Breves heresias de política internacional, ao correr da tecla

Enquanto os cristãos diabolizam os gregos, o Norte de África assiste ao regresso dos otomanos, com Erdogan a visitar triunfalmente o Cairo. Estes regressos da história, nomeadamente do predomínio dos impérios centrais, derrotados na Grande Guerra, apenas deveriam obrigar a Europa a compreender a falta que lhe faz a necessária alma atlântica.  A Turquia é um dos nossos aliados tradicionais a nível da NATO, já lá vão umas décadas. Talvez apenas esteja a arranjar bons argumentos para pressionar a adesão à União Europeia. A Europa continua balança, apenas lhe falta fiel.  Não sou optimista nem pessimista, prefiro ser realista e reler o Lawrence da Arábia. O seu rei aliado acabou no trono… do Iraque. E essa do “baasismo” deu a efémera República Árabe Unida, a subida de Saddam ao poder, e daqueles que ainda estão a mandar em Damasco… Convém ler os sinais dos tempos… O Mediterrâneo já é multipolar…  A CDU é católica e protestante e o papa é bávaro… Ora, ter um papa germânico em Roma diante das primaveras árabes talvez seja tão importante quanto ter havido um papa polaco. A Baviera é tão mista quanto era Cracóvia. Entendem essa coisa do cinturão das populações mistas e do sincretismo que pode trazer futuro, preparando o diálogo. Por acaso, sou dos que têm esperança que isto vai resolver-se sem o habitual desespero das guerras. Ou, pelo menos, contendo-as.  A vantagem do protestante é haver muitos protestantes, tal como no mundo católico, haver hereges…  Além disso, ainda há jesuítas que querem pôr Confúcio no altar… Os turcos  nem sequer são árabes… E têm uma certa identidade com muitas ex-repúblicas que foram o Sul da URSS. Isto é, são a mesma coisa…  Julgo que foi o otomano que acolheu muitos dos judeus expulsos aqui da Ibéria…Um deles ainda foi chefe do governo do sultão já na era contemporânea…  Nunca me senti tão europeu quanto ao ver cair a neve em Santa Sofia, nem tão português quanto na sinagoga de Amsterdão…sobretudo, a meditar no erro de certas guerras, sobretudo das civis. Principalmente das guerras civis europeias do século XX, da chamada Grande Guerra à II GM. E eu até sou do povo do Vasco da Gama, do D. Francisco de Almeida e do Afonso de Albuquerque. Os tais que foram para a Índia combater o turco pelas traseiras. Só que, depois, fomos além do Ceilão, passámos Malaca, e circum-navegámos em armilar.


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