Set 14

PASSOS COELHO vs. PORTAS (Correio da Manhã)

 

PASSOS COELHO vs. PORTAS

 

Ambos são dois parceiros da mesma multinacional partidária da Europa e subscritores do sistema de resgate do protectorado dos credores, mas ambos tentaram apresentar fingir um “mix” feito de metáforas onde entram coxos e muletas. O jogo teve duas partes: na primeira, Portas manobrou e teve bom domínio de argumentos, mas, na parte final e no prolongamento, deslumbrado pela retórica, acabou por assumir, como propostas suas, reformas que, constitucionalmente, só podem ser asumidas, pelo menos, com o acordo entre os três partidos do arco da “troika”. Mas ambos demonstraram que apenas são uma das faces da moeda do situacionismo

 

 

PASSOS COELHO

 

POSITIVO

 

Soube demonstrar o irrealismo das propostas de Portas, sem o acusar de clientelismo ou de caciquismo

 

NEGATIVO

Deixou enredar-se num moderação defensiva que quase nos fez parecer que tinha comandado o gobernó nos últimos seis anos

 

 

PAULO PORTAS

 

POSITIVO

Conseguiu aproveitar os argumentos antipassistas vindos do PS e atacar o PSD à esquerda, ao centro e à direita

 

 

NEGATIVO

Não foi capaz de olhar de frente para o adversário quando teve conciencia de ter ultrapassado os limites da prudência

 

In Correio da Manhã

Set 14

Farpas

Rebaixando os fins da política podemos transformar um povo numa multidão de instintos e estupidificar a racionalidade, quando a entalamos nos prós e contras de fantasmas de direita e de preconceitos de esquerda

Se a maioria do eleitorado se capacitasse da revolta individual, isto é, que não pertence ao dito povo de esquerda nem àquela direita que não tem a coragem de esquerda de dizer que é de direita, poderia haver mesmo mudança pelo poder de sufrágio, como aqueles golpes de estado sem efusão de sangue que fazem a beleza da democracia…

Com o púlpito do trono assente em sermões de província, há quem responda com um altar feito de porco no espeto. Ou de como se invoca cardeal para eclesiástica censura a um qualquer abade lá da raia. Prefiro citar o discurso do papa a homenagear noventa e nove anos de lei da separação e setenta de concordata, revista e anotada.

Vou ouvindo na TSF debate do DN sobre o estado a que chegou o Estado. Ninguém diz que há estados dentro do velho Estado e Estados além do estado a que chegámos. O leilão da dívida foi exemplar: passou, quase ao mesmo tempo, por Roma, Madrid e Lisboa, com Pequim a meter a farpa…

Infelizmente, as nossas elites, as que misturam os manuais de OPAN do salazarismo com resquícios das vulgatas marxistóides e maoístas, tanto desconhecem o liberalismo à antiga como as receitas federalistas que fizeram coisas como a Suíça ou os Estados Unidos. Não sou suficientemente loucas para construir a grandeza.

O Estado desta parvónia são pés inchados e muitas arrastadeiras. Ele deixou de ser o cérebro social. Logo, como não se pensa, continua à espera do falso desembarque dos amigos de Peniche, pedindo votos em nome das lentilhas que os que compram e vendem poder deixam escorregar para os que entram no jogo suicida que nos adia…

Todos citam Paul Krugman, ora a torto, ora a direito, conforme as conveniências da propaganda. Ainda não vi nenhum compreendê-lo no essencial. Isto é, no próprio título do blogue que emite no NYTimes, “a consciência de um liberal“.

O país em parangonas: Estado comprou dívida ao Estado. Custo extra com a dívida vai consumir poupança com corte dos salários. Sócrates acusa Cavaco de “não estar à altura” dos interesses de Portugal. China confirma ter emprestado muito dinheiro a Portugal e elogia o país. Apoio custará mais do que juros, dizem peritos: mais África e apoios fiscais. Venha a mim o vosso voto. Amen…

Em Castelo Branco, houve porco no espeto para o comício. Cavaco, em Trás-os-Montes, diz que foi à missa e cita o sermão do senhor prior. Defensor dança bem a coladeira. Nobre comovido com o abraço de um alentejano de 87 anos. Lopes sopra no vidro na Marinha Grande. Mais não digo.

Vou ouvindo na TSF debate do DN sobre o estado a que chegou o Estado. Ninguém diz que há estados dentro do velho Estado e Estados além do estado a que chegámos. O leilão da dívida foi exemplar: passou, quase ao mesmo tempo, por Roma, Madrid e Lisboa, com Pequim a meter a farpa..

Como dizia Daniel Bell, o Estado (o de Salazar, Cavaco e Sócrates) é, ao mesmo tempo, grande demais para os pequenos problemas da proximidade e pequeno demais para os grandes problemas do nosso tempo. A solução passa pelo aparente paradoxo da descentralização e da concentração estratégica. Para evitarmos as vulnerabilidades e flexibilizarmos as potencialidades.

Infelizmente, as nossas elites, as que misturam os manuais de OPAN do salazarismo com resquícios das vulgatas marxistóides e maoístas, tanto desconhecem o liberalismo à antiga como as receitas federalistas que fizeram coisas como a Suíça ou os Estados Unidos. Não sou suficientemente loucas para construir a grandeza.

O Estado desta parvónia são pés inchados e muitas arrastadeiras. Ele deixou de ser o cérebro social. Logo, como não se pensa, continua à espera do falso desembarque dos amigos de Peniche, pedindo votos em nome das lentilhas que os que compram e vendem poder deixam escorregar para os que entram no jogo suicida que nos adia…

Há os mercados primatas e os ditos secundários. E resta sempre saber de onde veio a procura. Eu cá também não sei. Prefiro a do tempo perdido…mas à maneira do Proust que também não sabia nada de finanças…

A economia, ciência da casa (oikos) pertence ao espaço do doméstico. A política apenas acontece quando se sai do dono e se discute a palavra na praça pública. Mas tudo começa na moral, na ciência dos actos do homem enquanto indivíduo.

E a teologia, desde que não seja ciência arquitectónica, ou rainha das ciências sociais, é indispensável para a compreensão da “polis”, que só emergiu quando as várias aldeias se federaram em torno da acrópole, a colina onde existia o templo (p. e. a sé, que laicizámos como nação, ou pátria) e a sala do concelho (o aparelho de poder, a que damos o nome de Estado). Está tudo no tratado do Aristóteles, revisto e acrescentado por São Tomás e, mais recentemente, por Hannah Arendt…

Noto que a procura foi superior à oferta para os de Espanha e de Itália, hoje. Os juros são mais do que foram e menos do que são. Hoje foi além da Estrela e dos Alpes, nos ultramontanos, ontem, no daquém, cá na Parvónia. Krugman já fala em Pirro. Logo, não mais o vão citar, certos campanheiros. Apenas um conselho aos nossos propagandistas do situacionismo: sejam cidadãos do mundo e não gozem mais com a tia!

Krugman alerta, Teixeira exulta. Afinal Nossa Senhora Aparecida ainda não foi desta. Bastou injecção do BCE e olhos em bico abrindo a caixa registadora da loja dos trezentos. E um quarto de hora antes da coisa, lá podemos saltar barreiras no tejadilho da carripana. O bafo quente do jardim faz crescer anonas e saltar coelhos que não andam a passos…

Só ganharemos todos, quando o todo nos puder mobilizar, em cada um, pela autonomia moral, em que deve assentar a própria procura da riqueza.

Capitalismos, há muitos! O estadualizado, nosso, banco-burocrático, não pode continuar a ser o unicitário. Prefiro a fisiocracia do “laissez faire”, segundo a lei natural e a própria lei divina. Logo, sou mais girondino do que jacobino, mais liberal do que socialista, mais “whig” do que “tory”. Em linguagem da Parvónia, é o político longe da sacristia e da cavalariça…onde a primeira não é religião e a segunda não é a tropa…

Quando nos deixamos violentar pelo estadão, corremos o risco de não ficar apenas um pedacinho grávidos, neste ambiente hermafrodita, de muitas barrigas de aluguer. A metáfora-base não é minha, é do pai do “Wirtschaftswunder”, um tal Ludwig Erhard…

Há muitos intelectuários que se prestam a servir de flores da botoeira de certa pirataria.Tal como muitos partidocratas que procuram emprego como feitores de ricos. Sou pela separação de poderes e contra a compra da política pela dita economia, com muita indignificação do trabalho, dependente ou independente.

Até o velho Marshall denunciava os chapéus de coco com alma de corsário. Logo, um liberal pode espreitar como no jogo da bolsa de hoje, muita banca, que o não devia ser, logo recuperou, à custa dos impostados de hoje e de amanhã…

 

 

11

Daqui a cem anos, quando candidato da presidencial situação for nota pé-de-página da história e quando o candidato oposicionista, mas da governamental situação, continuar a ser cantado, todos poderão concluir como andamos mesmo desafinados, só porque pusemos tocadores de rabecão a fazer de sapateiros, pondo os pés em lugar da cabeça..

 

 

Set 13

Portugal não é uma ilha

Portugal “não é uma ilha” e por isso mesmo o que se está a passar dentro das fronteiras da União Europeia pode “complicar” a vida ao país, disse hoje o nosso Primeiro no fundão do interior continental. Não somos ilha, mas somos onze ilhas habitadas. Se chegássemos à dúzia não era mal lembrado. Talvez saísse tudo pelo mais barato, com direito a “jack” mais “pote”.

 

Na contabilidade não quis incluir as Berlengas, os Farilhões, as Desertas, as Selvagens, o Pessegueiro, as algarvias, ou o Bugio. Mas gostava de invocar a Jangada de Pedra, o renascimento da Atlântida e, sobretudo, a Ilha Encantada…

 

Perante a parangona do JNegócios, sobre o interesse de uma empresa francesa nos nossos transportes para o público, chegou-me às mãos um vigoroso protesto dos produtores nacionais de asininos e muares: não querem que abdiquemos dos verdadeiros centros de decisão nacionais

Set 13

Da reforma autárquica

Estou a pensar em reforma autárquica: o concelho de Odemira tem 1 719,73 km² de área e 26 104 habitantes. Quase a área do distrito de Viana do Castelo, já sem governador-civil, mas ainda com círculo eleitoral, que é 2 255 km² para 250 390 habitantes. Depois há o concelho de Barcelos com 378,7 km² de área, 89 freguesias e 124 576 habitantes. Só uma destas, a da sede do concelho, tem 5 213 habitantes…

 

Cuidado com as folhas Excel e os mapas. Isto vai dos celtas aos tartessos…

 

Um quintal do Minho pode ser maior do que um latifúndio no Alentejo, em Beja pode cair tanta chuva por ano como em Paris e no Porto mais do que em Londres. Infelizmente São Pedro não inventou o gota a gota, pingando no Verão. Por isso é que muitos dos investimentos ingrícolas dos estrangeiros comunitários dos fundos perdidos dão sempre em alface, sobretudo nas terras transtaganas, apesar de primoministeriais inaugurações…

 

Por alguma razão D. Sebastião tentou Marrocos. Tinha mais solo arável para trigo…

 

A régua, o esquadro e o mapa fizeram as ainda actuais fronteiras africanas, na conferência de…Berlim…

 

Agora não é de cima para baixo, é passeando a centralização pelos hotéis centros de congressos de província… não são estes partidos que ainda estão divididos em comissões “distritais”, isto é, visando a conquista eleitoral com os seus mapas mentais que dizem que o país são eles e o resto é paisagem? O PSD até acabou com os governadores-civis de distrito com aplauso dos habituais paraquedistas distritalistas da quota do chefe, copiando o PS, para o CDS copiar os dois…

 

Se matarmos os autarcas eleitos em nome da engenharia troikiana e deixarmos que as regiões autónomas sejam odiadas pela maioria dos portugueses não regionalizados, liquidaremos as principais conquistas da democracia abrileira, aquelas que assentaram mais nas acções dos homens e menos nas boas ou más intenções programáticas dos planeadores do estadão que nos levaram ao desastre da falta de confiança pública.

 

Uma democracia sem raízes democráticas locais é massa informe que os tecnocratas talharão conforme as ordens dos consultores das organizações internacionais e que nos vendem produtos requentados que tanto aplicam à Coreia como à Patagónia… São todos fabricados nos mesmos hipermercados universitários das consultadorias desastrosas que, querendo civilizar-nos, nos farão primitivos actuais…

Set 12

O ministro da província

Miguel Relvas, em directo nas televisões por cabo, anuncia que iniciou a reforma do Estado, em nome do municipalismo. Ainda não explicou foi a águia de duas cabeças que faz depender o secretário da administração pública de outro ministro. Ou será apenas música celestial em dó menor, longe do Terreiro do Paço e das arcadas das finanças?

 

Miguel Relvas encarna bem aquilo que, na 1ª República, se dizia de certa personalidade política: eis o ministro da província!

Set 12

Pela extinção do centro

Passos Coelho admitiu hoje que as autarquias têm sido muitas vezes “bastante mais eficientes a cuidar do dinheiro público” do que a administração central. Tem toda a razão. Elas fazem tão bem quanto as IPSS e as misericórdias. Logo, extinga-se tudo quanto é ministerial e passemos tudo a autarquias, para que, em nova extinção, decretada por outros centros, se atinja o nível da misericórdia, desde que esta não seja como a santa casa, isto é, uma secção do centro a jogar à lotaria.

 

Deus, não, é o máximo de administração central. Como sou conciliarista, prefiro os anjinhos, ainda não decaídos.

 

Atendendo a que há 4.260 freguesias e apenas 308 autarquias municipais, para além de 2 governos regionais e 1 governo central, com mais de 500 capelinhas, e porque a modernidade impõe o fim dos governos territoriais, determinamos: ficam extintas todas as freguesias e todos os governos regionais e centrais, devendo todos os cidadãos escolher livremente, até ao dia de são nunca mais, uma das 250 autarquias únicas a que os reduzimos. Paços da Troika, assinaturas ilegíveis em alemão.

 

Este foi um dos pontos da agenda secreta de Merkel com Barroso. Uma espécie de contrapartidas para o submergível dos eurobondes. Infelizmente, as secretas de Bruxelas, hackerizadas, acabaram por informar os que levaram a mais uma segunda-feira negra nas bolsas.

Set 11

Farpas

Hoje apetecia voltar a dar longos passeios, ao domingo. Não vou por aí. Não quero confirmar como as casas que foram minhas, pelo uso que lhes dei, foram ocupadas pelos falsos títulos, administrados pelo habituais manipuladores das decadências que vão contratando sucessivos deslumbrados, com a eterna usurpação da engenharia financeira. Continuam todos de chapéu na mão, temendo olhar o sol de frente.

Inspirado por Umberto Eco, tenho de concluir que o paradigma da nova direita é, sem dúvida, um maçon vestido de mulher, isto é, um jesuíta, tal como o paradigma da nova esquerda é um guerrilheiro, isto é, um jesuíta da guerra. E tudo por culpa do Marquês, que não os expulsou de vez, e do António de Santa Comba, que não os refez como devia ser. E assim nos ficámos, Portugalórios…

Um Seguro, muito social-democraticamente correcto, pondo acento tónico no combate à corrupção, através do exemplo, e assentando numa política europeia inequivocamente federalista. Vamos ver se sai do laboratório de ideias e dos respectivos punhos de renda.

Numa perspectiva liberalmente incorrecta, especialmente num país onde tanto faltam verdes como liberais, em termos organizacionais, ainda não percebi a razão pela qual ser mais à esquerda significa mais estadualismo, sobretudo onde abundam os equívocos das empresas de regime, onde os mais ricos proclamam que não são liberais, para garantirem o proteccionismo, da economia privada sem concorrencialismo.

Numa perspectiva federalista, livre da eurocracia e do princípio da hierarquia das potências, agora reduzida ao eixo, também ainda não percebi como não se consegue consensualizar, em ritmo popular, que mais Europa pode significar mais pátria.

Depois da quase certa derrota do PSOE, em Espanha, os socialistas europeus podem começar a ganhar, ou a não perder, eleições, na Alemanha, na Itália e em França, mas sempre em frentes de ampla geometria política, não com a esquerda dos preconceitos, mas com o centro excêntrico da sociedade civil. O futuro do PS passa pela criatividade destas conjugações, sobretudo quando se assistir ao crepúsculo do bloco central cavaquista…

Assisto às cerimónias do 10º aniversário do 11 de Setembro, com Bush e Obama. Ambos rivalizam em citações da Bíblia. Ao contrário do que dizia o Abade Barruel, isto só acontece na república mais maçónica do mundo. Sua Santidade, o Papa, tem pena que ambos sejam protestantes e lamenta que os seus democratas cristãos da Europa não usem do sagrado no profano. Ainda não atingiram a dimensão do pós-secular, defendida por Habermas.

 

Set 11

Um 11 de Setembro pós-secular

Assisto às cerimónias do 10º aniversário do 11 de Setembro, com Bush e Obama. Ambos rivalizam em citações da Bíblia. Ao contrário do que dizia o Abade Barruel, isto só acontece na república mais maçónica do mundo. Sua Santidade, o Papa, tem pena que ambos sejam protestantes e lamenta que os seus democratas cristãos da Europa não usem do sagrado no profano. Ainda não atingiram a dimensão do pós-secular, defendida por Habermas.

 

O que seria de nós se a Maria de Belém invocasse o Evangelho de João no Congresso do PS? Ou se Passos Coelho citasse as Constituições de Anderson numa conversa em família? Até Fernando Rosas e Bagão Félix fariam uma conferência de imprensa em protesto. Eu prefiro que Lenine continue a ser invocado na Festa do Avante e que se continue a cantar o 13 de Maio nas peregrinações de Fátima. Sou pela invocação quotidiana do mais além, até na política.

Set 11

Gunther Oettinger e a bandeira a meia haste

Leio, com tristeza, a proposta de regresso à estrela na identificação dos eus colectivos, proposto pelo comissário euro-cristão alemão, para que “as bandeiras dos pecadores da dívida” possam ser “colocadas a meia haste nos edifícios da União Europeia”. Daí que eu apoie Asia Bibi. Também não advogo que se identifiquem outros como puníveis pela blasfémia, usando a gamada ou a foice e o martelo.

 

Espero que Zé Manuel Barroso tenha sido suficientemente ex-maoísta na reprimenda que certamente deu ao seu colega de multinacional partidária…

 

Já agora…os países da UE que não são do euro, não deviam ter direito a haste, só pano embrulhado…com um fio de navalha.

 

E quando a Alemanha não cumpriu o défice, na convergência de Maastricht, será que ficou com metade do pano, com que se assoou…

 

O mais preocupante não é o que disse Gunther Oettinger, porque o que ele diz, como politiqueiro, será sempre igual ao que ele desdisser. O pior é que ele disse em voz alta o que amplas zonas sociológicas sentem e quer galgar a onda de uma ideia darwinista da presenta selva, a que só falta o regresso aos muros pretensamente separadores…É mesmo preocupante começarem a dizer em voz alta o que muitos calam, neste populismo hipócrita dos pretensos ricos e ortodoxos. Assim, como é que a Europa pode falar ao mundo se nem sequer consegue a harmonia interna!

 

Como português, os meus interesses nacionais, libertos da ideologia, só me dizem uma coisa: que eles sejam imediatamente derrotados pela via eleitoral!

 

Nisto de partidos na política internacional, sou muito pragmático: se os monárquicos alienígenas me invadirem, inscrevo-me logo no partido republicano e se só os comunistas fizerem resistência, passo a “partisan”.

Set 10

Em dia do Congresso do PS em Braga

Quando eu preencho um desses inquéritos sobre ideologias, confirmo que 50% coincidem com o PS, 45% com o PSD, 25% com o CDS, 20% com o Bloco e 10% com o PCP. Por outras palavras, por mais que tente, sou um desgraçado situacionista, sempre do contra, mas dentro do regime. Peço, portanto, desculpa a todos quantos me confundem com a procura da nova ordem. Só quero a regeneração da vigente.

“Sou católico, mas não posso aceitar que a Igreja seja o braço armado deste regime…o regime tem os padres todos.. a pedir ao santo povo que vote e que não perca a possibilidade de votar” nele. Quem o disse? Onde? Quando? Porquê? Garanto que não se trata de um documento constante da recente compilação dos “Arquivos Secretos do Vaticano”.

António José de Almeida acabou de discursar no Congresso do PS em Braga. Gosto sempre deste “gosto da liberdade” que nos traz Manel Alegre, mesmo que nunca concorde com ele nos justificativos de ideologia. Mas, quando ele remata com um viva, pela pátria, apetece-me cantar sempre. Quando ao povo a alma falta, mais nossa alma se exalta, mesmo quando não se é camarada .

Uma frase lapidar de Alegre: “O PS não é o terceiro partido do centro direita, nem a ala esquerda do bloco central”. Contudo, na pedra da história, está registado que o PS já governou sozinho, já governou com o CDS e já governou com o PSD. Exactamente como o PSD.

Eu bem gostava que, em Portugal, tanto houvesse esquerda como direita, mas sem rotativismo, meio devorista. Infelizmente, como se dizia nos anos vinte, dominam os bonzos que tanto metem a ideologia na gaveta quando são governo, como se divertem com os bailados dos canhotos e dos endireitas. Prefiro o centro excêntrico…

A ideologia dominante, aqui e agora, anda toda troikada. É um problema de laicíssima trindade, desse três em um, onde a culpa é sempre do outro, da quarta figura que manda nas restantes: o chamado mafarrico da ditadura dos factos, a quem dão muitos nomes feios, de socialista a neoliberal, sem lhe chamarem o que na verdade é, a pobre vida que temos de viver.

Quando os regeneradores marravam com os progressistas, quem acabou por chegar ao poder foram os republicanos que, fragmentados entre afonsistas, almeidistas e camachistas, viram o centro católico governar em ditadura, 48 anos. Neste regime, se temos tido o juizinho da alternativa, começamos a perceber que há um invisível mais do mesmo…

Ser de esquerda, da bem pureza, é não podermos ter “um alinhamento com uma ocupação febril das terras da Líbia, para ter ali … uma terra das novas oportunidades. Essa é a linguagem duma verdadeira ocupação colonial”. Também sou contra o deserto. De ideias.

Ser de direita é ter uma ministra do ambiente que não gosta de ambientes coloridos, nem do verde. Por despacho, obriga os serviços a pôr todos os terminais de impressão «com uma configuração predefinida de impressão em frente e verso, a preto e branco e em modo de rascunho», tendo em vista a «rentabilização dos consumíveis». Concordo.