Jul 18

Que saudades eu tenho dos treinadores de bancada do “Jogo Falado”!

Lê-se no “Público” que quando os trabalhos foram retomados após o almoço tinham sido feitas 137 votações e aprovados 30 artigos. “Pelas minhas contas, estamos a discutir 462 alterações [entre a proposta do Governo, do PSD e as alterações apresentadas por PS, PCP, CDS-PP e BE]. Ainda faltam mais de 300 votações”, resumia o presidente da comissão, António José Seguro. Artigo a artigo, muitas vezes alínea a alínea, os deputados, munidos de muitas garrafas de água, eram chamados a votar ou a explicar o sentido das propostas. Que por vezes ficavam por dar. Questionado pelo CDS-PP sobre o sentido de um dos artigos da proposta do Governo, que ia receber o voto favorável do PS, o deputado socialista Manuel Mota alegou que tal já tinha sido discutido e que não valia a pena “perder tempo”. “Ficamos a saber que há uma norma que vai ser aprovada, mas não sabemos para que serve”, criticou Pedro Duarte.

Por outras palavras, o ilustre parlamento parece ter trabalhado noite dentro no corte e costura da projectada lei da universidade e do restante superior de forma bem inferior, para que Gago possa ser digno sucessor da revolução dos homens sem sono e do reformismo de Veiga Simão, neste filho de pai que agora fica incógnito, sem ter que dar despacho sobre a Universidade Independente, o tal que foi solenemente prometido como rapidamente e em força, que quem diz ter força pode, afinal, não ter doutrina.

Recorde-se o que disse o meu colega Jaime Nogueira Pinto quando, ao elencar algumas características da actual classe política idênticas às de Salazar (acabava sempre por demonstrar quem mandava: era ele próprio. Hoje, popularmente, as pessoas voltam a gostar de um político que saiba tomar uma decisão, de acordo com o princípio “manda quem pode”), respondeu: sou insuspeito, por isso falo à vontade: José Sócrates tem esse lado. Aparece como uma pessoa que toma decisões. Cavaco Silva também foi assim. As pessoas gostam disso.

Sem seguir essa via de ressalazarização, eis que, entre nós, a oposição se vai fragmentando com meras parangonas da jornalada, entre os tabus de Portas e de Manuela Ferreira Leite, com cavaquistas a serem mendistas, segundo um grande jornal, e antimendistas, noutro, enquanto os mesmos laranjas se despedem de Paula Teixeira da Cruz e os portistas de Lisboa continuam a ter que ser subcomandados pelo deputado EMEL, para que o país camiliano assista a dramas suicidas no Montijo e à condenação do patrão do alterne brigantino.

Por isso me preocupam as chamadas novas destas férias futeboleiras, dando total razão ao Paulo Bento do Sporting que devido a várias saídas tem várias faltas de recursos tanto na ponta direita como na ponta esquerda, especialmente na defesa, dado que, quanto avançados, tem bons pontas de lança e especialmente avançados do centro. Basta que fiquem a bailar na grande área, à espera que lhe lancem a bola para o golo eficaz. Confesso que estou com saudades do Seara de Sintra, do Aguiar de Gaia e do Dias Ferreira de todas as sete partidas no “Jogo Falado”, especialmente por causa da sucessão de Mendes, onde todos eles jogam sem falar, assim demonstrando como o PSD pode ter muitos defeitos, mas monopoliza os bons debates sobre a futebolítica. Preciso de saber o se passa sobre a OPA dos chineses sobre o Benfica, os subterrâneos do apito e os tabus da mana, já que o blogue do Pedro nada nos disse até agora sobre o fim da Atlântica 2 e a demissão do Couceiro.

Jul 18

Foi dentro de nós, da comunidade das coisas que se amam, que tudo aconteceu

Os cerca de duzentos mortos do acidente de São Paulo exigiriam que não mais se emitissem notas oficiais como as que informam não haver notícias sobre os portugueses na lista das vítimas. Deveriam exigir que, em primeiro lugar, se manifestasse dor e até dupla cidadania colectiva. Foi dentro de nós, da comunidade das coisas que se amam, que tudo aconteceu.

Será também inadmissível que aproveitemos o pretexto para avaliar a Portela mais um, Alcochete e Ota. Vale a pena notarmos como são fracos os nossos elos informativos com o Brasil, onde os correspondentes, pelo telefone, fazem televisão e onde algumas redacções recebem notícias, nem sequer as procurando nos jornais brasileiros disponíveis na “net”.

O Brasil, da Embraer, que ocupa um dos primeiros lugares do mundo na aeronavegação, vive em profunda crise de desinvestimento neste sector, como se tornou patente desde o acidente do GOL. Quem se desleixa em conter os ventos pode acabar por sofrer graves tempestades, numa área onde importa reconhecer que o seguro não deve morrer de velho.

Hoje, não vale a pena criticar Lula, importa cuidar dos vivos e enterrar os mortos, quando eles são da minha querida segunda pátria.