo político entra em derrapagem quando quem manda deixa de obter o consentimento de quem é mandado pelo processo espontâneo da persuasão.

 

Quando isto acontece, quem manda não foge, passa a utilizar a técnica da manipulação, invocando a ideologia ou promovendo a propaganda.

 

Só na fase três é que pode assumir o autoritarismo, antes de atingir o clímax dos estados de excepção que utilizam a violência

 

Todo o processo político, de todos os tempos, sempre foi uma moeda com duas faces, uma visível e outra oculta, uma fingindo, no teatro do Estado-Espectáculo, outra jogando nas teias invisíveis da pressão.

 

Porque o Estado a que chegámos, apesar de ser grande demais na subsiodiocracia e na empregomania, não é suficientemente forte para combater a corrupção, a evasão fiscal ou o indiferentismo que nos seca a cidadania.

 

Porque o sistema de financiamento da política, da partidocracia às campanhas presidenciais, passa pela habitual complacência do bloco central de interesses face aos patos-bravos locais, aos lóbis das consultadorias e empresas de estudos, não deixando de passar pelos

colarinhos brancos das oligarquias financeiras e burocráticas, em torno das quais circulam, em procissão, alguns intelectuais, jornalistas, universitários e homens de letras que andam de mão estendida ao subsídio ou à avença.

 

As plataformas giratórias que fazem comunicar a economia e a política costumam ser bem mais circunspectas do que as articulações que se têm estabelecido entre a futebolítica e os autarcas de sucesso.

 

E as leis que pretendem controlar a coisa chegam sempre no day after, dado que os criadores da tipificação penal, de tanta “tradução em calão” das tabelas fornecidas pelo direito comparado, não conseguem assentar os olhos no laboratório lusitano das manigâncias.

 

A rede de dependências e medos vai continuar enquanto não assumirmos que em situações pós-totalitárias e pós-autoritárias, mesmo depois de se eliminarem os aparelhos visíveis da repressão e da corrupção, permanecem os subsistemas de medo e de venalidade que os mesmos geraram.

 

Podem proliferar os micro-autoritarismos sub-estatais e modelos de temor reverencial que podem ser substancialmente agravados e fomentados. Assim, a activação dessa permanecente repressão, visível ou invisível, pode até levar a que os mesmos finjam que estão a ser vítimas de perseguições imaginárias, para que muitos caiam no engodo e alinhem num processo de instauração do espírito de seita, a que não faltam coisas como o revisionismo histórico, a literatura de justificação e o abundante recurso a milhentas hipóteses de teoria da conspiração, através de encenações cientificamente orientadas, nomeadamente pelo recurso ao boato, à difamação, à insinuação e à própria ameaça, através de um processo que seria ridículo se não fosse trágico e não gerasse amplos prejuízos pessoais a todos aqueles que não aceitam alinhar na procissão.

 

Tanto têm culpas os arquitectos do sistemismo vigente, desde os constitucionalistas aos ordinários legisladores, como os sucessivos

executivos da máquina, porque todos foram transformando as mesmas em rotinas degenerativas.

 

Já não temos apenas a velha corrupção do negocismo, em que abundam os jagunços e patos-bravos, esses que foram ocupando, anos a fio, os interstícios do aparelhismo, mas também a própria corrupção dos ditos intelectuais, incluindo os que fazem discursos contra a primeira forma de corrupção.

 

Surgiu, com efeito, uma casta de “intelectuários” que deram corpo a uma nova forma de intelligentzia, essa pretensa nova classe que se assume como uma espécie de clube fechado, onde abundam os que, sem carreira de legal “cursus honorum”, mas com todo o carreirismo, vivem endogamicamente na subsidiodependência desse sindicato de citações mútuas que elevou a cunha ao requinte dos clubes de reservado direito de admissão. Uma zona que não é passível de análise pelas velhas lentes da teoria da conspiração, em que tudo se continua a explicar pelas invocações protectivas dos modelos, dado que talvez importe detectar outros modelos de feudalização, bem mais eficazes.

 

Quando a governação se enreda nas teias do doméstico, a racionalidade meramente técnica dos chamados peritos, gestores, organizadores e tecnocratas pode fazer regressar o Estado ao regime da administração das casas privadas

 

E, assim, corremos o risco de voltar às boas intenções do despotismo, de que o inferno da história está cheio.

 

A corrupção não vem apenas de cima para baixo, mas, sobretudo, de baixo para cima. Ela nasce dos patos-bravos, da federação dos pequenos e médios compradores do poder autárquico que encheram os partidos com “apparatchikini” sem qualidade.

Resta-nos semear a revolta individual, sem esperança na revolução colectiva. Resta-nos o poder singular da palavra. Mas com o realismo de

reconhecermos que um dos principais segmentos da corrupção passiva campeia entre os intelectuais, à espera de sinecura e de subsídio.

Set 14

Breves heresias de política internacional, ao correr da tecla

Enquanto os cristãos diabolizam os gregos, o Norte de África assiste ao regresso dos otomanos, com Erdogan a visitar triunfalmente o Cairo. Estes regressos da história, nomeadamente do predomínio dos impérios centrais, derrotados na Grande Guerra, apenas deveriam obrigar a Europa a compreender a falta que lhe faz a necessária alma atlântica.  A Turquia é um dos nossos aliados tradicionais a nível da NATO, já lá vão umas décadas. Talvez apenas esteja a arranjar bons argumentos para pressionar a adesão à União Europeia. A Europa continua balança, apenas lhe falta fiel.  Não sou optimista nem pessimista, prefiro ser realista e reler o Lawrence da Arábia. O seu rei aliado acabou no trono… do Iraque. E essa do “baasismo” deu a efémera República Árabe Unida, a subida de Saddam ao poder, e daqueles que ainda estão a mandar em Damasco… Convém ler os sinais dos tempos… O Mediterrâneo já é multipolar…  A CDU é católica e protestante e o papa é bávaro… Ora, ter um papa germânico em Roma diante das primaveras árabes talvez seja tão importante quanto ter havido um papa polaco. A Baviera é tão mista quanto era Cracóvia. Entendem essa coisa do cinturão das populações mistas e do sincretismo que pode trazer futuro, preparando o diálogo. Por acaso, sou dos que têm esperança que isto vai resolver-se sem o habitual desespero das guerras. Ou, pelo menos, contendo-as.  A vantagem do protestante é haver muitos protestantes, tal como no mundo católico, haver hereges…  Além disso, ainda há jesuítas que querem pôr Confúcio no altar… Os turcos  nem sequer são árabes… E têm uma certa identidade com muitas ex-repúblicas que foram o Sul da URSS. Isto é, são a mesma coisa…  Julgo que foi o otomano que acolheu muitos dos judeus expulsos aqui da Ibéria…Um deles ainda foi chefe do governo do sultão já na era contemporânea…  Nunca me senti tão europeu quanto ao ver cair a neve em Santa Sofia, nem tão português quanto na sinagoga de Amsterdão…sobretudo, a meditar no erro de certas guerras, sobretudo das civis. Principalmente das guerras civis europeias do século XX, da chamada Grande Guerra à II GM. E eu até sou do povo do Vasco da Gama, do D. Francisco de Almeida e do Afonso de Albuquerque. Os tais que foram para a Índia combater o turco pelas traseiras. Só que, depois, fomos além do Ceilão, passámos Malaca, e circum-navegámos em armilar.


Set 14

Passos contra Seguro

No estádio nacional de São Bento, em mais uma eliminatória da liga de honra, os dois grandes jogaram ao ataque e sem muitas rasteiras. A oposição melhorou, mas o governamentalismo não desiludiu. Não foram para desempate com grandes penalidades, mas as fintas da retórica foram abundantes.

 

Os discursos de Barroso, Passos e Seguro foram notáveis. Desde 1976 que PS e PSD têm tido a maioria dos nossos aparelhos de poder. Desde sempre fizeram discursos notáveis. Lançam o foguetório e logo correm a apanhar as canas. Continuam a monopolizar o vivório…